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Terceira idade faz faculdade sem vestibular

Pessoas com mais de 50 anos tem recebido uma série de ofertas de cursos da chamada "universidade aberta para a terceira idade". Tratam-se de cursos de atualização, geralmente ligados a alguma universidade, e que não exigem provas para ingressar, como o vestibular, nem a apresentação de diploma de primeiro ou segundo grau.

Leia mais:
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- "Plástica interna que me dei de presente"
- Administrador arrisca nova profissão
- Aos 73 anos e no terceiro ano de FEA
- Onde estudar

   
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais velhos fazem faculdade sem vestibular

A turma mais madura tem recebido uma enxurrada de ofertas de cursos voltados para alunos com mais de 50 anos. Levam o nome de universidade da terceira idade, faculdade livre da idade adulta ou universidade da maturidade, por exemplo. Mas uma denominação é oficial: a universidade aberta à terceira idade. Trata-se do nome dado ao programa com cursos de atualização oferecido pelas universidades à população mais idosa.

Os cursos de melhor qualidade são os que seguem o modelo francês de universidade aberta à terceira idade. Em geral, eles são ligados a universidades, diz o professor Fauze Saad, presidente da Alfati (Associação das Universidades Abertas à Terceira Idade do Estado de São Paulo). O modelo foi criado pelo psicopedagogo Pierre Vellas, na Universidade de Toulouse (França), nos anos 70. "São cursos de atualização cultural que duram de dois a três anos, em que são ministradas disciplinas como história, economia, política, além de orientações na área de saúde e algumas atividades socioculturais", diz a professora Jeanete Liasch Martins de Sá, coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade da PUC-Campinas, entidade pioneira.

Há onze anos, ela ofereceu o primeiro curso do gênero. Nada de provas para ingressar numa dessas universidades não é preciso prestar vestibular nem apresentar diploma de primeiro ou segundo grau. Em geral, as aulas acontecem de duas a três vezes por semana e sempre no período da tarde. Os preços e a periodicidade dos cursos variam muito segundo a instituição. A faixa etária dos alunos vai de 40 a 80 anos, e as salas de aula costumam ser dominadas por mulheres, apesar de que a presença masculina vem pouco a pouco crescendo.

Ao longo dos cursos, não há provas nem trabalhos obrigatórios. "É tudo baseado na pedagogia do prazer, nada é imposto. Assim, com o tempo, nota-se melhora na auto-estima dos alunos", diz o professor Antonio Jordão Netto, coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade da PUC-SP. Além dos cursos de reciclagem, algumas universidades, como USP, Esalq-USP e Unesp, oferecem oportunidade ao aluno de acompanhar aulas do curso de graduação de seu interesse. Nesse caso, costumam-se exigir diploma do segundo grau e entrevistas feitas pela instituição com o candidato. No final, ele recebe, no lugar do diploma de graduação, um certificado de conclusão de curso.

Dependendo da área escolhida, os alunos devem fazer as provas e os trabalhos solicitados pelos professores. "A experiência é muito interessante. Vale a pena também por causa da interação que se estabelece com o pessoal mais jovem", diz Marcus Folegati, prefeito do campus da Esalq-USP (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiróz), onde havia, no ano passado, 550 alunos matriculados no curso da Universidade Aberta à Terceira Idade.

A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo acaba de inaugurar, num prédio de 844 m2, a Oficina Cultural da Terceira Idade, com cursos gratuitos para maiores de 55 anos de idade, nas áreas de dança, artes plásticas, fotografia, artesanato, ioga, tai-chi, coral, entre outros. Os cursos serão organizados de acordo com a preferência dos inscritos. "Optamos por desenvolver um programa personalizado, em que o público define suas prioridades. Ou seja, analisamos cada ficha, as preferências por atividades e montamos os cursos de acordo com essa conveniência", diz a coordenadora do projeto, Olinda de Barros Martins. Olinda acrescenta ainda que a criação da oficina é um antigo pedido dos idosos que já participam do Programa Cultural da Terceira Idade desde 1995, que conta com 164 oficinas itinerantes em todo o Estado.

"Além disso, o prédio já era um ponto de encontro, onde funcionou durante muito tempo o Fórum Nacional, mas há dois anos estava desativado." Para a professora de dança Egledi Siqueira da Cruz, 60, a oficina cultural representa a realização de um desejo antigo. "Durante os últimos anos, desenvolvemos nossas atividades em locais emprestados. É maravilhoso saber que agora temos o nosso espaço. Aqui, além de poder dar as minhas aulas, com ênfase em trechos de musicais, minha especialidade, vou poder frequentar diversos cursos e encontrar pessoas conhecidas."

