|
Longe das multas, empresas cumprem melhor as cotas
Desde que a lei que inclui obrigação
de as empresas contratarem pessoas portadoras de deficiência
entrou em vigor, no ano de 1991 (Lei n.º 8.213, art. 93), o
tema vinha sendo alvo de polêmica. Empresas não tinham
informação nem consciência suficientes para
efetivamente incluir os portadores de deficiência e do governo
vinha a providência de autuar sistematicamente.
Assim, os anos se passaram e o cumprimento das cotas
exigidas foi baixo, por parte das empresas. De dois anos para cá,
entretanto, o quadro vem mudando por conta de ações
de várias frentes.
E uma das ações que mais têm
mostrado resultados veio da Delegacia Regional do Trabalho do Estado
de São Paulo, que passou da autuação imediata
à uma postura mais flexível, de orientação
e acompanhamento.
Com isso, as empresas do Estado sentiram-se mais
dispostas a tomar providências para cumprir as cotas estabelecidas
pela lei - que se referem a quem tem mais de cem empregados -, resultando
nos seguintes dados, segundo a delegada regional do trabalho de
São Paulo, Lucíola Rodrigues Jaime: das 9.842 empresas
no Estado paulista que precisam cumprir as cotas, 5.743 já
o estão fazendo, o que resultou na contratação
de 73.760 deficientes contratados. Os dados são do mês
de setembro de 2007. Em 2004, diz Lucíola, eram 14.239 deficientes
contratados em 1.965 empresas, números que em 2005 pularam
para 35.782 e 4.004, respectivamente.
A delegada diz ainda que, dos cerca de 73 mil contratados
até setembro deste ano, 43% são deficientes físicos;
4%, mentais; 10% reabilitados pela Previdência Social; 6%,
visuais; 36%, auditivos; e 1%, têm deficiências múltiplas.
Após a ação desencadeada pela
DRT a partir de 2004 , as empresas começaram um movimento
formal e planejado para absorver os portadores de deficiência
em seus quadros. E algumas estão até se mobilizando
para resolverem elas próprias um problema sentido há
muito tempo, que é a falta de qualificação
educacional e profissional dos portadores de deficiência.
A solução dessas empresas foi convocar
grupos de deficientes para serem qualificados antes de começar
dentro desse mesmo grupo o processo de seleção, resultando
em algumas contratações.
E nesse contexto passaram a ter importância
muito grande as parcerias com entidades sem fins lucrativos que
funcionam como intermediadoras da contratação, mantendo
banco de dados de portadores de deficiências e programas e
cursos de orientação das mais diversas para assessorar
as empresas.
Bruno Cerrato tem 18 anos e enfrenta desde o nascimento
problemas para locomover-se (atrofiamento do tendão da perna
esquerda) e de coordenação motora - ambas as sequelas
por conta de uma paralisia cerebral que durou segundos.
Há um mês ele foi contratado pela Bayer,
após um processo de seleção, que incluiu três
entrevistas . Bruno não usa muletas, mas anda com dificuldade.
Vai para o trabalho no ônibus fretado da empresa. E na Bayer
é responsável por inserir dados e textos na Intranet.
E informa que já foi comunicado que em breve ele vai cuidar
sozinho dessa rede interna.
“Estou adorando aqui. Achava que por ser uma
multinacional alemã seria uma cultura de comportamento frio,
mas pelo contrário”, diz Bruno, que conta entusiasmado
já ter feito amizade com várias pessoas e ter sido
muito bem recebido. “Sou chamado para almoçar junto
com eles e já começo a participar de reuniões
na empresa. Bruno faz questão de dizer que, mesmo com suas
limitações, é capaz de jogar futebol e tocar
violão.
(Zap)
|