52% das pessoas com deficiência estão inativas no mercado

Cássia Gisele Ribeiro

Estudo realizado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), que traçou o perfil da população com deficiência no Brasil, mostra que 52% das pessoas com deficiência no país ainda estão inativas no mercado de trabalho. A pesquisa mostrou também que apenas 12,4% da população brasileira com deficiência possuem registro em carteira.

“Esse fato pode ser reflexo das dificuldades que pessoas com alguns tipos de deficiência encontram para a vida produtiva. Isso faz com que elas se sintam desencorajadas ao procurar uma vaga no mercado”, afirma Andrea Scharwz, coordenadora geral da pesquisa. A Lei de Cotas (8213/91), que determina a obrigatoriedade de uma porcentagem de pessoas com deficiência nas empresas, segundo ela, tem contribuído para a empregabilidade desse público.

Outro resultado que mostra a significativa influência da Lei de Cotas é o aumento expressivo do número de pessoas com deficiência no mercado. Em cinco anos, o número de pessoas empregadas no estado de São Paulo saltou de 601 para 36 mil, o que representa um aumento de quase 5.000%. O desemprego também está atingindo mais a população sem deficiência (7%) do que a com deficiência (6,2%).

“O cenário, apesar de otimista, ainda não é suficiente para reverter o quadro problemático detectado nessa análise”, afirma Scharwz. A situação dos profissionais com deficiência ainda é bastante desfavorável, visto que 40,1% da população recebe um salário mínimo ou menos. Quando consideramos aqueles que recebem até dois salários mínimos, o número sobe para 64,6%.

A pesquisa aponta quatro fatores que levaram a esse quadro. O primeiro deles é a falta de qualificação dessa população, que acaba exercendo funções que não remuneram bem. A falta de empresas em condições de acessibilidade favoráveis, o número elevado de aposentados e inativos, além de questões culturais são as que mais contribuem para esse resultado. Segundo os dados, 22,9% dos profissionais com deficiência trabalham na área administrativa. Seguidos por ajudante geral, autônomo e professor.

“O novo desafio é tornar essas empresas mais acessíveis para o profissional”, afirma a coordenadora. Os profissionais entrevistados durante a pesquisa afirmam que a principal barreira para a entrada no mercado de trabalho não é a falta de ofertas, mas as questões de acessibilidade. Os profissionais com deficiência auditiva classificaram o isolamento e falta de comunicação a principal barreira, já os com deficiência física e visual classificaram as barreiras arquitetônicas e tecnológicas como principal dificuldade.

O balanço dos números resultantes da Lei de Cotas, no entanto, é positivo. O estudo mostrou, em números aproximados, a quantidade de vagas abertas para pessoas com deficiência desde 2001. Cerca de 1,055 milhão de vagas foram criadas pela política de cotas em empresas com mais de 100 mil funcionários e 537 mil pessoas foram contratadas em todo o Brasil.

   


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