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Mercado tem cinco ramos promissores de trabalho

Tecnologia, educação, bem-estar, diversão e agronegócios estarão em alta até o fim da década. Segundo especialistas ouvidos pela Folha de S. Paulo, essas são áreas muito promissoras.

Leia mais:
     - Conheça cinco ramos de trabalho com boas perspectivas pela frente
     - Serviços para 3ª idade vão crescer
     - Agropecuária cultiva ramos nas cidades e laboratórios
     - Área rural busca "especializados'
     - Carreiras florescem no concreto
     - Pesquisa de alta tecnologia tem forte demanda e remunera bem
     - Profissionais de outros setores são bem-vindos
     - Defesa do ambiente cresce paralela à produção
     - Trabalho superespecializado leva setor a dar 'lição de crescimento'
     - Diversificação gera espaço para consultores
     - Empresas reclamam da falta de profissionais qualificados na área
     - Certificação valoriza "passe" do profissional
     - A passeio ou a trabalho, segmento amplia perspectivas de atuação
     - Casas noturnas e games estão em ascensão
     - Regulamentação não acompanha explosão do setor de bem-estar
     - Preocupação com a beleza alimenta mercado
     - Linguagens emergentes ampliam atuação
     - Manter-se no mercado requer criatividade
     - Projeto do MinC quer capacitar jovens na área

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça cinco ramos de trabalho com boas perspectivas pela frente

À primeira vista, a expressão "profissões de futuro" remete a um mundo de alta tecnologia, em que avançadas máquinas convivem com o homem e o auxiliam em suas tarefas. Um mundo de ciborgues e supercomputadores.

De fato, a alta tecnologia veio para ficar e abarcará várias carreiras do futuro (que ainda nem existem) e de futuro (em expansão). Mas a próxima década também ampliará o espaço de áreas tradicionais, como o setor rural, o lazer, a educação e o bem-estar.

Segundo 24 especialistas ouvidos pela Folha, essas são áreas muito promissoras.

Agronegócio
Com uma produção de grãos que gerou 33% de seu PIB em 2003, é natural que a Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) preveja que o Brasil se tornará o maior produtor mundial de alimentos em dez anos.

A pujança favorecerá quem trabalha na área. "Profissões ligadas ao novo ciclo de desenvolvimento rural, da agricultura familiar à pesquisa de ponta, estarão em alta. O Brasil está predestinado a expandir o leque de produtos delas derivados", diz Ignacy Sachs, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Paris).

Educação
Catastrófico para muitos, o crescente desmoronamento das relações estáveis de trabalho deve beneficiar a educação. É que, graças ao acirramento da competitividade entre profissionais, "as pessoas estão buscando, cada vez mais, aperfeiçoamento", avalia Renata Perroni, consultora da Manager. Além disso, o setor tem "um dos maiores déficits de mão-de-obra do país", analisa o sociólogo e especialista em relações do trabalho José Pastore.

Tecnologia da informação
"A segurança da informação não é só uma carreira de futuro, mas uma necessidade para as empresas de futuro", prevê Evandro Oliveira, diretor de auditoria do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

Como a área de tecnologia ainda não é regulamentada, acolhe um grande contingente de profissionais de diversos campos. Mas os nichos superespecializados como segurança de dados- são os mais promissores.

Turismo e entretenimento
Cada vez mais, o lazer será um bom negócio. "Esse setor deve manter a tendência de alta graças ao crescimento da população e ao crescente tempo livre", pondera Sebastião Caixeta, presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho.

Qualidade de vida
Já o bem-estar, em alta contínua, revela e gratifica- profissionais inusitados, como naturólogos e psicólogos especialistas em estresse. "As pessoas querem se sentir bem, e isso se tornou um bem de consumo", diz Alberto Ogata, do Instituto Brasileiro de Qualidade de Vida.

Viver melhor é também sentir-se mais bonito. A estética, que motivou a abertura de inúmeras clínicas especializadas nos últimos anos, é bom negócio, em especial para dermatologistas. Aplicações de botox, peeling e outros tratamentos médicos com função estética prometem bons salários para profissionais em constante atualização.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Serviços para 3ª idade vão crescer

Além das cinco áreas destacadas pelos especialistas ouvidos pela Folha, o resultado do levantamento permite elencar alguns outros campos e nichos como potenciais apostas para o futuro.

