Bancos faturam mais
com créditos para aposentados
Apesar dos
rendimentos quase sempre baixos, os aposentados são tidos
pelos bancos como bom filão de mercado. Várias instituições
já oferecem à turma da terceira idade linhas facilitadas
de financiamento, com taxas pouco menores que as cobradas no crédito
pessoal, variando de 4,75% a 6,10% ao mês.
Apostam nesse
público - que recebe o benefício pelo banco e portanto
garante o pagamento da prestação em dia, com risco
baixo e pulverizado para a instituição financeira
- desde os bancos oficiais, como Banco do Brasil e Caixa Econômica
Federal, até Real, Itaú e Bradesco, entre outros.
Os empréstimos
geralmente são de valores baixos e o interessado pode ter
o crédito pré-aprovado, sem burocracia, para depósito
em conta ou saque em terminais eletrônicos.
O diretor
de empréstimos e financiamentos para pessoas físicas
do Banco Real, Eduardo Germano, conta que na modalidade de crédito
pré-aprovado foram feitas no ano passado 66.700 operações,
20% mais que em 2001. E a previsão é de crescimento
de 45% neste ano.
O Real criou
novos produtos sob medida para o público acima de 60 anos,
que são o cartão de INSS com Visa Electron e o crédito
pessoal.
No crédito
especial, batizado de Crédito da Boa Idade, o aposentado,
mesmo que não seja correntista, tem linha pré-aprovada
e de contratação simples, acionada, via cartão,
no terminal de auto-atendimento.
Os valores
emprestados variam de R$ 150 a R$ 2 mil, com um teto equivalente
a duas vezes o valor do benefício. Os prazos de pagamento
variam de quatro a 18 meses e o saque pode ser feito na hora.
O Real cobra
taxa fixa de 5,40% ao mês, quase 10% mais baixa que o crédito
pessoal normal, mais taxa de abertura de crédito de R$
10. A prestação é debitada na data de pagamento
do benefício. Um empréstimo de R$ 800 ficaria em
18 parcelas fixas de R$ 72,60.
Já
a Caixa Econômica Federal garante que tem para emprestar
este ano R$ 320 milhões para aposentados, com taxas de
juros entre 4,75% e 5,10% ao mês e prazos de até
36 meses. Basta que o aposentado receba o benefício do
INSS pelo banco. Ele vai escolher em quantas vezes deseja pagar
e os vencimentos coincidirão com a data de crédito
do benefício da aposentadoria. O valor máximo do
empréstimo será calculado em função
do cadastro e da capacidade de pagamento.
(Diário
de S. Paulo - 17/02/03)
Tomar dinheiro com
as atuais taxas acaba sendo armadilha
O consultor
e matemático financeiro José Dutra Vieira Sobrinho
afirma que, apesar das facilidades anunciadas pelos bancos, as
taxas nos empréstimos para terceira idade ainda são
pesadas. "Elas poderiam e deveriam ser menores, já
que o risco para o banco é diluído".
Para o especialista,
o aposentado deve evitar tomar crédito em banco, a não
ser que tenha necessidade absoluta e inadiável dos recursos.
Ele cita dois
casos em que a operação pode valer a pena: para
fugir dos negócios das financeiras, que tradicionalmente
emprestam para este público, mas com juros bem mais salgados,
acima dos 10% ao mês, e também como opção
ao crediário tradicional.
"Não
recomendaria a tomada de empréstimo para consumo, e sim
que a pessoa poupasse o equivalente às prestações,
para comprar à vista. Mas se o aposentado tiver necessidade
de comprar um bem, em prazos mais longos, o empréstimo
no banco em geral é vantajoso".
Dutra explica
que no caso de uma TV de R$ 1 mil, à vista, com taxa de
5% ao mês, se pagaria em 12 meses sem entrada parcelas de
R$ 112,83.
Tomar o dinheiro
também a 5% no banco resultaria em parcelas parecidas.
"Valeria a pena porque, com o dinheiro na mão e uma
pesquisa em duas ou três redes, a pessoa conseguirá
na loja um bom desconto, entre 8% e 10%", afirma.
O tesoureiro
do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas, Agenor Narciso,
orienta os associados a ficarem longe de crédito bancário.
"Infelizmente a maioria dos aposentados ganha pouco, e tem
de aprende a viver com o que ganha. O custo do crédito
no Brasil está muito alto. Tomar financiamento a essas
taxas quase sempre acaba virando armadilha", conclui.
(Diário
de S. Paulo - 17/02/03)