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Exposição no escuro
estimula uso dos outros sentidos
Marina Rosenfeld
Enviada especial ao Rio
Uma exposição
que não oferece nada para ver, mas uma imensidão de
coisas para descobrir. É disso que se trata o Diálogo
no Escuro. Ao percorrer vários ambientes escuros que simulam
situações reais, as pessoas passam a usar seus sentidos
até então adormecidos, como o tato, a audição,
o olfato e o paladar para conseguir se localizar.
No Diálogo
no Escuro as atividades rotineiras parecem completamente diferentes
quando realizadas na escuridão. A exposição
não só mostra como é o mundo para aqueles que
não conseguem enxergar, mas também promove uma experiência
de mudança de papéis, em que por alguns minutos o
visitante deixa de ter controle do espaço em que se encontra.
Ele é obrigado a confiar numa pessoa desconhecida que será
seu guia no meio da escuridão. Esse guia é uma pessoa
com deficiência visual que orienta e ajuda os visitantes a
encontrar o caminho certo num território desconhecido. Assim
se dá o diálogo no escuro.
Numa sociedade
em que tudo é focado no visual, uma pessoa que não
enxerga certamente sente-se excluída. Na nossa linguagem,
não enxergar soa como algo negativo, visto como um defeito,
desorientação ou até mesmo ignorância.
O Diálogo no Escuro tenta provar exatamente o contrário.
“Viver sem visão é ver o mundo de uma maneira
diferente. Existem várias outras formas de perceber as coisas”.
A exposição
tenta mostrar ainda a importância de respeitar as pessoas
com deficiência, acreditando ser o Diálogo no Escuro
uma maneira de trazer o mundo para a realidade dessas pessoas. O
projeto também tem a intenção de gerar empregos
por onde passa. Os guias da exposição são os
próprios deficientes visuais locais.
Essa é
uma exposição itinerante criada na Alemanha e que
tem feito sucesso por todo o mundo. Mais de dois milhões
de pessoas já visitaram a exibição em inúmeros
países da Europa, América do Norte, América
do Sul e Japão.
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