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Cão-guia tem entrada livre em qualquer lugar
Mariana
Gallo
Ao contrário
do que se pensa, os cães-guias estão autorizados a
circular com seus donos em lugares públicos e privados em
todo o estado de São Paulo. É o que garante a lei
estadual número 10.784, de 2001. Apesar de ainda não
ter sido regulamentada, a lei garante às pessoas com deficiência
visual o direito de utilizar os meios de transporte, entrar em hospitais
e até mesmo em restaurantes com seus cães-guias.
Segundo a secretária
de Justiça do estado de São Paulo, Eunice Prudente,
a questão do cão-guia merece atenção
das autoridades por se tratar do direito fundamental de ir e vir.
“Para que o decreto seja cumprido, falta regulamentar a pena
administrativa aos infratores”, afirma. A lei, que serviu
de modelo para a criação de uma outra federal, tem
entre os principais objetivos inibir qualquer tipo de impedimento
contra o acesso dos portadores de deficiência e seus cães.
“Não
temos idéia de quantas pessoas iremos atingir, pois não
temos números oficiais, mas o decreto inibirá qualquer
constrangimento para essas pessoas”, garante a secretária.
Segundo ela, não é possível afirmar se a lei
estimulará os deficientes a adquirir cães-guias, mas
ela lembra ser difícil porque o custo desses animais é
muito alto.
Ainda há
poucos treinadores de cães-guia no país. Por essa
razão, os animais são treinados nos Estados Unidos
e enviados para o Brasil. Isso faz com que muitas pessoas não
consigam ter acesso a esse tipo de cachorro. O treinamento conta
com a participação de uma família voluntária
para acostumar o cão à convivência com situações
adversas - como lugares tranqüilos e movimentados - e começa
na oitava semana de vida do cão.
O adestramento
dura de um a dois anos. Durante este período o cão
é treinado para não fazer as necessidades fisiológicas
em qualquer lugar, a atravessar as ruas, desviar de obstáculos
e a obedecer às normas do deficiente. Todo o treino do cachorro
feito com a pessoa cega tem a orientação de três
semanas e é durante esse tempo que ocorre a adaptação
do cão com seu novo dono.
Os cachorros
treinados são das raças labrador, golden retriever
ou pastor alemão. No Brasil há poucas escolas de treinamento
e nenhuma delas é reconhecida pela Federação
Internacional de Escolas de Cães-Guia, entidade responsável
pelo treino e viabilidade de acesso das pessoas cegas aos cães.
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