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Política de emprego para deficientes no Brasil ainda é precária

O Brasil está muito atrasado em relação ao primeiro mundo no que se refere às políticas de emprego voltadas ao deficiente físico. A avaliação é de Steven Dubner, presidente da Associação Desportiva para Deficientes (ADD). Apesar de a legislação exigir a contratação de pessoas portadoras de deficiência, poucas empresas cumprem a norma.

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As lições que os deficientes podem ensinar ao mercado

O Brasil está muito atrasado em relação ao primeiro mundo no que se refere às políticas de emprego voltadas ao deficiente físico. A avaliação é de Steven Dubner, presidente da Associação Desportiva para Deficientes (ADD).

Inaugurada em 1996, a entidade oferece assistência a cerca de 1,6 mil deficientes no país. Hoje, Dubner - apesar do nome, um carioca que passou a maior parte da vida em São Paulo - realiza uma palestra para 70 convidados da Marsh, multinacional da área de gerenciamento de riscos e seguros.

"Se o empresário Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, e Bill Gates, da Microsoft, trabalham de seis a oito horas por dia sentados, por que sua empresa não pode contratar um deficiente físico?" virou uma espécie de slogan da ADD.

Para Dubner, ainda há muito a se fazer no Brasil quando o assunto é a contração de deficientes físicos. Pela legislação do Ministério do Trabalho, empresas com mais de 1 mil funcionários são obrigadas a ter pelo menos 5% de deficientes em seu quadro de funcionários. Há, inclusive, multa prevista de R$ 5 mil para cada funcionário deficiente que as companhias deixarem de contratar. Mas, na prática, a lei é pouco aplicada.

A culpa, na avaliação do presidente da ADD, não se restringe somente às companhias. "Quando uma empresa decide contratar deficientes físicos, provavelmente não vai conseguir apenas com boa vontade", diz. Isso porque, segundo estimativas do executivo, menos de 2% dos deficientes físicos no país têm segundo grau completo. Dificuldades como a falta de transporte adaptado nas grandes cidades acabam interferindo na vida escolar do deficiente físico e atrapalham, posteriormente, na hora de conseguir um emprego.
Mesmo assim, Dubner insiste que o esforço empresarial na área deve aumentar. Ele faz uma conta simples: há hoje 25 milhões de deficientes no Brasil. Se cada um deles convive com uma média de cinco pessoas, o problema diz respeito a 125 milhões de brasileiros, ou seja, quase 75% da população nacional, diz.

Se antes a principal causa de paraplegia era a poliomielite, agora são os acidentes de carro e as seqüelas de tiros. De acordo com Dubner, quase 550 pessoas ficam com problemas por causa de acidentes de carro por dia no país. "A maioria não poderá realizar as mesmas funções de antes", diz o executivo, que em 1989 trabalhou nos Estados Unidos como consultor da American Airlines na implantação de um projeto de atendimento especial para deficientes nos aviões.

Na palestra de hoje, ele pretende falar das lições que os deficientes podem dar aos executivos em um ambiente de trabalho: os chamados "cadeirantes" têm mais determinação em cumprir objetivos impostos, lidam melhor com a competitividade, estão acostumados a situações de alta pressão, diz o presidente da ADD. Em negócios ligados a venda direta, tendem a sensibilizar mais o comprador.

Mas ele ressalta que essas características positivas são bem mais comuns em deficientes que praticam esportes e receberam um bom acompanhamento psicológico. "Se uma empresa decidir contratar um deficiente logo depois do acidente que o deixou paraplégico, por exemplo, pode se preparar para ter grandes problemas", afirma.
Para os próprios deficientes, o tratamento recebido dos colegas de trabalho depende da postura que eles mesmos adotam no escritório. "No começo, uma colega vivia me perguntando se eu precisava de ajuda; hoje, ela pede para eu lhe trazer alguma coisa quando vou a outros andares do prédio", brinca Fábio de Souza, contratado há dois meses pela Unibanco-AIG como analista de riscos institucionais. Hoje com 32 anos, Souza começou a andar de cadeira de rodas aos dez, quando descobriu ser portador de um problema congênito. Desde os 18, dedicou-se ao basquete, e aos 25 entrou para a Seleção Paraolímpica Brasileira.

Para ele, as ruas esburacadas de São Paulo são maior obstáculo que o escritório. "Costumo dizer que problema a gente tem todo dia, ruim seria se não os tivéssemos para poder superá-los", diz Souza
"Já ouvi dos colegas que nós deficientes sempre encontramos solução para qualquer problema", diz Adauto Marquete, 37 anos, que trabalha no Serviço de Atendimento ao Cliente do Pão de Açúcar. A empresa implementou um programa, batizado de Para Todos, cujo objetivo é adaptar as instalações dos supermercados da rede e dos escritórios para os deficientes. A supervisão técnica do programa é de Andréa Schwarz, autora do "Guia S. Paulo Adaptada".
Marquete, que ficou paraplégico em um acidente aos 23 anos, critica a postura das empresas brasileiras em relação aos deficientes.

"Conheço algumas que abriram vagas para deficientes físicos leves, mas excluíram aqueles que andam em cadeira de rodas", diz. Quando era mais jovem, ele não pôde fazer faculdade por problemas financeiros. Hoje ainda tem esse sonho. "Mas tenho meus limites de resistência", diz. "Como já trabalho seis horas por dia, prefiro me preservar."

(Valor – 07/07/04)

   
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