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Déficit de profissionais é de 77 mil
Dados da DRT-SP
(Delegacia Regional do Trabalho) mostram que há 132 mil profissionais
com deficiência atuando no mercado de trabalho paulista. No
entanto, ainda há um déficit de 76.679 vagas.
- Déficit
de profissionais é de 77 mil
- Menos de 2% dos deficientes tem 12 ou mais anos de
estudo
- Infra-estrutura é obstáculo dentro
e fora das empresas
- Empresas estratificam deficiências
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Manual dos direitos da pessoa
com Deficiência Mental é lançado em São Paulo |
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52% das pessoas com deficiência
estão inativas no mercado |
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Cresce número de vagas para
pessoas com deficiência |
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ONGs mediam seleção de pessoas
com deficiência |
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Entidades recrutam portadores
de deficiência para vagas de trabalho |
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Oferta de vagas para portadores
de deficiência ainda é reduzida |
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Cão-guia tem entrada livre
em qualquer lugar |
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Déficit
de profissionais é de 77 mil
Deveria haver
132 mil profissionais com deficiência atuando no mercado de
trabalho paulista. As empresas, no entanto, têm hoje em seus
quadros funcionais 55.321 pessoas -ou seja, há um déficit
de 76.679 vagas para deficientes.
Se a tendência
que se desenha atualmente for mantida, contudo, os postos remanescentes
devem ser preenchidos cada vez mais rapidamente.
É o que
indicam dados da DRT-SP (Delegacia Regional do Trabalho). Um dos
termômetros desse aumento é o número de contratações
de maio a agosto deste ano -foram 8.277, o que demonstra um crescimento
de 17,6% no período.
A chefe de fiscalização
da DRT-SP, Lucíola Rodrigues Jaime, prevê que, computadas
todas as vagas criadas até o fim do ano, esse índice
seja ainda maior. Um dos motivos, além do acompanhamento
das empresas pelo órgão, é a criação
de pactos coletivos de trabalho. As empresas têm dois anos
para contratar a cota mínima. Os primeiros pactos vencem
ainda neste mês -o que, segundo Lucíola, deve fazer
aumentar o número de deficientes contratados pelas empresas.
O país
começa, aos poucos, a delinear as melhores formas de trabalhar
a inserção de pessoas com deficiência em seus
quadros -e há muito a ser feito.
A avaliação dos especialistas é a de que há
um progresso visível na inserção de deficientes
no campo profissional nos últimos dois anos. "Os avanços
são claros. Há um esforço das empresas e dos
órgãos oficiais para se mobilizar, só que,
às vezes, não vão todos na mesma direção",
aponta Ana Maria Barbosa, coordenadora da Rede Saci.
"É
importante dar valor ao que aconteceu, sem se fixar no que não
ocorreu", diz Ribas. "Hoje, por exemplo, é difícil
encontrar universitários com deficiência desempregados."
"A empresa
tem de se capacitar também", reforça Barbosa.
Além disso, lembra ela, aumentou muito o número de
matrículas de deficientes no ensino fundamental. "A
próxima geração vai conviver com a deficiência
de outra forma", prevê.
(Folha de
S. Paulo)
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Menos
de 2% dos deficientes tem 12 ou mais anos de estudo
Formada em psicologia
e cursando pós-graduação, Priscila Branca Neves,
25, trabalha na Serasa há um ano e meio, na área de
cidadania empresarial. É o segundo emprego dela, que, antes,
havia trabalhado por três meses em telemarketing.Neves é
uma exceção em meio ao perfil das pessoas com deficiência
no Brasil: dos 24,6 milhões de deficientes, 1,55% tem 12
anos de estudo ou mais -a maioria acima dos 60 anos.
Por isso inclusão
e aumento de qualificação profissional devem caminhar
de mãos dadas. Devido à falta de preparo dos deficientes,
a curto prazo, é pouco provável que as 518 mil vagas
que deveriam ser ocupadas por eles em médias e grandes firmas
sejam preenchidas.
"O mercado
tem uma grande dificuldade em encontrar [trabalhadores com deficiência].
As grandes empresas têm feito o possível para recrutar
pessoas que se encaixem em sua atividade-fim", diz o advogado
Sólon Cunha, do escritório Machado, Meyer, Sendacz
e Opice. "Oferta existe. Mas é difícil encontrar
pessoas qualificadas, ainda mais no interior", afirma.
Segundo levantamento
feito pela consultoria i-social com base no Censo 2000, do IBGE
(Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
hoje, a relação é de 2,3 vagas no mercado de
trabalho por pessoa com deficiência, se levados em conta dois
critérios de seleção: idade e escolaridade.
Nesse universo, eles formam, ao todo, cerca de 228 mil pessoas com
oito anos de estudo ou mais e idade entre 20 e 34 anos.
Para atender
a uma demanda muito maior do que a vista há dois anos, associações
e instituições privadas sem fins lucrativos assumem
parte da responsabilidade pela qualificação de deficientes
como forma de unir empresas e trabalhadores.
Na Laramara,
centro de referência na qualificação de pessoas
com deficiência visual, 433 dos 700 trabalhadores encaminhados
neste ano para entrevistas em companhias foram admitidos.
