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Deficientes devem ser mais ativos
em ações de inclusão social
Especialistas
alegam que a eficácia de políticas públicas
depende da participação efetiva de seu público-alvo.
Leia
mais:
- Deficientes devem ser mais
ativos em ações de inclusão social
- Encontro reúne especialistas
para discutir inclusão
- Depressão é
doença hereditária, afirma especialista
Deficientes devem ser mais ativos
em ações de inclusão social
Cassia Gisele
Ribeiro
As práticas
institucionais têm norteado e até mesmo definido políticas
públicas de diversos países com base na proximidade
entre o segmento social atendido e a análise mais ampla de
suas demandas. No entanto,
para que essas políticas sejam eficazes, é preciso
que o público interessado, no caso, aqui, as pessoas com
deficiência, tenham participação ativa nesse
processo. Está foi a conclusão do painel: “Práticas
institucionais influenciando políticas públicas”,
durante o 1º Encontro Ibero-Americano sobre Inclusão
Social de Pessoas com Deficiência.
O painel contou
com coordenadores de experiências realizadas na Colômbia,
Honduras, Etiópia e Brasil. Linda Elvira, coordenadora de
um programa de inclusão social que atinge a Etiópia
e a Colômbia, por exemplo, afirmou que as organizações
devem dar apoio e mostrar como as pessoas com deficiência
pode lutar por seus direitos. Isto é, mostrar como se faz
e ajudá-los, mas não chamar para si toda a responsabilidade
da batalha.
“É
preciso que os programas tenham o cuidado de não agir pelo
público interessado, pois somente eles sabem o que precisam,
o que é prioridade”, afirma. Segundo ela, é
preciso que eles não sejam excluídos do direito de
lutar por seus direitos.
Iolanda Coelho,
coordenadora da Fundação Andorinha, exemplificou essa
afirmação descrevendo o trabalho com portadores de
deficiência realizado na Fundação. O público
atua na realização de pesquisas e projetos que visam
melhorar a vida do portador de deficiência. Isso inclui desde
pesquisas para sobre conforto em cadeiras de roda até a discussão
de temas como esportes, sexualidade e lazer.
Para isso, a
organização cria grupos de trabalho, que tem a duração
de um ano e um objetivo específico. “Há alguns
tipos de trabalho que somente eles abordam com eficácia.
Por exemplo, há um grupo que trabalha a sexualidade entre
as pessoas com deficiência. É um assunto onde somente
eles conseguem se entender”, conta Iolanda.
Soledad Murillo Galindo, do Conselho Nacional de Reabilitação
da Costa Rica, afirma que os conselhos de reabilitação
e as políticas públicas já estão partindo
para esse processo. Segundo ela, em 1973, quando foi criado o primeiro
conselho de reabilitação do país, os principais
membros eram profissionais de instituições especiais
e pais de pessoas com deficiência. Hoje, a maior parte da
equipe é composta pelos próprios deficientes.
Já Clodoaldo
Leite, presidente do Conseas (Conselho Estadual de Assistência
Social de São Paulo), falou a respeito da importância
desses conselhos nas discussões sobre inclusão. “Todos
os tipos de conselho correm o risco de cair em mãos erradas,
de partidos políticos ou pessoas que tenham outros interesses
que não sejam necessariamente os interesses da população
que o criou”, afirma.
Encontro reúne especialistas
para discutir inclusão
Marina Rosenfeld
"Eles
precisam se expressar. Mostrar que têm direito de levar uma
vida normal", disse Liliana Rudich, gerente geral da Fundação
Ensino Individualizado para Crianças e Adolescentes do Equador,
durante o 1º Encontro Ibero-Americano sobre Inclusão
Social de Pessoas com Deficiência, realizado pela Associação
para Valorização e Promoção de Excepcionais
(AVAPE) e pelo Grupo Latino-Americano para Participação,
Integração e Inclusão de Pessoas com Deficiência
(GLARP Brasil).
De acordo com
Rudich, é preciso dar aos deficientes o seu verdadeiro "poder".
"Eles sentem falta de se expressar, de dizer o que querem,
do que gostam". A especialista garantiu que, incentivar pessoas
com deficiência a se expressar, pode ser algo muito rico no
processo de inclusão.
Rudich apresentou
a experiência de jovens equatorianos com deficiência
intelectual que se reuniram num seminário nos EUA para defender
seus princípios, colocar suas necessidades e anseios. "Além
de querer ter uma vida normal, com trabalho, namorada, relações
sexuais e diversões, eles querem sentir que podem fazer algo
por eles mesmos".
