Projeto investe em esporte para integrar jovens com deficiência

Rodrigo Zavala

Não são poucas as iniciativas que trabalham o esporte como forma de integrar jovens socialmente, sejam eles com deficiência ou não. No entanto, uma experiência que tem acertado de forma simples é a realizada pela Universidade Metodista de São Paulo.

Na instituição existe uma troca: enquanto crianças e adolescentes com deficiência física, visual e mental praticam esportes, os estudantes de educação física e fisioterapia aprendem a se relacionar com esses pacientes. “É uma troca intensa e constante, onde todos ganham”, afirma o professor Domingos Belasco Júnior, coordenador da iniciativa

Criado no ano passado, o Projeto Vida é a base de um programa de extensão da universidade. Segundo Belasco, o objetivo é desenvolver um centro de excelência na formação de profissionais para trabalhar com pessoas com deficiência. Assim, é natural a integração desse público no meio acadêmico.

Os mais de 60 participantes podem escolher entre natação, basquete, handebol, e, mais recentemente, capoeira e judô. Há uma expectativa que, ainda neste semestre, eles possam ter aulas de hipismo. É a partir dessas práticas que o projeto espera melhorar qualidade de vida desses jovens, além de estimular sua auto-estima, melhorar o condicionamento físico e diminuir os casos de depressão nessa população.

“Para os estudantes é um vantajoso campo de estágio, já que se trata de um trabalho interdisciplinar envolvendo fisioterapia, educação física e psicologia. Para as crianças é importante pois entram em contato com um ambiente de saúde, em que estimulamos sua eficiência, sem o estigma de deficiente. O esporte é o pano de fundo”, explica o coordenador.

Um ponto fundamental para o sucesso do programa é a participação voluntária dos estudantes universitários. Para cada uma das crianças e adolescentes existe um responsável pelos exercícios. “São os primeiros contatos desses futuros profissionais com esse público, quando desconstroem tabus. O estudante perde a sensação que existem impeditivos para o trabalho. Aprendem que as diferenças são apenas físicas, mas os vínculos são os mesmos que qualquer outra criança”, acredita.

Os deficientes físicos e visuais que já sabem nadar podem fazer aulas de aprimoramento e treinamento duas vezes por semana. “Os esportes que nós investimos são os clássicos das ParaOlimpíadas”.

No entanto, um dos grandes entraves para o sucesso do projeto, segundo o coordenador, não está na proposta ou nas dificuldades de atender crianças e adolescentes com deficiência. O maior empecilho ainda é o transporte. “Ainda não temos parcerias para buscá-los em casa e o transporte público é ineficiente”, critica.

Os interessados em participar do projeto como atleta, voluntário, apoiador ou patrocinador podem entrar em contato pelos telefones (0xx11) 4366-5531.

   
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