Encontro reúne empresas que valorizam pessoas com deficiência

A AVAPE – Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais reuniu cerca de 190 pessoas em São Paulo (SP), no dia 12 de novembro, no II Encontro das Empresas que Valorizam a Pessoa com Deficiência. O evento homenageou as empresas que, ao longo dos 22 anos de existência da instituição, colaboraram na inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, e sensibilizou aquelas que ainda não abraçaram a causa.

Para o presidente da AVAPE, Marcos Antonio Gonçalves, o Brasil vive um momento fantástico, no qual a responsabilidade social e ambiental está ganhando espaço na pauta nacional. “Agora cabe a nós observar o que mais pode ser feito, principalmente para os 24,5 milhões de brasileiros com deficiência”, disse o presidente na abertura do encontro. Gonçalves também destacou a importância da empregabilidade na reabilitação social das pessoas com deficiência.

Experiências são disseminadas - Entre os participantes do evento, estiveram representantes de organizações reconhecidas com o Selo Empresa Solidária que Apóia a Pessoa com Deficiência, certificação concedida pela AVAPE. Cerca de 300 empresas já receberam o Selo por contribuir com a contratação de pessoas com deficiência, apoiar eventos culturais ou oferecer algum tipo de serviço a este público. Duas destas empresas, a Bombril e a Visteon, apresentaram suas experiências no Encontro.

A Bombril mostrou aos participantes as dificuldades que precisaram vencer quando começaram a contratar pessoas com deficiência e enumerou as etapas que integraram o projeto. “Uma das primeiras mudanças que tivemos que fazer foi na infra-estrutura da empresa, pois o prédio é de 1974 e não era acessível a pessoas com deficiência”, contou o Gerente de Recursos Humanos da Bombril, Reinaldo Silvério. A AVAPE participou do processo de adaptação da empresa principalmente realizando palestras de sensibilização e acompanhando o resultado dos contratados.

Já na Visteon, a AVAPE fez o mapeamento de postos de trabalho, a sensibilização de funcionários e o acompanhamento pós-contratação. “As pessoas não devem ter o preconceito de contratar uma pessoa com deficiência e nem dar privilégios para este grupo de pessoas. Na nossa empresa o profissional com deficiência tem os mesmos direitos e deveres dos profissionais sem deficiência. Temos um processo transparente e correto”, ressaltou o Diretor de Gestão de Pessoas da Visteon, Leonardo Bissoli.

“A AVAPE me ajudou a entrar no mercado de trabalho e a voltar a estudar. Também aprendi a ter responsabilidade e tirei minha habilitação. Hoje me sinto outra pessoa”, disse Denis Francisco da Silva, deficiente contratado pela Visteon através da AVAPE. “Além de contratar pessoas com deficiências, as empresas também devem dar atenção aos profissionais que passam a ter alguma deficiência depois de já estarem trabalhando”, completou Marco Aurélio Soares Santos, que ficou cego depois de levar um tiro em um assalto no ano passado. Santos passou por um período de reabilitação profissional na Visteon e comemora a volta a ativa ainda em novembro.

Inclusão da pessoa com deficiência é debatida - Durante o II Encontro das Empresas que Valorizam a Pessoa com Deficiência, também foram proferidas palestras pelo presidente da organização não-governamental Integrare - Centro de Integração de Negócios, Silas Cezar da Silva; do Diretor Executivo da Áurea Editora, que publica a Revista Sentidos, Dirceu Pereira Júnior; e da procuradora da república Eugênia Augusta Fávero, autora do livro "Direitos das Pessoas com Deficiência - Uma garantia de igualdade na diversidade".

Eugênia apresentou a visão do Ministério Público Federal dos assuntos relacionados aos direitos das pessoas com deficiência. A procuradora apresentou instruções normativas, discutiu a legislação vigente e incentivou os presentes a ter um olhar inclusivo. “O olhar inclusivo faz com que a gente perceba que as coisas não são para todos. Portas impedem a passagem de cadeirantes, softwares são inacessíveis a portadores de deficiências visuais e calçadas dificultam a locomoção de pessoas com deficiências físicas. Para mudar esta realidade precisamos mudar a nós mesmos”, exemplificou.

(Tatiana Wittmann – Lead Assessoria de Comunicação)

   
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