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Boas práticas para inserção de deficientes no mercado é tema de
palestra
Karina Costa
Preocupação
bem mais constante no mercado de trabalho, a questão da inclusão
de pessoas com deficiência foi debatida nesta quarta-feira,
14 de fevereiro, por representantes de organismos nacionais e internacionais
durante o Seminário sobre Modelos e Experiências de
Inclusão Econômica no Âmbito Internacional, em
São Paulo. O objetivo do encontro, promovido pelo Instituto
Paradigma e pela Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (FIESP), foi o de apresentar boas práticas
de inclusão promovidas por governo, empresas e organizações
sem fins lucrativos.
O diretor geral da Shaw
Trust, entidade que atua na inserção de deficientes
no mercado, Timothy Papé, contou sobre uma experiência
desenvolvida no Reino Unido. No país, as pessoas com deficiência
têm um plano de desenvolvimento individual. É realizado
pelos ministérios do Trabalho e da Previdência Social
local um trabalho em conjunto para identificar quem são essas
pessoas, onde estão, o que pretendem para sua vida profissional
e, principalmente, suas habilidades.
“Lá, não
é possível ficar em casa vendo tv e esperando benefício.
O governo passou a apostar em atitudes pró-ativas e na recolocação,
quando se deu conta de que gastavam muito pagando benefício.
Todos deficientes que ainda o recebem são abordados para
discussão sobre oportunidades de emprego”, revela Papé.
Ele aproveita para explicar que no trabalho de recolocação
realizado pela Shaw Trust, na Europa, é feito um levantamento
sobre quais serviços os deficientes se interessam aliado
às necessidades de mão-de-obra do país. Cerca
de 15 mil pessoas conseguiram emprego por meio da empresa.
Na Europa, os deficientes
são empregados em locais como hotéis, mercados, lavanderias,
restaurantes e empresas gerais que tem propósito social.
Muitas vezes eles estão em cargos de grande visibilidade
e abrem negócios comandados somente por deficientes. Na Itália,
por exemplo, existe uma empresa que oferece serviços financeiros
para uma cooperativa de empresas. “Essas pessoas não
são julgadas por sua deficiência e sim pelas habilidades
que possuem por acreditarmos que eles não são diferentes
e incapazes. Mas ainda há muitas empresas que devem se integrar
a esse processo, ter vontade de cooperar, contratar e participar
de políticas de inclusão”, diz Papé.
Na Europa há cerca
de 40 milhões de pessoas com deficiência. Apesar das
boas práticas, muitos ainda recebem benefício social
ao invés de oportunidades de emprego. Outros, nem fazem parte
da estatística de desemprego por terem criado suas próprias
oportunidades de sobrevivência. “A taxa de desemprego
é 20% maior para os deficientes. Batalhamos para que os líderes
empresariais colaborem para diminuição dessa estatística“,
conta o presidente do Workability Europe, empresa de colocação
no mercado, Hans Vrind.
Uma iniciativa de mais
de 100 anos atrás, ganha cada vez mais força nos Estados
Unidos. A Good Will Industries International emprega deficientes
em lojas que vendem produtos usados. Funcionários da Good
Will saem pela comunidade para coleta de roupas, móveis e
outros objetos doados e colocam a venda nas lojas da instituição.
“Com o dinheiro arrecadado pagamos salários e oferecemos
treinamento para os deficientes. Não é um ato de caridade
e sim oportunidades. Percebemos que dar sem obter nada em troca,
não agrega valor. Os deficientes têm que saber que
podem se sustentar, ter dignidade e que são produtivos”,
conta o presidente e CEO da Good Will Industries, George Kessinger.
Kessinger explica que,
mais do que oferecer emprego, a instituição assegura
oportunidades aos deficientes fora do trabalho. As dificuldades
da vida podem atrapalhar o desempenho das pessoas no trabalho. “Por
isso, procuramos oferecer oportunidades de inclusão também
voltadas para a saúde, educação, tecnologia,
transporte, lazer”, detalha.
Representando a secretaria
municipal do trabalho de São Paulo, Carlos Alexandre Leite
Nascimento, conta que a cidade também está fazendo
sua parte. Segundo conta, no Centro de Apoio ao Trabalho (CAT),
serviço de apoio à recolocação no mercado
oferecido pela secretaria, há muitas vagas para deficientes.
“Entre junho de 2005 e dezembro de 2006, cadastramos mais
de 4.300 pessoas que se declararam deficientes. Destes, 15,4% foram
contratados”, revela. “Mas ainda verificamos falta de
articulação entre as empresas em relação
à vontade de qualificar e contratar. A sociedade civil, as
instituições e o governo devem se articular e trabalhar
juntas, pois a inclusão é uma questão fundamental
para o equilíbrio e crescimento da sociedade”, conclui.
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