Seja qual for o campo escolhido, trabalhar com a terceira idade provavelmente será uma boa idéia. O público foi o mais citado na enquete da Folha e reserva boas oportunidades de trabalho nos setores de saúde, lazer, educação e turismo, entre outros.

"O crescimento da população idosa vai gerar novas profissões e ampliar o espaço das já existentes", diz o professor da USP James Wright, 53, coordenador do Programa de Estudos do Futuro da FIA (Fundação Instituto de Administração).
Para atender aos anseios dessa e de outras faixas da população, Wright afirma que o segmento da biotecnologia também ganhará vasto terreno "no aprimoramento da nutrição, a partir da engenharia genética, para melhorar a produção de alimentos".

A cada vez mais complexa gestão de grandes cidades, prevê ele, criará postos para profissionais multidisciplinares no poder público e em grandes empresas (concessionárias de serviços).

Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP e integrante do Núcleo de Estudos do Futuro da universidade, considera a área de organização do conhecimento especialmente atraente. "Os segmentos que trabalham com geração e distribuição de conhecimento, como publicidade e intermediação advocatícia, ganharão força."

Assim também deverá ocorrer com o apoio à produção rural e industrial, com novas frentes de trabalho em inseminação artificial ou em serviços de informação meteorológica, por exemplo.

Para o professor da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas) João Brandão, o "embate" entre as três grandes forças político-econômicas das próximas décadas (EUA, Europa e Ásia) deverá produzir oportunidades nas áreas de economia e comércio exterior. (RGV)

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Agropecuária cultiva ramos nas cidades e laboratórios

O agronegócio expandiu suas fronteiras. O setor responde hoje por 37% de todos os postos de trabalho do país, seja no campo, seja nas cidades e laboratórios de pesquisa. Além disso, desponta no cenário econômico, abrangendo 33% do PIB nacional.

O futuro também é promissor: o Brasil será na próxima década o maior produtor de alimentos do mundo, dizem as Nações Unidas.

No cenário internacional, o setor bateu seu recorde histórico de exportação nos primeiros oito meses deste ano, alcançando US$ 26 bilhões em vendas.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Área rural busca "especializados'

"O profissional de futuro no agronegócio estará no campo", prevê José Geraldo Eugênio de França, superintendente de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). "E será aquele com conhecimento técnico amplo de agricultura e que tenha uma visão múltipla para trabalhar com tecnologia."

"No campo, a demanda por trabalho deverá ser grande para profissionais especializados e capacitados para realizar práticas sofisticadas, como inseminação artificial", defende Geraldo Barros, coordenador científico do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, da USP).

Marcelo Hissnauer Miguel, 32, responsável por uma estação experimental da multinacional Monsanto, é um exemplo que ilustra bem a necessidade de especialização nessa área.

Doutor em engenharia agronômica, Miguel credita o sucesso tanto ao amadurecimento provocado pela pós-graduação como à graduação em administração de empresas que fez concomitantemente com o mestrado.

"A técnica nem sempre resolve. A visão administrativa foi fundamental para que eu assumisse meu cargo atual, por tornar meu trabalho mais completo", diz ele, que trocou o laboratório pelo escritório no campo e, em três anos, viu seu salário aumentar 17% com a promoção.

O veterinário Jean Carlos Vieira, 32, acaba de voltar ao campo, seu antigo desejo, por meio de uma promoção da empresa em que atua. Trocou o cargo de gerente de marketing pelo de gerente de consultoria técnica de bovinos da Ford Dogde, com incremento de 35% no salário.

"Eu me realizei como profissional. Os produtores precisam de gente qualificada para monitorar a produtividade da fazenda e aumentar o rendimento. Para isso, os veterinários precisam estar mais focados no mercado, no lado comercial, e não na faculdade", afirma.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Carreiras florescem no concreto

Do alto do seu escritório na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo, Fábio Carvalho, 28, avista o campo. Sócio da Orbe Investimentos, empresa de gestão de investimentos, viu no agronegócio um bom nicho para apostar. Depois de um ano e meio, neste mês a empresa lança o Agrotech, primeiro fundo de capital de risco exclusivo para o setor no país.

"Não era minha praia, mas acabei gostando", diz ele, formado em administração.

"O agronegócio é uma indústria com alto investimento em tecnologia, grande diversificação e uma quantidade de novos negócios impressionante", justifica.