"O enfoque
dos nossos cursos é educacional. Eles vêm em busca
de softwares de voz e de aceitação. Às vezes,
é um profissional com muita habilidade para o mercado de
trabalho, mas sem autonomia [para se locomover]", diz Érica
Cristina Silva, da coordenação de cursos de capacitação.
Em média, relata, os alunos têm 30 anos, ensino médio
completo e experiência no currículo.
"Estamos
um tanto quanto longe de atingir a cota", aponta Daniel Battistini,
chefe de departamento pessoal da Accor. "Como a DRT atua hoje
mais fortemente, o deficiente ficou supervalorizado no mercado de
trabalho e há escassez de profissionais", salienta.
A forma encontrada
pela empresa para se adequar à lei foi tornar-se parceira
de ONGs em todos os Estados em que está presente. "No
começo do programa, há um ano e meio, inserimos deficientes
auditivos na cozinha, que era a experiência que tínhamos.
Hoje, temos profissionais com deficiência em diversas áreas",
destaca.
"Agora,
antes de abrir uma nova unidade, já pensamos na inclusão.
Ao menos estamos em um "filão" de mercado: conseguimos
contratar pessoas com menos qualificação."
(Folha de
S. Paulo)
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Infra-estrutura
é obstáculo dentro e fora das empresas
"Na cidade,
em geral, falta sinalização para deficientes visuais."
O responsável por testes de sistemas de informática
Juliano César Ribeiro, 24, que mora em Planaltina (cidade-
satélite de Brasília) e trabalha na Cast, empresa
de tecnologia localizada na capital federal, cita o exemplo da rodoviária,
ainda pouco acessível a cegos.
É por
lá, no entanto, que tem de passar quando segue para a companhia.
Há uma segunda opção de condução
-um ônibus intermunicipal que segue direto para a empresa-,
mas ele diz preferir a primeira, que exige que o profissional troque
de linha no terminal rodoviário, quando deseja chegar um
pouco mais cedo ao trabalho.
"A volta
é mais rápida", garante Ribeiro, que está
no primeiro semestre da graduação em informática.
Na empresa,
contudo, assegura não enfrentar dificuldade. Foram investidos
R$ 3.000 em um software para cegos e feitas adaptações
para garantir a acessibilidade do edifício.
Para a gerente
da divisão de reabilitação profissional da
Avape (Associação para Valorização e
Promoção de Excepcionais), Eliana Victor, além
de Brasília ou Planaltina, outras cidades precisam oferecer
mais infra-estrutura para deficientes. "Não há
transporte suficiente e semáforos adaptados", afirma
a gerente, referindo-se à capital paulista.
A gerente diz
conhecer casos de profissionais que tiveram de recusar o emprego
porque, mesmo a empresa sendo totalmente adaptada, a falta de acessibilidade
em locais públicos os impedia de chegar ao trabalho.
A falta de estrutura,
especialmente a logística, também é apontada
pelo diretor da Michael Page Marcelo de Lucca como uma das barreiras
que esses trabalhadores têm de superar no mercado. No ano
passado, a consultoria traçou um projeto de inclusão
com 820 deficientes -seus currículos foram encaminhados para
o departamento de RH de grandes companhias.
"Diziam
que a firma não estava arquitetonicamente capacitada",
diz, acrescentando que foram contratados menos de dez profissionais.
Sandra Perito,
presidente do Instituto Brasil Acessível, traça um
cenário positivo, mais inclusivo -mas a longo prazo. De acordo
com ela, a legislação determina que as novas construções
sigam alguns padrões de acessibilidade.
"É
mais rápido para o empresário fazer adaptações
do que para o Estado", opina ela, acrescentando que o processo
de inclusão de deficientes "é o início
de uma mudança cultural".
(Folha de
S. Paulo)
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Empresas
estratificam deficiências
Apesar dos números
crescentes, a inclusão de pessoas com deficiência nas
corporações ainda precisa exorcizar um fantasma criado
por elas mesmas: um preconceito velado, que se segmenta por grau
e tipo de deficiência e cria o grupo dos "excluídos
dentre os incluídos".
Prova disso
são os números que apontam o perfil das 55.321 pessoas
com deficiência contratadas nos últimos cinco anos:
42,6% delas são deficientes físicos, contra 3,6% de
deficientes mentais e 1% com deficiência múltipla.
"As empresas
buscam contratar pessoas com menor grau de deficiência -e
é a mental, ou intelectual, que é sempre discriminada.
O complicado é perceber que o mercado ainda faz essa seleção",
aponta Izabel Maior, coordenadora-geral da Corde (Coordenadoria
Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência), órgão ligado à Presidência
da República.
Para Izabel
Maior, um dos desafios das grandes empresas é permitir que
deficientes participem de todas as vagas ofertadas, e não
que se criem vagas específicas para deficientes.
"A questão
do posto de trabalho ainda é quase mítica por parte
dos recursos humanos, que acham que determinado tipo de deficiência
se encaixa em um tipo único de vaga. Mas isso não
é real", afirma.
(Folha de
S. Paulo)
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