Uso de células embrionárias ainda cria polêmica

Cássia Gisele Ribeiro

Essa semana, cientistas de diversos países se reuniram para pedir à ONU (Organização das Nações Unidas) que permita a regulamentação da clonagem de células de embriões humanos para pesquisa médica e rejeite a proposta de proibição total da clonagem humana, feita no ano passado pela Costa Rica e pelos Estados Unidos.

No Brasil, um grupo de especialistas, familiares e pessoas que possuem doenças incuráveis - que poderiam ser beneficiadas por essas pesquisas - criaram um movimento, o Movitae (Movimento em Prol da Vida). O manifesto tem como objetivo unir assinaturas de familiares, pacientes, cidadãos e informar a população sobre o tema. Mas afinal, porque o assunto causa tanta polêmica?

Primeiramente, células-tronco são células que possuem a capacidade de regenerar tecidos e dessa forma, curar diversas doenças. Mayana Zats, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano, explica que esse tipo de célula pode ser encontrada de três formas: na médula óssea (em menor quantidade), em cordões umbilicais e placentas e em embriões nas fases iniciais da vida.

Esses embriões, que seriam descartados em laboratórios de fertilização in vitro, pode armazenar essa célula e ser capaz de curar doenças que hoje ainda são consideradas incuráveis, como as disfunções no cérebro, coração e ossos. No entanto, em casos de doenças genéticas, por exemplo, é preciso realizar uma clonagem embrionária do próprio paciente.

É nessa fase que a polêmica aparece. Alguns especialistas afirmam que a regulamentação pode abrir caminhos para pesquisas de risco, como a clonagem reprodutiva, experiência que, segundo a pesquisadora, só se mostrou desastrosa.

“Deve haver, de fato, leis e regras claras que não permitam que as pesquisas saiam do controle. A clonagem reprodutiva além de ser ineficiente, também pode ser desastrosa“, afirma a bióloga. Desde a ovelha Dolly, todos os casos de clonagem reprodutiva apresentaram sequelas de doenças, envelhecimento e morte precoce.

Além disso, os grupos contrários alegam que o uso de embriões destrói vidas independentemente de seu tamanho. “Os embriões são seres humanos vivos em constante desenvolvimento, sujeitos distintos da mãe e possuidores de identidade genética própria e permanente”, afirmam os professores Alice Teixeira Ferreira e Dalton Luiz De Paula Ramos em boletim publicado pelo Núcleo de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica , em São Paulo.

Mesmo com relação aos embriões já existentes nos laboratórios, o grupo é contrário: “O erro cometido por ocasião da produção e do armazenamento dos embriões não justifica, agora, um outro erro: a utilização desse embriões em pesquisas, reduzindo-os ao status de coisas ou objetos”.

Além do apoio ao uso de células embrionárias, o Movitae e o Centro de Estudos do Genoma Humano querem a formação de bancos públicos de cordões umbilicais. Segundo Mayana, esses bancos poderiam revolucionar o tratamento de doenças como a leucemia, reduzir e até acabar com as filas dos que esperam por um transplante de médula.

Além do apoio ao uso de células embrionárias, o Movitae e o Centro de Estudos do Genoma Humano querem a formação de bancos públicos de cordões umbilicais. Segundo Mayana, esses bancos poderiam revolucionar o tratamento de doenças como a leucemia, reduzir e até acabar com as filas dos que esperam por um transplante de médula.
   
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