Segundo ela,
muitas vezes o excesso de proteção por parte de quem
convive com deficientes faz com que algumas barreiras sejam colocadas
e essa expressão seja dificultada. "Isso torna o processo
de inclusão ainda mais difícil".
Para a diretora
executiva do Comitê Regional de Antioquia e membro do GLAER
da Colômbia, Líbia Elvira Montoya, as próprias
instituições que trabalham com pessoas com deficiência
ainda têm uma visão assistencialista e paternalista.
"Elas ficaram paradas num processo beneficente. Esse processo
precisa ser convertido em aprendizado", disse.
Além
do problema do assistencialismo, Flora Louvato do Instituto de Desenvolvimento
Social, representando o Brasil, colocou o fato de que algumas entidades,
preocupadas com a captação de recursos para sua sobrevivência,
acabam esquecendo da sua razão de existir que é promover
solidariedade e cidadania. "O olhar financeiro voltado para
a urgência faz com que as reais necessidades não sejam
levadas em conta".
O gerente geral
da Associação Chilena de Seguridade e do GLARP do
Chile, Angel Masilla, comentou ainda que as empresas também
têm um papel importante nesse processo de inclusão.
"Elas não podem ficar isoladas e devem arcar com as
conseqüências além das suas responsabilidades.
Isso significa se preocupar com carências, como a contratação
de pessoas com deficiência", comentou o especialista.
De acordo com
ele, não basta só contratar, é preciso sensibilizar
todo o resto da corporação, empresas parceiras e terceirizadas;
conhecer as capacidades e habilidades de cada um dessas pessoas
com deficiência; dar oportunidade de crescimento e convocar
para vagas em aberto; dar acessibilidade física adequada
e se juntar à instituições que trabalhem com
o assunto.
Ao final, Rudich
trouxe uma reflexão: as pessoas com deficiência, quando
se propõem a buscar seus objetivos, conseguem. Mas quanto
nós, que ficamos ao seu redor, estamos dispostos a ajudá-los
nessa busca?
O encontro aconteceu
nos dias 1 e 2 de dezembro, em São Paulo, para discutir iniciativas
e projetos que beneficiam as pessoas com deficiência.
Depressão é doença
hereditária, afirma especialista
Ana Paula
Fonseca
Grasiela Cardoso
Está
mais do que comprovado que a depressão é uma doença
que precisa ser tratada, mas muitos ignoram esse assunto. Poucos
sabem, por exemplo, que a depressão é uma doença
hereditária. Quando o casal é depressivo, os filhos
podem ter 75% de probabilidade de herdarem a doença dos pais.
Pessoas que
possuem algum tipo de deficiência física, viciadas
(em bebidas ou drogas ilegais) ou que possuam doenças crônicas,
diabetes, câncer e traumas psicológicos durante a infância
ou adolescência, são fortes candidatos para se tornarem
depressivos. No Brasil, para se ter uma idéia, 15% dos homens
sofrem de depressão, mas são as mulheres que apresentam
maior incidência, com 25%.
Alteração
do sono ou sono em excesso, cansaço físico, angústia,
tristeza e mudança de comportamento, são os primeiros
sintomas a se manifestar. Segundo o professor de Medicina da Universidade
de São Paulo (USP), Rodrigo Dias, quando a pessoa apresenta
essas características após duas semanas, deve ser
encaminhada imediatamente para uma avaliação médica.
“É
importante que a doença seja diagnosticada mais cedo pela
família, para que possa ocorrer um encaminhamento para o
tratamento. Além disso, a família também precisa
aliar-se ao enfermo”, explica o psiquiatra e professor Dias.
Além
de todo medicamento que é orientado pelo médico, as
pessoas que possuem a doença podem tomar algumas medidas
simples para que a depressão não venha a se expandir.
Procurar a ajuda de um psicólogo e prevenir as recorrências
da doença são atitudes essenciais para melhorar o
quadro clínico do paciente.
“Ser persistente
durante o tratamento é indispensável, pois a depressão
é uma doença que pode ser tratada”. Professor
Rodrigo Dias finalizou assim a palestra: Depressão, como
trato?, durante a VII Jornada Científica da Avape (Associação
para Valorização e Promoção de Excepcionais),
realizada em São Paulo.
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