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Mais da metade das empresas descumpre lei
Embora sejam
obrigadas por lei, apenas 49,6% das empresas privadas de São
Paulo, com cem ou mais funcionários, contratam pessoas com
deficiência, segundo dados da Delegacia Regional do Trabalho
de São Paulo.
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mais:
Mais da metade das empresas descumpre lei
Dados da DRT-SP
mostram que, embora sejam obrigadas por lei, apenas 49,6% das empresas
privadas de São Paulo com cem ou mais funcionários
contratam deficientes. Atualmente, 30.278 deles estão empregados
em todo o Estado. Outros 101.953 poderiam estar em postos, caso
todas as 7.453 empresas seguissem a lei federal nº 8.213, de
91, que criou cotas de 2% a 5% de suas vagas a portadores de deficiência
ou profissionais reabilitados.
Até o
mês passado, a DRT-SP autuou 136 empresas que estavam em desacordo
com a lei. Elas terão de pagar multa de R$ 1.101,75 por cada
deficiente não empregado. Caso não resolvam a situação
num prazo de dois meses, serão multadas novamente.
Segundo o Censo
2000 do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), no Estado de São Paulo há 4,2
milhões de pessoas com alguma deficiência. Na capital,
são mais de 1 milhão.
No país,
das 24,6 milhões de pessoas (14,5% da população)
que apresentam algum tipo de incapacidade ou deficiência,
apenas nove milhões estão ocupadas.
Para a chefe de fiscalização da DRT-SP, Lucíola
Rodrigues, o principal motivo da não disponibilidade de vagas
é a discriminação dos empresários.
De acordo com
a diretora do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp,
Eliane Belfort, muitas vezes as empresas têm dificuldade de
encontrar deficientes capacitados para preencher a cota e temem
perder competitividade frente à concorrência. "Tem
de empregar com qualidade, com eficiência. Ele não
deve ser olhado como o coitadinho."
A falta de oportunidade
no mercado de trabalho faz com que muitos deficientes desistam até
de tentar emprego, como mostra uma pesquisa feita com 233 portadores
de deficiência na capital. O levantamento constatou que 82%
dos desempregados não procuravam mais uma ocupação.
A pesquisa,
feita pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade
da cidade de São Paulo, em 2004, durante a gestão
da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), mostra ainda que, de todos os
entrevistados, 88,7% declararam estar sem emprego.
O coordenador
da pesquisa, Marcos Paulo de Oliveira, afirma que o percentual reflete
o desalento dos deficientes diante de um mercado com opções
reduzidas. Para 86,3% dos entrevistados, o preconceito é
o maior entrave na busca por um emprego.
Com baixo nível
educacional e socioeconômico, 33,5% só cursaram até
a 4ª série do ensino fundamental. Outros 29,2% chegaram
até a 8ª série. Entre os que estavam empregados,
a maioria exercia atividades de pouca remuneração,
como serviços gerais e domésticos. Cerca de 96,4%
deles eram usuários da saúde pública e 85%
se locomoviam de ônibus.
Em âmbito
nacional, a situação educacional dos deficientes não
muda muito. Do total da população sem instrução
ou com menos de três anos de estudo, 32,9% são portadores
de deficiência.
(Folha de
S. Paulo - 19/09/05)
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