Para entender do novo negócio, Carvalho visitou empresas e laboratórios de todo o país e se tornou figura constante nas grandes feiras do setor. "Carreiras especializadas, como segurança alimentar, novos materiais e agricultura de precisão, estão no ápice, carentes de especialistas", avalia.

Longe dos núcleos de produção, o mercado de trabalho para profissionais envolvidos com o universo agrícola cresce.

"Profissionais de nível universitário serão contratados para as áreas de administração e economia, incluindo finanças, comércio exterior e logística. Para a área de sanidade e controle de qualidade, serão agrônomos, biólogos, veterinários, zootecnistas e profissionais voltados para atender às crescentes exigências do consumidor nacional e, principalmente, internacional", pondera Geraldo Barros, do Cepea (Esalq-USP).

O perfil continuará sendo o de profissionais com formação em ciências agrárias, mas o mercado em expansão pode dar espaço a novas iniciativas. "Está aumentando a demanda por pessoas com visão estratégica.

A gestão do agronegócio e o posicionamento estratégico diante do cenário internacional tende a exigir trabalhadores mais habilitados e treinados para usar tecnologia sofisticada", analisa José Vicente Ferraz, diretor técnico da FNP Consultoria.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Pesquisa de alta tecnologia tem forte demanda e remunera bem

Nem nos escritórios das grandes cidades, nem no meio rural. Trabalhar com agronegócios em laboratórios de alta tecnologia, cercado por tubos de ensaio, microscópios e computadores é uma opção rentável para os cientistas da agropecuária.

Quem optar por esse caminho pode trabalhar tanto no setor público como no privado. No público, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) domina a cena, sendo um dos maiores centros mundiais de pesquisa no setor, com 2.200 pesquisadores (54% de doutores e 42% de mestres). Os salários iniciais giram em torno de R$ 2.600.

"Exigimos um alto nível de qualificação. O ideal é que o candidato tenha dedicação ao estudo, boa preparação para pesquisa científica e ampla visão de agronegócio", diz o coordenador de planejamento e desenvolvimento de recursos humanos da Embrapa, José Prado Fonseca Filho. "Mas o principal é que o profissional não tenha um olhar verticalizado e veja a inserção da pesquisa também no ambiente e no social."

Na iniciativa privada, o salário é o principal atrativo. Não é à toa que os laboratórios da Embrapa perdem profissionais de alto nível para grandes empresas, que têm condições de oferecer remunerações a partir de R$ 7.000 para os mais gabaritados. A evasão do setor público para o privado dobrou nos últimos anos e hoje é de 5%.

O perfil do pesquisador científico, segundo Prado, está se alterando, conciliando juventude e alta capacitação. "Estamos de olho naqueles indivíduos que tenham publicação científica já na faculdade e que sejam jovens. Isso revela a opção pela carreira científica ainda na graduação", analisa.

Outro caminho é o próprio cientista se tornar empresário para capitalizar seus conhecimentos. Na Incubadora de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), por exemplo, está instalada há dois anos a Bioware.

A empresa, formada por três sócios, nasceu do projeto de biodiesel do pesquisador e engenheiro químico José Dilcio Rocha, 39. O combustível é feito a partir do refugo industrial da cana-de-açúcar, pó-de-serra e capim, entre outros, e começará a ser vendido neste mês.

"Somos aprendizes de empresários com grande conhecimento técnico. Para ser pesquisador no Brasil é preciso acreditar que o país tem potencial", diz Rocha. O conhecimento "extremamente especializado", com pós-doutoramento no exterior, afastou o pesquisador do mercado. "Nas vagas me diziam que eu era fantástico, mas não tinham dinheiro para a minha formação." A solução foi criar uma empresa própria. "O que impulsiona nossa carreira é a capacidade de criar." (AR)

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Profissionais de outros setores são bem-vindos

Tem lugar para todo mundo. O agronegócio envolve principalmente carreiras ligadas às ciências agrárias, mas não dispensa de sociólogos a economistas."O mercado mudou bastante.

Os bons profissionais hoje vão além do técnico e têm também visão de negócios, porque o mercado está cada vez mais competitivo", sugere Mariana Cersosimo, coordenadora de treinamento e desenvolvimento da Monsanto. A maioria dos 1.700 funcionários da corporação tem formação em ciências agrárias e atua, inclusive, em áreas como administração e marketing.

