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Manual orienta jornalistas a escrever sobre deficiência
A Escola da
Gente – Comunicação em Inclusão lançou
no último dia 15 um manual bilíngüe (português
e espanhol) voltado para profissionais de comunicação.
A publicação pretende orientar jornalistas e melhorar
a cobertura na mídia sobre o tema deficiência e inclusão.
Leia
mais.
Manual ensina respeito ao deficiente
A mídia
costuma tratar os portadores de deficiências como coitadinhos
ou então como heróis. Não existe uma terceira
via de abordagem. Leitora assídua de livros, jornais e revistas,
a recém-formada Márcia Corrêa saiu da faculdade
de Comunicação, onde graduou-se em Publicidade e relações
públicas, disposta a usar seu diploma para legislar em causa
própria.
“A imprensa
precisa aprender a olhar os deficientes sem preconceito”,
critica essa carioca de 27 anos. Ela nasceu com hidrocefalia e,
por conta da doença, desenvolveu um tipo de deficiência
física chamada de paraparesia – que é a perda
da força muscular. Colocar um ponto final nessa visão
equivocada é uma das tentativas do Manual sobre Desenvolvimento
Inclusivo para Mídia e Profissionais de Comunicação,
lançado no último dia 15, no Rio de Janeiro.
Márcia
é uma entre 24 milhões de brasileiros que, segundo
o Censo de 2000 do IBGE, são portadores de deficiência.
É um número bastante expressivo, mas que passa longe
dos projetos de políticas públicas. Não há
previsão de recursos no orçamento desses projetos
para garantir aos jovens com deficiência direitos humanos
fundamentais como o de ir e vir e o de se comunicar”, contextualiza
Claudia Werneck, presidente da Escola da Gente – Comunicação
em Inclusão. A entidade foi responsável pela elaboração
do manual, que foi patrocinado pelo Banco Mundial (Bird), a Petrobras
e a organização não governamental (ONG) Save
The Children Suécia.
Não bastasse
a invisibilidade, a situação dos deficientes é
ainda mais grave quando se constata uma relação intrínseca
com a pobreza. Segundo a Organização das Nações
Unidas (ONU), 82% das pessoas com deficiência no mundo vivem
abaixo da linha da pobreza. São 600 milhões de pessoas
com algum tipo de deficiência, das quais 400 milhões
nos países em desenvolvimento.
Fazer essa ponte
entre pobreza e deficiência é um dos principais objetivos
do manual, que foi lançado em português e espanhol,
nas versões digital e também em braile. Na luta por
um desenvolvimento inclusivo na América Latina, a Escola
de Gente contou com a adesão de cinco parceiros: a Ashoka
Empreendedores Sociais, a Rede Andi América Latina, a Secretaria
Especial de Direitos Humanos e o Fundo das Nações
Unidas para Infância (Unicef).
O número
de pessoas portadoras de deficiência deverá aumentar
em 120% nos países em desenvolvimento contra 40% nos países
desenvolvidos, nos próximos 30 anos. Se as previsões
do European Disability Fórum se constatarem, não há
chance de as Metas do Milênio serem atingidas. Assumidas por
191 líderes mundiais, esse documento é um esforço
coletivo para garantir, até 2015, a redução
pela metade da porcentagem de pessoas que vivem na extrema pobreza
e fornecer água potável e educação a
todos.
(Valor –
20/07/05)
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