| |
CRECI fará concurso para pessoas com deficiência intelectual
Uma iniciativa inédita no setor de concursos
públicos foi firmada na última semana pelo Conselho
Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São
Paulo – Creci/SP. Em parceria com o Instituto Olga Kos de
Inclusão Cultural, a autarquia realizará a primeira
seleção pública voltada exclusivamente a portadores
de necessidades intelectuais – que abrange transtornos como
a Síndrome de Down e o Autismo, entre outros.
É importante lembrar que a reserva obrigatória de
vagas que existe nos concursos atualmente até contempla portadores
de deficiência mental, mas, na prática, estes devem
obedecer aos mesmos requisitos quanto ao nível de escolaridade
dos outros candidatos, o que acaba restringindo a participação
daqueles com limitações intelectuais mais acentuadas.
Já nesta seleção, não haverá
exigência de escolaridade; os candidatos apenas deverão
ser maiores de 18 anos. “Queremos deixar os requisitos bastante
amplos para que um grande número de pessoas participe”,
afirmou o Presidente do Creci/SP, José Augusto Viana Neto,
que assinou, na última quinta-feira, o acordo com o Instituto
para a realização do processo, quando foi concedida
entrevista ao JC&E.
Pioneirismo
A idéia inédita partiu dos dirigentes do Olga Kos,
que é especializado na capacitação de deficientes
intelectuais através de atividades artísticas e já
realiza monitoramento na inclusão desse público em
empresas privadas. “Esta ação faz parte do Programa
de Inclusão no Mercado de Trabalho, que o Instituto vem realizando
para incentivar a contratação de pessoas com deficiência
intelectual, que têm grande potencial e capacidade de atuação
em diversas áreas corporativas”, afirmou o fundador
e presidente do Instituto, Wolf Vel Kos Trambuch. “O portador
de deficiência não precisa da nossa pena, mas sim de
oportunidades. Assim, a sociedade verá quão bons eles
podem ser”.
A proposta foi muito bem recebida pelo Creci, que procurou o Ministério
Público Federal do Trabalho para saber se seria possível
a realização do concurso. “Levamos a questão
ao MPT e eles não se opuseram, apenas informaram que a seleção
teria obrigatoriamente que ser pública”, explicou Viana.
O presidente demonstrou estar muito satisfeito com a iniciativa
e espera que a ação gere bons frutos. "Muito
mais do que cumprir a lei, estamos participando efetivamente desse
processo de inclusão social e dando também a oportunidade
aos nossos colaboradores de conviverem em um ambiente de trabalho
onde a tônica seja o respeito às diferenças".
Vagas
O Creci abrirá vagas na área de atendimento ao cliente,
sendo que o nome técnico do cargo é Profissional de
Suporte Administrativo – PSA. Inicialmente, serão ofertadas
quatro vagas, mas, como este é um projeto-piloto, novas oportunidades
poderão surgir futuramente. O salário e a carga horária
serão divulgados em breve. Os novos Profissionais de Suporte
Administrativo atuarão na sede do Creci, na capital paulista.
O presidente do Conselho espera que esta iniciativa seja um exemplo
para outros órgãos públicos. “Espero
que este seja o primeiro passo para muitas ações do
gênero, pois muitas pessoas que têm condições
efetivas de colaborar ainda estão excluídas”.
Viana também comentou que, agora, no Creci, “todos
receberão um atendimento realmente especial”.
Público alvo
Pela primeira vez, todos aqueles que têm alguma deficiência
intelectual, a qual será comprovada posteriormente, poderão
concorrer. Não serão impostas muitas exigências
exatamente para que o maior número de pessoas possa participar.
Inscrições
O edital já está em fase de elaboração
e deverá ser publicado na primeira quinzena de novembro,
no Diário Oficial do Estado de São Paulo, como de
praxe, e nos sites do Creci/SP (www.crecisp.gov.br)
e do Instituto Olga Kos (www.institutoolgakos.org.br).
As inscrições serão gratuitas, custeadas pelo
próprio Instituto, que é uma Oscip – Organização
da Sociedade Civil de Interesse Público.
Avaliação
O Instituto Olga Kos, através de uma equipe multidisciplinar,
já realiza assessoramento na inclusão de deficientes
intelectuais na iniciativa privada e será responsável,
agora, por elaborar o edital e a avaliação dos candidatos.
“Haverá prova objetiva, como nos concursos habituais.
A diferença será no conteúdo das questões,
que estará mais simplificado, com enunciados menores e mais
objetivos”, informou Sonia Casarin, uma das psicólogas
do Instituto. As disciplinas constantes do exame serão as
mesmas da maioria das seleções: Língua Portuguesa,
Matemática, Conhecimentos Gerais e Noções de
Informática. Porém, terão o conteúdo
adaptado à Educação Especial.
O certame será realizado nas dependências do próprio
Creci. Após a realização do teste, haverá
uma perícia médica para avaliar se a deficiência
é compatível com as atribuições do cargo.
Assim como ocorre nos concursos com a reserva de vagas tradicional,
os candidatos deverão informar o código da Classificação
Internacional de Doenças - CID-10.
Futuro
Ambos os presidentes acreditam que este seja um grande passo para
que outros órgãos – e mesmo a sociedade –
se conscientizem da importância da inclusão desse público
que, atualmente, é excluído das leis de cotas tanto
na iniciativa privada quanto no funcionalismo público. “É
muito mais fácil para as empresas adaptarem uma porta ou
uma mesa do que mudarem o comportamento das pessoas”, disse
Kos, em relação às atuais leis de inclusão
que contemplam apenas deficientes físicos. Viana também
disse estar contente e espera que a convivência com os novos
funcionários traga crescimento pessoal também para
os atuais servidores, uma vez que todos terão de se adaptar
e auxiliar os novos membros. E ressaltou a importância de
se dar uma oportunidade de trabalho àqueles que querem mostrar
que são capazes de exercer uma atividade profissional: “o
ser humano só se completa quando se sente útil. O
trabalho irá trazer aos deficientes, além de uma nova
experiência, a liberdade de se sentirem capazes”.
(JC Concursos)
|
|
Convenção sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência indica mudança de paradigma |
|
|
Empresas procuram deficientes
para cumprir leis de cotas |
|
|
SP cria secretaria para deficientes |
|
|
Nome de deficiente não entra
em classificação geral de concurso, diz STJ |
|
|
ONG especializa-se em inclusão
de deficientes |
|
|
Longe das multas, empresas
cumprem melhor as cotas |
|
|
Mercado e governo avançam
na inclusão de profissionais |
|
|
Longe das multas, empresas
cumprem melhor as cotas |
|
|
Curso capacita empresas na
inclusão de pessoas com deficiência |
|
|
Net Serviços tem 27 vagas
para pessoas com deficiência |
|
|
Cresce número de pessoas
com deficiência no mercado de trabalho |
|
|
Ações para deficientes terão
R$ 2 bi |
|
|
Senado não cumpre a cota
de profissionais com deficiência |
|
|