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Projeto do HC recoloca esquizofrênicos
no mercado
Resultados iniciais
do programa ReAção, do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São
Paulo), mostram que pacientes portadores de sofrimento mental apresentam
melhora em seu quadro clínico quando se sentem úteis
e convivem com os colegas em um ambiente de trabalho.
O programa,
inédito no país, possibilita a recolocação
no mercado de trabalho de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia,
acompanhando detalhadamente sua evolução.
A reinserção
ocupacional é a etapa final do processo de reabilitação.
Até o final de 2005, serão 30 os pacientes envolvidos,
todos em estado controlado da doença.
A esquizofrenia
apresenta dois grupos de sintomas. O primeiro, chamado pelos médicos
de sinais "positivos" (ou psicóticos), reúne
os indícios mais conhecidos e relacionados às crises,
como ter alucinações e se sentir perseguido. São
problemas tratados de forma eficiente com medicação.
O segundo grupo,
o dos sinais "negativos" (considerados menos evidentes),
é formado por sintomas como déficits de atenção,
de socialização e de memória.
A conclusão
dos psiquiatras envolvidos no programa é a de que a reinclusão
profissional acompanhada auxilia no tratamento dos sintomas "negativos",
que não são completamente tratados com remédios.
Para pacientes
que já não apresentam os sintomas psicóticos,
é uma chance de se aproximar de uma rotina normal.
Seis pacientes
passaram pelos primeiros seis meses do programa. Após uma
análise qualitativa, as conclusões iniciais foram
animadoras. "Eles apresentam uma melhora muito grande na sua
satisfação e na auto-estima", afirma o médico
Hildeberto Tavares Júnior, do Instituto de Psiquiatria do
HC-USP.
O retorno dado
pelas famílias dos pacientes também foi estimulante:
houve visíveis ganhos de sociabilidade.
Avaliação
As vagas ocupadas pelos pacientes são de estágio de
seis meses e são fruto de parcerias do HC-USP com pequenas
empresas.
Dos 6 pacientes
que já concluíram o programa, 2 receberam propostas
de contratação após o período de estágio.
Quatro deles nunca haviam trabalhado.
Os pacientes
são remunerados com uma bolsa mensal. A verba vem do acordo
de financiamento firmado com a indústria farmacêutica
Bristol-Myers Squibb.
O HC-USP não
permitiu que a reportagem entrevistasse pacientes envolvidos no
programa.
(Folha de
S. Paulo – 05/10/04)
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