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Qualificação é o maior desafio de profissionais
com deficiência
Cassia Gisele Ribeiro
A
Lei nº 8.213, que estabelece uma cota de profissionais com
deficiência nas empresas, completa 16 anos nessa terça-feira
(24/07). Criada em 1991 e regulamentada em 1999, a lei tem contribuído
para um aumento expressivo nas contratações de pessoas
com deficiência no país. Para os especialistas da área,
no entanto, o próximo desafio é qualificar efetivamente
esse público para o mercado.
“A maior queixa
das empresas é que o profissional com deficiência ainda
passa por pouca formação antes de chegar ao mercado
de trabalho”, afirma o consultor em inclusão do Instituto
Paradigma Danilo Namo.
De acordo com dados do
Ministério do Trabalho, apresentados em encontro realizado
hoje em São Paulo, nos últimos sete anos 64.177 pessoas
com deficiência foram contratadas no país. Segundo
Namo, se num primeiro momento o grande objetivo era a inserção
desse público nas empresas, agora, a qualificação
é a prioridade.
“Mais do que a
formação técnica dos profissionais, é
importante trabalharmos com as questões comportamentais e
as especificidades do mundo do trabalho”, afirma o consultor.
“Na maioria das vezes, os profissionais chegam à empresa
reproduzindo os preconceitos sociais. Isso acaba os colocando numa
posição de ajuda e não na mesma condição
de qualquer outro profissional que precisa investir em sua carreira”,
diz.
No entanto, para a presidente
do Instituto Paradigma, Luiza Russo, a sociedade ainda precisa caminhar
muito no que diz respeito à inclusão. “Incluir
no mercado foi um passo. O próximo é que as pessoas
com deficiência tenham condições de acessibilidade
e consigam alcançar o ensino básico e a universidade,
que hoje são inacessíveis”, diz. “Isso
inclui acessibilidade urbana, transporte e também acessibilidade
aos próprios ambientes educacionais”, completa.
Para o secretário
do Trabalho da cidade de São Paulo, Geraldo Vinholi, uma
das principais dificuldades do projeto Inclusão Eficiente,
desenvolvido pela prefeitura, é encontrar pessoas que estejam
dispostas a participar dos programas de qualificação.
“Há uma barreira cultural e familiar que faz com que
muitos sujeitos com deficiência ainda não vejam o mercado
como seu lugar”, explica.
Outra questão
levantada pelos especialistas é a diferença existente
entre a quantidade de pessoas e suas deficiências. Atualmente,
os deficientes físicos e auditivos são os mais contratados
pelas empresas. Entretanto, os dados da prefeitura de São
Paulo e do próprio Instituto Paradigma mostram que a demanda
maior de profissionais é por pessoas com deficiência
visual. Entre os que possuem deficiência mental, o grupo de
pessoas que participa dos programas de qualificação
é de cerca de 5% - embora esse seja o maior grupo dentro
da população com deficiência.
A presidente do Paradigma
afirma que é necessário garantir o acesso à
educação formal. “Atualmente, são pouquíssimas
as pessoas com deficiência que concluíram o ensino
fundamental”, diz. Isso, segundo ela, é uma herança
dos trabalhos das instituições especializadas e do
próprio poder público, que não fiscalizava
as ações pedagógicas dessas instituições.
“As instituições muitas vezes confundem ocupação
com formação e passam todo o tempo trabalhando somente
atividades ocupacionais, sem foco e sem objetivo pedagógico”,
conclui.
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