(Folha de S. Paulo)

   
 

 

 

 


"Plástica interna que me dei de presente"

Rosa Salerno Rossi, 68, tem o diploma desde os 60 anos, mas sair da faculdade é algo que está bem distante de seus planos - aliás, esse costuma ser o procedimento dos alunos maduros. Há oito anos, a dona-de-casa faz PUC-SP e frequenta as aulas do curso de atualização, cujos temas também estão sendo sempre atualizados.

"Essa foi a plástica interna que me dei de presente", brinca Rosa, que nunca havia sentido vontade de frequentar uma faculdade. Foi somente quando o marido morreu, época em que os filhos e os netos também já estavam independentes, que ela resolveu investir nos estudos. "Não estava em busca do tempo perdido, mas acho que voltei a ter vida", diz animada.

Para Rosa, a possibilidade da convivência com pessoas da mesma idade e com os mesmos interesses foi salutar. Além de assistir as aulas, ela integra um grupo que se reúne uma vez por mês para discutir temas de interesse geral, como orientação nutricional, por exemplo. "É a minha turma da faculdade", brinca.

(Folha de S. Paulo)

   
 

 

 

 


Administrador arrisca nova profissão

Em 99, o administrador de empresas José Roberto Valentim, 63, resolveu encarar a segunda faculdade. "Já havia me aposentado e estava me sentindo meio inútil. Li sobre a universidade em um jornal e fui procurar o que era. Não tinha a menor idéia do que me esperava", diz.

Inscreveu-se no curso de atualização da universidade da terceira idade do Centro Universitário Santana. Segundo ele, no começo foi tudo muito estranho porque era o único homem da classe, mas no final deu tudo muito certo. "É a faculdade que todo mundo pediu. Não há provas, e no começo do ano discutimos com os professores as matérias de interesse geral da turma para serem abordadas ao longo do semestre", diz ele, que convenceu até a mulher a acompanhá-lo: "Fazemos aulas juntos". A volta à vida escolar motivou-o ainda a se dedicar à pintura, um antigo sonho. Hoje, dá aula particular de artes.

(Folha de S. Paulo)

   
 

 

 

 

Aos 73 anos e no terceiro ano de FEA

Pacientemente, Henrique Mituyoshi Todo esperou chegar o momento na vida em que tivesse tempo para estudar. Aos 71 anos, aposentado, ele ingressou na USP para cursar a Faculdade de Economia e Administração (FEA). Há dois anos, assiste a aulas de seu interesse.

Pelo menos duas vezes por semana, faça sol ou chuva, ele sobe em um ônibus com destino à Cidade Universitária, no campus da USP.

Assim como os demais alunos, Todo tem de entregar trabalhos e fazer provas. Nas cinco matérias que cursou, teve média seis, nota considerada alta para o curso da FEA. Estudou micro e macroeconomia, depois se interessou por economia de produção e, agora, pretende se aprofundar em economia brasileira do período de 1930 a 1993. "Devo continuar por mais um ano", diz ele.

(Folha de S. Paulo)

   
 

 

 

 


Onde estudar

PUC: inscrições abertas
tel.: (0xx 11) 3873-3155

Centro Univ. Santana: inscrições a partir de 18/2
tel.: (0xx11) 6221-8000, ramal 124

Unifesp: inscrições. abertas o ano todo; há fila de espera
tel.: (0 xx11) 5082-3588

PUC-Campinas: matrícula de 18/2 a 28/2
tel.: (0xx19) 3233-2330

Uerj: inscrições abertas em junho
tel.: (0xx21) 2587-7236

Universidade Gama Filho: inscrições até 10/2
tel.: (0 xx21) 2599-7136

USP: inscrições de 25/2 a 4/3
tel.: (0xx11) 3818-3348

Esalq-USP: inscrições de 25/2 a 1º/3
tel.: (0xx19) 3429-4161

Unesp: inscrições de 8/2 até 28/2
tel. da Unesp de Franca: (0xx16) 3711-1800

Oficina Cultural da Terceira Idade: inscrições abertas
tel.: (0xx11) 3351-8119

(Folha de S. Paulo)