Curso capacita empresas na inclusão de pessoas com deficiência

Julia Dietrich

Um curso interativo a distância sobre contratação, capacitação e inclusão de pessoas com deficiência em empresas. Este é produto desenvolvido por meio da parceria entre o Instituto Paradigma, organização que busca a inclusão de pessoas com deficiência, e a empresa DesEnvolve Soluções Humanas.

O curso foi construído para ser ministrado a todos os funcionários de companhias interessadas em atender essa parcela da população, cumprindo, inclusive, a Lei de Cotas, que obriga companhias de grande porte a admitirem em seu quadro funcional entre 2 e 5% de pessoas com deficiência.

Com duração de um mês, o curso tem carga horária 10 horas e conta com material e atividades offline. Segundo o CEO da DesEnvolve, Fabrice Antônio, o diferencial do programa é a possibilidade de interatividade entre professor e alunos. “A capacidade da plataforma é a de atender 15 pontos simultaneamente. Falamos em pontos, porque um ponto não significa necessariamente um aluno. A empresa pode montar um único ponto em que diversos funcionários participem”, explica.

As aulas seguem temas indicados pelo Paradigma, identificados pela experiência da instituição e que se dão efetivamente no cotidiano das empresas. Antônio explica que na primeira aula o curso é contextualizado aos alunos e são discutidas as expectativas e necessidades dos pontos. Na segunda, o professor, pertencente ao corpo do Paradigma, explica sobre quais os marcos legais e oportunidades para a empresa contratar uma pessoa com deficiência. Na terceira, trabalha-se a implementação e o como fazer. “O grande diferencial é a quarta e última aula. São apresentados casos reais do dia-a-dia das empresas ouvintes (pontos) para serem discutidos pelo todo. É isso que nós buscamos quando falamos em interatividade. É fundamental montar uma rede de relações entre as pessoas que trabalham e querem entender a questão”.

Para a presidente do Instituto Paradigma, Luiza Russo, é fundamental que a empresa seja capacitada a receber esse contingente populacional que tem algumas particularidades. “Infelizmente o acesso à educação para pessoas com deficiência é muito menor, pois além da deficiência, a maioria se concentra em regiões pobres”, observa. Segundo ela, a idade média de estudo de uma pessoa com deficiência é de quatro a sete anos, número bem menor do que o resto da população, que é de mais de oito anos.

Para ela, é fundamental que soluções criativas sejam desenvolvidas a partir de parcerias entre o terceiro setor, o governo e a iniciativa privada. “É muito difícil garantir a permanência da pessoa com deficiência em uma empresa, porque, justamente por não ter tido acesso à formação e à educação de qualidade, ela se sente despreparada”, pontua.

Russo explica que no Brasil, 14,5% da população apresenta algum tipo de deficiência. Mesmo com o avanço significativo das políticas de integração e diversidade, de 9.842 empresas que precisam aderir à Lei de Cotas, ainda 40% não cumprem a medida. Segundo Antônio, muitas vezes não é nem questão de má fé. “Há um medo muito grande de tratar do tema e as empresas não sabem como fazer a inclusão e nem como garantir o acesso e permanência dessas pessoas no mercado de trabalho”, pontua.

O CEO explica ainda que é preciso reconhecer o funcionário na empresa não como alguém com uma especificidade e sim como uma pessoa com potencialidades e inúmeros valores e qualidades a agregar na empresa. ”Na minha opinião a Lei de Cotas é uma oportunidade única para despertar a diversidade em um coletivo”, conclui.

   


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