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Deficientes mentais entram no mercado de trabalho
Cássia
Gisele Ribeiro
O Centro de
Capacitação e Orientação para o Trabalho,
setor da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
(APAE) de São Paulo, já formou e encaminhou cerca
de 600 trabalhadores com deficiência mental para o mercado
formal. No início, o desafio do projeto era convencer as
empresas a fornecerem material para treinamento. Mas, a partir de
1999, esse trabalho começou a focar a inclusão.
A ação é realizada por uma equipe multidisciplinar,
que inclui serviço social, terapia ocupacional, psicologia,
psicopedagia e pedagogia. O grupo desenvolve métodos para
avaliar e preparar para o processo de inclusão. “A
idéia principal é desenvolver a comunicação,
habilidade, relacionamento, responsabilidade, a assiduidade, organização,
pontualidade, ritmo e qualidade de trabalho, entre outros hábitos
e atitudes fundamentais para a atuação profissional”,
conta a coordenadora do programa, Elisabeth Federici Florence Teixeira.
Além disso, os
participantes passam por uma vivência em diferentes funções
que podem exercer. Alguns são encaminhados para um curso
profissionalizante na área administrativa. Os educandos também
recebem apoio de um grupo de cabeleireiros voluntários, que
auxiliam no aprendizado da apresentação pessoal e
higiene.
Paralelamente a esse
trabalho, a Apae realiza também orientação
às famílias. Isso porque muitas delas têm dificuldades
em lidar com a possibilidade do adulto com deficiência mental
adquirir mais autonomia e ter que lidar com as responsabilidades
da vida. “Além disso, os familiares podem ser importantes
aliados na manutenção desse sujeito no mercado, conversando
com eles sobre as regras desse novo ambiente”, diz.
Atualmente, há
pessoas que foram capacitadas pelo programa trabalhando na área
metalúrgica, farmacêutica, plásticos, linha
branca e material para higiene. Para as funções administrativas,
há profissionais nos bancos, indústrias e escritórios.
Para prestadores de serviços, estão incluídos
os restaurantes, limpeza, gráfica, supermercados, transportadoras
e hospitais.
Além disso, a
organização oferece assessoria para empresas que precisam
se ajustar à lei e fazer contratações. A consultoria
consiste em sensibilizar para a questão, detectar nas empresas
os setores onde as pessoas com deficiência intelectual possam
ser inseridas e as atividades que elas podem desenvolver. “Tudo
isso, sem que se altere o dia-dia da companhia”, diz Teixeira.
Em 2006, 283 pessoas com deficiência mental foram formadas.
Dessas, 137 pessoas capacitadas já estão contratadas
por alguma empresa.
Desde o ano de 1991,
a Lei 8.213 garante uma cota para pessoas com deficiência
nas empresas. Embora tenha sido um processo lento, a lei foi um
importante passo para garantir a entrada desses profissionais no
mercado. O público com deficiência mental, no entanto,
não conseguiu acompanhar esse processo. Em uma busca simples
nos principais sites de recolocação, é possível
notar a predominância de vagas específicas para pessoas
com deficiência física e, eventualmente, com deficiências
auditiva e visual.
Segundo pesquisa realizada
em 2005, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a maior parte
das empresas acredita que as pessoas com deficiência mental
tenham condições de exercer determinadas funções,
mas aponta dificuldades, sendo a principal delas a falta de escolaridade,
de interesse e de preparação profissional. Ações
como esta começam a modificar esse quadro.
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