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Qualificados, deficientes relatam dificuldades
Escassez de oportunidades e preconceito
são obstáculos relatados por pessoas com deficiência
que buscam trabalho. Mesmo no caso de profissionais qualificados,
ter diploma universitário ou curso superior em andamento
não reduz as dificuldades. Falta de acessibilidade, atribuição
de funções aquém das suas habilidades e desrespeito
são alguns dos problemas encontrados por profissionais ouvidos
pela Folha.
A
biblioteconomista Helena Maranhão, 27, que teve paralisia
cerebral e fala e se movimenta com dificuldade, diz ter sido isolada
do público em seu último emprego, em uma biblioteca
de São Paulo. Lá, onde trabalhou por três meses,
a carteira de trabalho registrava "auxiliar de serviços
gerais". Mesmo desempenhando uma função mais
qualificada - Maranhão fazia pesquisa para novas aquisições
-, a profissional conta que teve de ficar em uma sala fechada.
"Se
a empresa tivesse preparo, eu estaria no balcão, em contato
com os usuários." Moradora do Itaim Bibi (zona oeste),
Maranhão tem acesso a tratamento médico e a um acompanhante
para voltar para casa depois do serviço. Mas, na empresa
em que trabalhou e de que foi demitida por "não atender
às expectativas", ela não tinha acesso a um teclado
especial, o que agilizaria seu trabalho. Apesar de concorrer a vagas
reservadas a deficientes, a profissional recebe ligações
que mostram o despreparo de recrutadores. "Perguntam se estou
bêbada. Nunca pensam que é a minha voz normal",
diz.
Acesso
Fernanda Bucci, 25, cursou psicologia
até o segundo ano na Unip (Universidade Paulista). Moradora
de Perdizes (zona oeste), fala e se locomove com dificuldade, devido
à falta de oxigenação que sofreu no momento
do parto. A profissional ressalta que pode assumir muitas funções,
mas, para isso, precisa de um mínimo de acessibilidade. Ela
conta já ter ido a mais de 20 entrevistas de emprego desde
que saiu da empresa do pai, em 2007. Mesmo lá, sendo filha
do dono, conta que o preconceito era grande. "Tinha dificuldade
para que cumprissem as minhas ordens", afirma. Outros profissionais
relatam que, mesmo quando conseguem uma vaga, são alocados
em funções que estão aquém da sua qualificação.
A jornalista Leandra Migotto, 31, cadeirante,
diz que foi "subaproveitada" na emissora de TV em que
trabalhou. "Colocaram-me no telemarketing, não me deram
chance", relata. Já o estudante maranhense Alex Pereira,
33, desistiu de procurar emprego na iniciativa privada, depois de
ter sofrido gozações em um trabalho. Ele pretende
terminar a faculdade de jornalismo e prestar um concurso público.
(Folha de S.Paulo)
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