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Empresas produzem produtos específicos
para pessoas com deficiência
Empresas de
diferentes portes e segmentos de atuação estão
descobrindo o mercado formado por portadores de deficiência,
e aos poucos, criam soluções e adaptam produtos para
atender a esses consumidores.
Leia
mais:
Menos barreiras para deficientes
Os portadores
de deficiência física encontram pouco estímulo
para sair de casa. As condições de acesso não
são ideais e o mercado de trabalho ainda não eliminou
as barreiras à contratação de profissionais
nessas condições, apesar das exigências legais.
No entanto,
é na veia mercadológica que o quadro começa
a mudar. Empresas de diferentes portes e segmentos de atuação
estão descobrindo o potencial desse pouco conhecido nicho
de mercado. Aos poucos, criam soluções e adaptam produtos
para atender a esses consumidores, na tentativa de mesclar bons
negócios com incentivo à inserção social
dos portadores de deficiência. Com isso, ganham também
em imagem.
A paulistana
Cavenaghi é considerada uma das pioneiras no ramo das adaptações
veiculares, com 36 anos de presença nesse mercado (ver ao
lado). A empresa fabrica e distribui componentes para adaptação
dos veículos, como automações cambiais, aceleradores,
freios manuais e inversões de comando.
A empresa atua
ainda na comercialização de cadeiras de rodas, com
o serviço agregado de
adequação postural, que é a prescrição
das cadeiras de acordo com as necessidades específicas de
cada cliente.
A marca Cavenaghi
está presente em 40 oficinas mecânicas e centros automotivos
em todo o País, por meio de um modelo de parcerias. Para
atender um portador de deficiência, a oficina precisa investir
em torno de R$ 5 mil, preço que varia conforme a estrutura
do local para atender ao cliente com esse perfil.
“Tornou-se
um negócio interessante, pois temos uma marca forte, de modo
que as empresas
parceiras passam a agregar valor ao seu negócio. Além
disso, não pagam o uso da marca nem royalties”, diz
a diretora comercial, Mônica Cavenaghi.
A empresa, que
adapta em média 300 carros por mês, estuda ainda a
possibilidade de entrar no negócio de franquias. Tem 70%
de fatia desse mercado, sendo homologada por montadoras como a Volkswagen,
Fiat, General Motors, Honda e Toyota. Umas das parcerias da Cavenaghi
é com a locadora de veículos Hertz, que colocou veículos
adaptados
para locação em São Paulo e Curitiba, com agendamento
prévio.
“Trata-se
de um projeto piloto, que deve ser estendido para outras praças
e faz parte da nossa estratégia de oferecer serviços
inovadores, além de contribuir para a inclusão social
do portador de deficiência”, explica Marco Aurélio
Galvão, presidente da Hertz no Brasil.
Os carros adaptados
têm câmbio automático e também acelerador
esquerdo – transfere o comando do acelerador para o lado esquerdo
do freio, sem anular o pedal original. Têm também o
comando manual universal, que transfere acelerador e freio para
a mão, esquerda ou direita, do motorista.
O custo de uma
adaptação gira em torno de R$ 2.000 e o preço
da locação é de R$ 266 por dia, com livre quilometragem.
A necessidade
de facilitar a locomoção dos portadores de deficência
a locais públicos, como escolas, hospitais, shopping centers,
bancos e cinemas, levou a multinacional alemã ThyssenKrupp
a apostar no potencial desse mercado. Há 59 anos fabricando
elevadores,
esteiras e escadas rolantes no Brasil, a empresa lançou,
em 2002, a divisão brasileira de acessibilidade, composta
por plataformas verticais, inclinadas e cadeiras elevatórias.
Hoje, o parque
industrial da ThyssenKrupp, localizado em Guaíba (RS), já
produz as plataformas verticais. Esses produtos são o carro-chefe
da empresa, responsável por 90% das vendas da divisão.
“A sociedade
organizada passou a cobrar a construção e reforma
dos estabelecimentos, de modo que permitam um acesso mais livre
aos portadores de deficiência. Por isso, esse mercado é
estratégico para nós”, afirma Rafael Villar,
coordenador da divisão de acessibilidade da Thyssen Krupp
do Brasil.
Mas não
é só para as companhias globais que a acessibilidade
tem rendido bons negócios. A Reifer, empresa paulistana que
produz ferragens, maçanetas e fechaduras, há três
anos resolveu ingressar no segmento, com a fabricação
de barras de apoio específicas para banheiros e corredores.
“Em torno
de 70% dos acidentes domésticos ocorrem no banheiro”,
explica Reynaldo Panella Júnior, diretor da Reifer. Com preço
médio de R$ 100, as barras são fabricadas em materiais
não-ferrosos (alumínio, latão e aço
inox) para evitar a oxidação, e podem suportar até
550 quilos. Além das barras, a Reifer realiza um trabalho
de consultoria em arquitetura para adaptação de residências,
de modo a torná-las aptas para receber pessoas com mobilidade
reduzida.
(O Estado
de S. Paulo – 27/10/04)
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