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Pessoas com deficiência brigam por pódios
Começaram
ontem (18/09), no Rio, as provas dos Jogos Mundiais em Cadeiras
de Rodas e Amputados, pela primeira vez realizado numa cidade das
Américas.
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Pessoas com deficiência brigam por pódios
Começaram
ontem (18/09), no Rio, as provas dos Jogos Mundiais em Cadeiras
de Rodas e Amputados, pela primeira vez realizado numa cidade das
Américas. A Escola Naval e o Complexo Esportivo Miécimo
Silva, em Campo Grande, onde a competição está
sendo realizada, ficaram movimentados com os quase mil atletas de
48 países que treinavam e competiam, cada um com sua história
de superação.
“A América
do Sul tem um grande potencial para o esporte paraolímpico.
Por isso, a gente resolveu fazer os jogos este ano aqui no Rio,
até porque a cidade está abraçando o esporte
de uma forma geral, já que em 2007 vai receber os Jogos Pan-Americanos”
disse o presidente da Federação Internacional de Esportes
para Amputados e Cadeiras de Rodas, Paul De Pece.
Na Escola Naval, os atletas viviam um misto de harmonia e expectativa
para o início das principais provas, como atletismo e natação,
que começam ao longo desta semana. Os 21 integrantes da equipe
brasileira de natação não se deixaram abalar
pela polêmica envolvendo o nadador Clodoaldo Silva, que, mesmo
com 11 medalhas paraolímpicas, ficou de fora porque sua deficiência
física é seqüela de uma paralisia cerebral. Segundo
a Associação Brasileira de Desporto em Cadeiras de
Rodas (Abradecar), organizadora dos Jogos, nenhum atleta com este
perfil pode ser inscrito neste evento.
“Claro
que Clodoaldo faz falta. Mas a gente já sabia que ele não
estaria no time” disse o treinador Rodrigo Vilar.
“Mas se
outra seleção trouxer atletas com paralisia cerebral
a gente protesta” afirmou o nadador Moisés Batista.
Segundo Paul
De Pece, o regulamento da competição não exclui
paralisados cerebrais. Mas o presidente da Abradecar, Ciraldo Reis,
explicou a razão pela qual o potiguar ficou de fora.
“Se eu
permitisse o Clodoaldo, teria que liberar os outros atletas com
o mesmo perfil e com índices para participar. E, para isso,
teria que montar toda uma estrutura de neurocirurgiões para
dividir os paralisados cerebrais em equipes. Por isso, existe um
mundial só para atletas deste tipo” disse ele.
A equipe de
natação treinou o dia todo. Entre os atletas, um dos
mais empolgados era o paulista Rafael Ferraz, de 22 anos, convocado
pela primeira vez. O nadador perdeu a perna esquerda aos 10 anos,
quando surfava num trem no interior de São Paulo. Sua história
é uma lição sobre como transpor obstáculos.
“Caí
quando surfava num trem, que acabou passando sobre a minha perna.
Eu andava com más companhias. Os caras tinham 18 anos e até
responderam a processo”, lembra ele. “Comecei a treinar
em 2000 e há muito tempo espero a convocação.
Quero ir para as Paraolimpíadas de Pequim (2008)” conta.
As provas de
natação só começarão quinta-feira
(22/09). A primeira medalha de ouro dos Jogos foi para o coreano
Tae-Ho Han, que venceu a prova de tiro na categoria carabina.
“Vencer
aqui me deixou mais feliz do que ganhar o ouro em Atlanta (nos jogos
de 1996). Essa cidade é muito bonita”, afirmou o atirador.
As provas de
tiro com arco também começaram ontem, com a participação
de Paulo Emílio, um dos grandes nomes deste esporte no Brasil.
As finais acontecem amanhã.
No ginásio
da Escola Naval, os treinos das seleções de rúgbi
eram a atração. Os atletas faziam uma grande algazarra,
com gritos de guerra e disputadas acirradas pela bola.
(O Globo
– 19/09/05)
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