Qualificação do deficiente é novo foco das empresas

Cássia Gisele Ribeiro

Após a disseminação da Lei 8.213/91, que obriga as empresas de médio e grande porte a ter uma cota de seus profissionais com deficiência, começam a surgir novos desafios para essa contratação. E esses desafios foram o principal foco das discussões sobre inclusão social promovido pela Federação Brasileiras de Bancos (Febraban) na cidade de São Paulo.

“Após o impacto das primeiras contratações, as empresas estão começando a refletir sobre a importância de investir na qualificação dos profissionais”, afirma o coordenador de desenvolvimento humano da Serasa, João Baptista Ribas, que é portador de deficiência física.

Baptista lembra que, para isso, é necessário acabar com a idéia de que as pessoas com deficiência são um gasto a mais para a empresa, pois a qualificação dos funcionários é sempre um investimento. “Qual é a diferença entre pagarmos um curso de inglês para um funcionário comum e para uma pessoa com deficiência? Ou de pagarmos um Office e uma ferramenta especial para deficientes visuais?”, questiona. “O que muda é a forma como enxergamos essas mudanças”.

Para a diretora executiva do Carrefour, Renata Sawchuk Moura, os funcionários com deficiência têm um papel importante na identificação do cliente com a empresa. “Ora, se não escolhemos nossos clientes pelos seus atributos físicos ou sensoriais, como podemos escolher os funcionários com esse critério?”, questiona. “O profissional com deficiência representará os nossos clientes com esse perfil”, afirma.

O diretor da Johnson & Johnson, Nilson Salustiano Gomes, afirma que a contratação e qualificação dos profissionais com deficiência são parte dos valores da empresa. “A Johnson valoriza sumariamente a responsabilidade social e contratar profissionais socialmente excluídos faz parte desse processo”, afirma.

A chefe de fiscalização do Trabalho da Delegacia Regional do Trabalho no Estado de São Paulo, Lucíola Rodrigues, disse que “muitas empresas optavam por pagar a multa porque acreditavam que os gastos com a contratação de uma pessoa com deficiência eram mais altos”. Agora, “ao invés de apenas aplicarmos as multas, optamos por criar pactos coletivos. A fiscalização passou a orientar as empresas que ainda não haviam contratado e elas passaram a ter um prazo maior para que pudessem qualificar os funcionários antes de contratá-los”.

A secretária municipal da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida, Mara Gabrilli no entanto, acredita que ainda existam muitas barreiras a serem ultrapassadas para que as pessoas com deficiência cheguem efetivamente ao mercado. “A dificuldade de transitar na cidade, a falta de preparo das escolas, os benefícios que a pessoa com deficiência recebe ao ficar em casa dificultam o ingresso delas no mercado de trabalho. Hoje é mais fácil ficar em casa recebendo um benefício governamental do que ir trabalhar, pegar quatro horas de trânsito e não saber se vai conseguir pegar um ônibus para chegar ao trabalho".

   


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