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SP cria secretaria para deficientes
São Paulo é
uma cidade mais acessível que Atibaia, no interior. Quem
afirma é o ex-eletricitário Donizetti Fernandes Batista,
de 45 anos, dois braços e a perna direita amputados. O estudante
Michel Souza Lima, de 19, diz perder o triplo do tempo se locomovendo
com sua cadeira de rodas na capital em comparação
com São Bernardo do Campo. Márcia Paes Gori, presidente
do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência,
mora em São José do Rio Preto. Ela vê problemas
nos dois municípios e em muitos outros do Estado.
É dura a vida
de quem depende de ônibus com rampas especiais, calçadas
adaptadas ou simples acesso a prédios. Municípios
costumam fugir da responsabilidade. Esse será um dos maiores
desafios da médica Linamara Rizzo Battistella, escolhida
para chefiar a Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Médica fisiatra e diretora da Divisão de Medicina
de Reabilitação do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP, ela tem lutado para tornar reais políticas
públicas para a pessoa com deficiência. “A garantia
do acesso é dar aos diferentes o que necessitam para que
tenham condições de igualdade”, diz. “A
secretaria vai ter de zelar para que Estados e municípios
estabeleçam metas e incluam questões como o trabalho.”
Leis como as de cotas,
que obrigam empresas a ter nos quadros de 2% a 5% de deficientes,
serviram de estímulo para levar os deficientes às
ruas. Mas ainda falta capacitação profissional. “É
óbvio que está faltando tudo, porque faz muito pouco
tempo que a sociedade atentou para essa questão”, diz
Carlos Eduardo Ferrari, da Associação para Valorização
de Excepcionais.
A nova secretaria cria
43 cargos. Entidades ligadas aos portadores de deficiência
elogiam o fato de ela ter incluído a palavra “direitos”.
Terá, assim, mais condições de cobrar ações
de prefeituras, secretarias e sociedade civil. A presidente do Conselho
Estadual para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência,
Márcia Paes Gori, comemora a criação da secretaria
por um motivo especial. O governador José Serra pediu às
entidades que participassem da elaboração da pasta
e apontassem os erros no órgão que ele criou, em 2005,
quando prefeito. A falta de participação do conselho
municipal foi a principal crítica.
“A secretaria municipal
perdeu diálogo com a sociedade civil, enfraqueceu o conselho
municipal e muitas políticas que a Prefeitura pôs em
prática vieram das idéias desse conselho”, critica
Márcia. Segundo ela, a reformulação das calçadas
na capital, foi feita de cima para baixo, sem envolver a cidade.
Em São Paulo,
a Prefeitura cuida do programa de novas calçadas. É
uma política pública reconhecida, mas ainda atinge
uma parcela ínfima da cidade. No ano passado, chegou a 160
quilômetros. “A gente começa numa calçada
nova, com boa metragem, e logo já vem a antiga, cheia de
problemas”, protesta Souza Lima. Ele perdeu os movimentos
da perna num acidente de carro. Hoje recupera a auto-estima fazendo
o que pode, como treinando tênis de mesa. Mas para se locomover,
precisa disputar espaço com os veículos. “Falta
muito para dizer que a cidade é acessível.”
O secretário municipal
Renato Corrêa Baena afirma que ao assumir a pasta encontrou
um conselho municipal “desatualizado, com problemas de representatividade”.
Como solução, vai enviar projeto de lei reformulando
o conselho, não com pessoas, mas entidades. Segundo Baena,
a solução foi buscar políticas públicas
elaboradas por uma consultoria contratada pela gestão Marta
Suplicy e colocá-las em prática. Daí vieram,
por exemplo, a idéia dos ônibus com elevadores. Mas
eles ainda levam mais de meia hora para chegar.
Locais acessíveis
ganharão selo
A Secretaria Especial
da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura
oferece a engenheiros e arquitetos livro e programa de computador
para quem quer construir atendendo às regras de acessibilidade.
Em junho, a secretaria vai criar o selo de acessibilidade. Shoppings,
casas de espetáculo, cartórios, bancos, comércios,
restaurantes, todos que construírem com padrões mínimos
de acesso ganham a certificação. “Em dez anos,
a pessoa com deficiência em São Paulo terá condição
equiparada à dos melhores exemplos do mundo”, promete
o secretário municipal Renato Corrêa Baena.
Mas a menina dos olhos
da atual gestão são as novas calçadas, que
têm orçamento superior a R$ 100 milhões. O plano
prevê construir caminhos de acessibilidade, que ligaria núcleos
espalhados pelas 31 subprefeituras da cidade. O projeto do calçamento
levou um ano para ser criado, mas permitiu à Prefeitura criar
um know-how.
(O Estado
de S.Paulo)
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