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ONU garante direitos
da pessoa com deficiência
Cássia
Gisele Ribeiro
As pessoas com deficiência
têm agora direitos garantidos pelas Organizações
das Nações Unidas (ONU). A 8ª Convenção
Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência aprovou
o documento final que define o que é deficiência e
delimita o público alvo. Embora a convenção
não introduza novos direitos, ela especificamente proíbe
a discriminação contra pessoas com deficiência
em todos os aspectos da vida, incluindo os direitos civis, o direito
à educação e o acesso à justiça,
aos serviços de saúde e ao transporte.
Questões polêmicas,
como a sexualidade e o tratamento de pessoas em situação
de risco também são abordados no documento que ainda
precisa ser ratificado pelos 192 estados-membros da ONU. A grande
maioria dos pontos do documento foi aprovada por consenso. “Determinar
direitos universais é um grande desafio, pois é muito
difícil estabelecermos parâmetros que sejam adequados
a culturas tão distintas”, afirma Flavia Cintra, vice-presidente
do Instituto Paradigma, que esteve presente na elaboração
do documento.
As nações
envolvidas no processo de alianças e articulações
tinham como objetivo principal a definição de um texto
universal, que contemplasse e respeitasse as particularidades de
cada país, seja no âmbito legal, seja no cultural.
"Ninguém queria um documento que só ficasse no
papel”, diz Cintra. “Tenho certeza que ele será
efetivo, contribuindo para uma política pública afirmativa,
servindo como mais um instrumento de pressão”.
Direitos da mulher ao
trabalho, a não discriminação, à educação,
à acessibilidade em locais públicos e privados e questões
relacionadas a sexualidade foram alguns dos temas mais presentes
na discussão. O grupo considerou que, para que o documento
fosse efetivo, seria necessário respeitar a legislação
de cada país.
"Discutir direitos
da mulher com delegações árabes, por exemplo,
não é uma tarefa fácil. No entanto, não
era nosso objetivo achar quem está certo e quem está
errado, mas sim encontrar um consenso dentro da diversidade cultural
historicamente construída, nas diferentes regiões
do mundo”, afirma.
A meta principal era
que os direitos tivessem um caráter de transversalidade,
que englobassem todos e não apenas as pessoas com deficiência.
“Quando um texto contempla apenas uma minoria ele, na verdade,
reforça os direitos da maioria”, afirma. “Quando
o presidente do comitê ad hoc, Don Mackay, bateu o martelo
afirmando que tínhamos um texto definitivo, vi pessoas que
estavam brigando poucas horas antes se abraçando emocionadas,
porque todos nós tínhamos um mesmo objetivo",
diz Cintra.
Além dela, os
representantes da Coordenadoria Nacional para a Integração
da Pessoa Portadora de Deficiência, Izabel Maior e do Brasil
na ONU, Pedro Cardoso também estiveram presentes. A sociedade
civil foi representada por organizações não-governamentai,
como a Escola de Gente e o Centro de Vida Independente Brasil (CVI
- Brasil).
O conteúdo do documento, no entanto, precisa ser ratificado
pelos 192 estados-membros da ONU, o que deve acontecer até
o final desse ano. No Brasil, existe a expectativa de que ele tenha
força de lei. “A representatividade da delegação
brasileira foi importante porque tornou possível que o poder
público e a sociedade civil caminhassem juntos nesse processo”,
acredita.
Para a especialista,
no entanto, disseminar tais práticas requer um amplo trabalho
de divulgação e conscientização. A vice-presidente
sugere a formação de multiplicadores e de agentes
envolvidos com o universo da deficiência para irradiarem seu
conhecimento. “Toda a ação foi tratada com um
objetivo: fazer com que a sociedade passe a olhar o deficiente como
mais um cidadão, que paga impostos, quer trabalho, educação,
transporte e que seja tratado com respeito”, diz.
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