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Qualificação de deficientes
impede sua entrada no mercado
Rodrigo
Zavala - 04/05/04
Em um país
onde mais de 22% das crianças e dos adolescentes com deficiência
são analfabetos, não é difícil chegar
a conclusão que faltam profissionais para preencher as cotas
do mercado de trabalho para esse segmento. Prova disso são
os quadros apresentados pelo Centro de Solidariedade ao Trabalhador
da Força Sindical, que desde 1998 atendeu mais de 8 milhões
de trabalhadores em busca de formação e emprego.
Segundo o gerente
executivo da organização, Paulo Muniz, ou Paulão
da Força, como é conhecido, diariamente o Centro coloca
à disposição dos interessados cerca de 6 mil
vagas. Destas, pouco mais de 200 são direcionadas a deficientes
(média variável). “Mas grande parte dessas vagas
não são preenchidas por falta de qualificação
dos trabalhadores deficientes”, explica.
A educação
brasileira, na opinião de Muniz, é a grande responsável
por essa defasagem em relação aos demais trabalhadores.
“Esses são superqualificados quando estão no
trabalhano. São mais assíduos, chegam no horário.
Enfim, agarram uma oportunidade com unhas e dentes”, argumenta.
E educação
formal para deficientes é realmente um dos grandes obstáculos
a serem transpostos no país. Segundo dados do Relatório
Situação da Infância Brasileira 2004, divulgada
pela UNICEF, com base no Censo 2000 do IBGE, a taxa de analfabetismo
em crianças e adolescentes com deficiência chega a
22,4%. As crianças sem deficiências, nessa mesma faixa
etária, somam 11,7%.
Resultado: sem
poder alcançar cargos administrativos, devido a sua grande
necessidade de experiência e escolarização,
sobram os cargos que exijam menos qualificação.
Entende-se aí
porque os setores de telemarketing e telefonia são os que
mais oferecem oportunidade de emprego para os portadores de deficiência.
Os dados do Instituto Database, que auxilia a Força Sindical
na preparação de cursos para deficientes, mostram
isso. De acordo com a entidade, trabalhos em linha de produção,
digitação e promoção de vendas também
são áreas com grande número de vagas.
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