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Portadora de deficiência física é passista da
rosas de ouro
Natália Castro
(12), paciente da AACD (Associação de Assistência
à Criança Deficiente) desde os seis meses, realiza
este ano o sonho de desfilar na escola de samba "Rosas de Ouro",
em São Paulo. Natália faz parte da Ala Mirim da agremiação,
que deverá apresentar-se dia Carnaval próximo, sexta-feira,
às 23h50, no Sambódromo do Anhembi (av. Olavo Fontoura,
1.209 , Parque Anhembi – Santana).
Portadora de má-formação
congênita, Natália desenvolveu a paixão pelo
samba ainda criança, com apenas três anos. “Meus
tios colocavam discos de samba e nós ficávamos vendo
eles dançarem. A partir daí me interessei e aprendi
a sambar", conta.
“Fã da Rosas
de Ouro desde que me conheço por gente, meu maior sonho sempre
foi desfilar pela escola no carnaval”. Há dois anos,
o sonho ficou mais viável, quando uma amiga lhe contou que
iria desfilar. “Pedi para ir também, mas ela disse
que já estava muito em cima da hora”.
Depois de chorar pedindo
para desfilar “no chão”, e não como destaque
em um dos carros alegóricos – proposta inicial da escola,
Natália conta com empolgação que, agora, é
passista da Ala Mirim. “Quando soube que sairia no chão
fiquei super feliz. Era isso que eu queria: ficar sambando e não
parar um minuto. Fiquei feliz ao saber que a ala em que estou é
pra sambar mesmo, levar a sério, ir aos ensaios, ter força
de vontade para não parar mesmo um minuto".
Para Natália,
a capoeira que pratica como uma das terapias de tratamento na AACD
foi uma grande aliada no incentivo para o samba e condicionamento
para o carnaval. “No final de toda apresentação
de capoeira na AACD tem roda de samba. Isto nos estimula a desenvolver
a dança e, quanto mais nos envolvemos, mais aprendemos”.
A AACD foi pioneira na
implementação da capoeira como auxílio para
a reabilitação de crianças, adolescentes e
adultos portadores de deficiência física. Hoje, mais
de três anos depois de implantada, a atividade demonstra resultados
satisfatórios, além de ser uma grande brincadeira.
Para a coordenadora do
setor, Edna Garcez, "hoje notamos os benefícios da prática
do esporte com nossas crianças, que já desenvolveram
melhor equilíbrio, desenvolvimento mental, disciplina e sociabilização",
diz. Essa aquisição de habilidades é observada
não só durante os treinos, mas também nas atividades
diárias dos pacientes. Edna garante que "muitos pacientes,
independentemente da idade ou da patologia, podem participar; inclusive
pacientes em cadeira de rodas". No final da apresentação
os pacientes formam uma "roda de samba", onde mostram
todo seu gingado.
A capoeira não
só ajudou Natália a desenvolver o samba e resistência
como está diretamente relacionada com o tema escolhido para
o Carnaval 2006 pela Rosas de Ouro (A Diáspora Africana -
Um crime contra a humanidade). A pequena passista conta que aprendeu
muito com o tema e considera o tema importante de ser abordado.
“Acho importante falar sobre a cultura negra e o que eles
enfrentaram ao serem trazidos como escravos para o Brasil; contar
sua história até os dias de hoje sem esquecer de mencionar
todos os tipos de preconceitos e dificuldades que ainda enfrentam”,
explica.
Com frio na barriga pela
hora de desfilar que se aproxima, a Natália torce para que
a escola ganhe e garante “Se este ano não levar o título
para a Rosas de Ouro, ano que vem eu levo. Com certeza”.
(Comunique-se –
24/02/06)
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