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População fica cada vez mais velha e cresce menos

A população com mais de 70 anos vai quintuplicar no País de 2000 a 2050 e chegar a 34,3 milhões de pessoas. O crescimento nessa faixa etária será de 440%, bem acima do avanço de 53% da população total, que alcançará 259,8 milhões ao fim do período. Além de envelhecer, a população crescerá cada vez menos. Entre 2040 e 2050, a taxa média de crescimento anual será de apenas 0,33%, o equivalente a um oitavo da taxa durante a década de 1970 (2,48%).

As projeções são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ontem (13/04) divulgou a Síntese de Indicadores Sociais. O documento registra projeções até 2030, mas há estimativas, recém-revisadas, até 2050. Até lá, o grupo de pessoas de 60 69 anos também aumentará significativamente (263%). Os sexagenários somados aos idosos com mais de 70 anos representarão quase 25% da população em 2050. Em 2000, eram 8,5%. Ao mesmo tempo, a fatia dos habitantes de até 9 anos encolherá de 19% para 12% do total, em 2050.

Trata-se de uma revolução demográfica, segundo o pesquisador do instituto Celso Simões. Em linhas gerais, a taxa de fecundidade está encolhendo e a expectativa, aumentando. Depois de um período de alta fecundidade nas décadas anteriores, a população em idade ativa também avança desde 1990 e deverá pressionar o mercado de trabalho até 2020. A partir daí, o envelhecimento da população vai se intensificar.

O problema é que o País não está gerando os postos de trabalho necessários para a força de trabalho disponível. “A economia está na contramão da revolução demográfica”, diz Simões. “Além disso, os idosos começam a se destacar e as políticas precisam ter isso como norte”, afirma. O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Armando Castelar explica que o envelhecimento aumentará os gastos públicos com saúde e previdência.

Para Castelar, o déficit da Previdência Social crescerá, ao mesmo tempo que a pressão de gastos por educação diminuirá com a redução do número de crianças. Do ponto de vista privado, Castelar também prevê “a abertura de um conjunto de possibilidades”. Para ele, os setores de previdência complementar, saúde privada e serviços de lazer para idosos com renda maior terão “potencial de crescimento”.

A agência Freeway já aposta no nicho. Lançou no fim do ano passado novos pacotes de ecoturismo para idosos. “Estamos recriando roteiros para as necessidades da terceira idade”, conta o diretor Edgar Werblowsky. Foram incluídas atividades como “caminhada suave em bosques” e o chamado bird watching” (observação de pássaros). “A atividade, muito adotada nos Estados Unidos, é acompanhada por especialistas em aves”, diz Werblowsky.

A professora aposentada Maria Luiza de Andrade Britto, de 67 anos, vive com pensão própria e a do marido falecido, menores do que o valor pelo qual contribuíram. Mas não se queixa tanto; considera-se privilegiada. “Apesar das dificuldades, tenho onde morar”, diz. “Quando preciso, meu filho ajuda. Tenho amigas que trabalham como doméstica para completar a renda”, afirma a aposentada, que participa da Universidade da Terceira Idade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Prestes a completar 72 anos, o metalúrgico aposentado Fernando Moura de Souza classifica a pensão de R$ 376 que recebe mensalmente como “uma vergonha”. Conta que só consegue levar uma vida tranqüila porque complementa a renda com quatro pequenos imóveis alugados. “Tive a ajuda dos meus filhos para formar um patrimônio antes de me aposentar porque sabia que a vida de aposentado era muito difícil.”

Com base nos dados da Síntese de Indicadores, no período de 2005 a 2025, o País chegará a ter 63,2% da população total com idade entre 15 e 60 anos. Em 2000, essa participação era de 61,8%. Significa que mais brasileiros estarão trabalhando, o que pode ajudar a melhorar a relação do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. A questão, contudo, é que para isso é necessário que estejam trabalhando, explica o especialista em mercado de trabalho do Ipea, Lauro Ramos.

(O Estado de S. Paulo – 14/04/04)