Goiás tem trilha ecológica para cegos

Karina Costa

As pessoas com deficiência visual agora podem ter um contato mais próximo com a natureza. Foi criada uma trilha ecológica para cegos em plena Chapada dos Veadeiros (GO). O objetivo é promover a inclusão, ensinar sobre conservação do meio ambiente, além de possibilitar acesso às belezas naturais por meio do ecoturismo.

Em 880 metros de trilha, corrimãos, cabos-guia e placas em braile orientam e informam os visitantes que se aventuram até a cachoeira do rio Tocantinzinho. Durante o percurso, é possível conhecer cerca de 120 espécies de árvores e ter contato com diversas formações do cerrado como mangue, cerrado rupestre e áreas abertas.

As limitações da deficiência visual não atrapalham em nada os visitantes. O olfato, o tato e a audição são sentidos suficientes para que identifiquem odores e aromas de plantas e vegetais, o ar, a fauna, as rochas, minerais e toda a natureza em volta. A trilha dá acesso a pousadas, restaurantes, rios, mata, rochas e cachoeiras próprias para banho. Com um pouco mais de limitação, a trilha possibilita também que cadeirantes façam o percurso.

“Todos que participam se mostram surpresos e emocionados ao manterem contato com a natureza. Conseguem apreciar coisas interessantes que, para quem enxerga, muitas vezes passa despercebido como o cheiro das árvores, a textura das plantas e rochas além do barulho da cachoeira,” conta o coordenador da implantação da área Adolpho Kesselring, da organização não-governamental Fundação Pró-Natureza (Funatura).

Por não ser um lugar voltado somente a pessoas com deficiência, o coordenador conta que a trilha acabou quebrando alguns paradigmas e possibilitando uma rede de pessoas interagindo. “Foi importante para mostrarmos que, apesar da deficiência, essas pessoas não querem a pena de ninguém. O projeto possibilitou a interação dos deficientes com pessoas que muitas vezes os rejeitavam por não saberem como lidar com a situação,” acredita Kesselring.

Em uma das atividades, em que caminham pela mata do cerrado, os papéis são invertidos: os deficientes visuais tornam-se os guias dos monitores da trilha, que se mantém de olhos vendados. Nesse momento, segundo o coordenador, é possível perceber a capacidade e a força de vontade dos deficientes. “Ainda por cima, dão uma lição de vida na gente ao toparem o desafio de percorrer a trilha toda. Em troca, ganham uma estadia na pousada,” revela.

O coordenador acredita que falta acesso para pessoas com deficiência a atividades de lazer. “Há atividades só que em lugares cimentados, com tablados, totalmente distantes do contato com a natureza,” critica Kesselring. “O projeto quer mostrar também que cada um pode realizar novos projetos sem agredir a natureza como a trilha na Chapada dos Veadeiros. Há áreas de reserva legal como bosques e parques em que é possível fazer esse tipo de trabalho,” sugere.

   
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