Educação Inclusiva ainda causa polêmica

Cassia Gisele Ribeiro e Marina Rosenfeld

Desde que a última Lei de Diretrizes e Bases anunciou a obrigatoriedade das escolas públicas aceitarem alunos especiais em suas turmas regulares, muitas dúvidas e mitos cercam os pais e educadores da área. Dúvidas a parte, é quase consenso entre os especialistas que a educação inclusiva só pode ser benéfica para os estudantes em geral.

"A educação inclusiva provocará uma mudança de visão na sociedade do futuro. As crianças de hoje não olharão mais para as pessoas com deficiência com a mesma desconfiança que nós, que crescemos com a separação", diz Luiza Russo, especialista na área e presidente do Instituto Paradigma. No entanto, muitos educadores indagam: A escola pública tem estrutura para esse atendimento? Qual preparo o professor possui para lidar com essas diferenças?

"Grande parte desses educadores não tiveram nenhuma base sobre o assunto em sua formação. As maiores universidades do país ainda estão em processo de implantação de disciplinas que abordem o assunto em sua grade curricular, e muitos professores só vão buscar um apoio quando já possuem o aluno na sala de aula", afirma Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp.

Para Luiza, o principal problema trazido pelo despreparo é que o professor, muitas vezes, se desvia de seu papel de educador. "É comum o professor sair de seu foco e atuar como assistente social ou médico, focando a reabilitação e não a educação da criança", diz. Para ela o educador deve partir sempre do mesmo princípio: aproveitar as habilidades da criança e aprender a lidar com suas dificuldades, tenha ela deficiência ou não.

Para Ramiro, o governo pecou ao jogar a lei, mas não adequar a estrutura da sala de aula para que a inclusão acontecesse de fato. "Não dá para falarmos em inclusão em uma sala com 50 alunos", afirma Ramiro. Segundo ele, outro grande problema é a falta de preparo dos professores para lidar com as diferenças. "Isso pode resultar em isolamento da criança especial, ou o professor pode deixar de dar aos outros a assistência necessária", diz.

Ramiro aponta também para a falta de atendimento técnico, como por exemplos, tradutores de linguagem de sinais. "É preciso também que a escola tenha apoio de especialistas", afirma. "Fui professor em uma sala onde haviam três pessoas com deficiência visual, e pagava tradutores de braile com meu dinheiro. As máquinas, por falta de técnicos especializados, apresentavam problemas e os alunos saíam prejudicados", conta.

Na tentativa de suprir algumas dessas necessidades, instituições como o Instituto Paradigma e o Senac estão implantando cursos e projetos de capacitação e sensibilização de professores e funcionário de escolas. "A intenção é atuar na questão da acessibilidade, não só arquitetônica, mas também pedagógica e social", diz Luiza.

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- Instituto Paradigma realiza trabalho para facilitar inclusão social
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