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Mais de 22% dos deficientes são
analfabetos
Grasiela Cardoso
Mais de 22%
das crianças e dos adolescentes portadores de deficiência
são analfabetos.
No Brasil, existem três milhões de crianças
e adolescentes portadores de necessidades especiais, ou seja, 4,7%
do total da população com idade entre 0 e 14 anos.
Enquanto para eles a taxa de analfabetismo chega a 22,4%, as crianças
sem deficiências, nessa mesma faixa etária, somam 11,7%,
segundo dados do Relatório Situação da Infância
Brasileira 2004, divulgada pela UNICEF, com base no Censo 2000 do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Para se ter uma idéia, a criança portadora
de deficiência tem quatro vezes mais possibilidade de não
ser alfabetizada na adolescência, se comparada com as crianças
sem deficiência. Elas não precisam apenas ser alfabetizadas,
mas também de escolas que tenham classes regulares onde os
portadores estejam juntos com as outras crianças, ou seja,
de uma educação inclusiva.
Desde 2001, o Conselho Nacional de Educação
definiu que todas as crianças têm o direito de estudar
juntas, independentemente de suas diferenças, ou de credo,
cor e raça. Mas, antes dessa definição, grande
parte das crianças portadoras de necessidades especiais eram
encaminhadas a centros educacionais especializados. E, depois, eram
matriculados em escolas ou classes separadas, organizadas de acordo
com o tipo da deficiência do aluno.
Para muitos especialistas na área, construir
uma escola inclusiva no Brasil não é uma tarefa fácil.
Além dos obstáculos como baixa qualidade no ensino,
baixo salário dos professores e falta de infra-estrutura,
é preciso transpor obstáculos como o preconceito porque
isso atrapalha o seu crescimento.
Segundo o representante de projetos de educação
do Unicef, Silvio Kaloustian, a inclusão escolar é
uma ação pedagógica, que propõe a abertura
das escolas às diferenças. “As escolas regulares
devem admitir todos os alunos, tratá-los como seres singulares,
promover uma aprendizagem cooperativa e ter foco na formação
e currículos adaptados com base sócio cultural”,
conta Kaloustian.
Na sua opinião, a criança com deficiência
não precisaria e não deveria estar fora da escola
de ensino regular nem freqüentando classes e escolas especiais.
“A escola inclusiva não só estimula os alunos
com deficiência, como também prepara outras crianças
para conviver com as diferenças”.
Em diversos locais do país, experiências
inclusivas têm sido adotadas por diversas escolas e instituições
sociais. Essas experiências têm mostrado que é
possível realizar a alfabetização dessas crianças
em classes regulares com os demais alunos. Segundo o Ministério
da Educação (MEC), até o ano de 2006, todas
as escolas do país deverão ser inclusivas. Para isso
o MEC pretende acabar com a divisão do ensino regular com
o ensino especial.
Um dos grandes
incentivos para vencer essas barreiras é o apoio familiar.
O da comunidade também é fundamental porque ajudam
a eliminar diversas barreiras, entre elas o preconceito. “Não
se inclui o menino ou menina dentro da sala de aula se o mesmo não
ocorre fora dela”, disse o representante do Unicef.
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