"Devemos preparar os jovens que estão saindo das universidades para ingressar na iniciativa privada. Mais tarde serão empreendedores", profecia José Eugênio de França, da Embrapa.

A área de melhoramento genético é uma das que atraem profissionais de alta qualificação e tende a expandir ainda mais o número de vagas com a possível liberação total do plantio e da comercialização de produtos transgênicos.

Como a pesquisa está na mira da biopirataria, profissionais com conhecimento sólido em biologia molecular e especialização em proteção intelectual e regulamentação terão as portas abertas nos próximos anos, caso os trangênicos sejam liberados no país.

Essa é a dica de André Abreu, gerente de desenvolvimento de biotecnologia da Bayer. "Como é uma área inovadora, com tecnologia de ponta, a deficiência de profissionais qualificados ainda é grande", revela.

 

Defesa do ambiente cresce paralela à produção

O custo socioambiental da expansão do agronegócio ainda precisa ser mensurado. A preocupação com o uso excessivo de agrotóxicos e com a má utilização da água, por exemplo, fortalecem um campo paralelo de atuação, o da pesquisa e defesa do meio. Interessados podem atuar na conservação do ambiente, no tratamento de dejetos e também na área de responsabilidade social das corporações e ONGs do ramo.

Com área para aumentar a produção de grãos em, no mínimo, 200%, a agricultura brasileira tende a abocanhar territórios ocupados hoje por pastagens, expandindo a fronteira agrícola.

Com isso, o respeito à legislação ambiental exigirá profissionais com base sólida em ciências ambientais e conhecimento profundo de impactos no ambiente. Especialistas na legislação do setor também serão requisitados.

A produção e o extrativismo crescentes aumentam esse mercado. "Por uma série de coincidências, o Brasil talvez seja o único país no mundo que ainda pode expandir sua produção", confirma o diretor técnico da FNP Consultoria, José Vicente Ferraz.

Entre as coincidências, 388 milhões de hectares de terras férteis e de alta produtividade, dos quais 90 milhões ainda não explorados, clima privilegiado, quase 13% de toda a água doce disponível no planeta e mão-de-obra qualificada e relativamente barata.

"O custo disso foi não termos feito a reforma agrária", diz Ferraz. "Isso fez com que o país desenvolvesse a agricultura empresarial, fundamental para atingirmos o patamar atual. Uma estrutura fundiária reduzida impediria a produção em grande escala."

As empresas já investem no conceito de "produção limpa". A PHB Industrial, controlada por dois grupos de usinas de açúcar, está desenvolvendo um projeto para produzir plástico biodegradável (que leva em torno de seis meses para se decompor, em vez de no mínimo 50 anos, como é hoje) a partir do processo fermentativo do açúcar, em um ciclo "limpo" de produção, em que todos os elementos utilizados na fabricação são reaproveitados.

"Em dez anos, 1% de todo o polímero de origem não-renovável usado no planeta será substituído por biopolímeros, que preservam o ambiente", prevê Sylvio Ortega, responsável pelo projeto.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Trabalho superespecializado leva setor a dar 'lição de crescimento'

Os profissionais da área de educação não terão do que reclamar na próxima década, se depender das projeções do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, ligado ao MEC) e dos prognósticos dos especialistas. A expansão do ensino médio e a procura crescente por pós-graduação são os dois principais propulsores do segmento.

A competição por uma vaga no mercado de trabalho colocou fermento no nicho da educação empresarial e das especializações obrigando o setor a ampliar seu leque de atuação.

Pesquisa da CM, consultoria especializada em planejamento e gestão universitária, com 86 instituições (na maioria particulares) de 12 Estados, mostrou que praticamente 100% delas pretendem abrir novos cursos nos próximos anos. E só 37,21% planejam fazê-lo em áreas tradicionais.

"Existem escolas que têm coragem de buscar a inovação e estão criando cursos de curta duração voltados para áreas emergentes", afirma Carlos Antonio Monteiro, presidente da CM. "É um mercado muito promissor", avalia.

Os novos cursos englobam de tecnologia na área de saúde a gestão ambiental. "O mercado está precisando de profissionais para as áreas novas", diz Monteiro.
O Senac é um exemplo. "Estamos sempre pesquisando os nichos do mercado", diz Eduardo Ehlers, diretor de extensão, que destaca as áreas de gestão cultural, turismo, estética e bem-estar.

Ensino superior
Para Roberto Leher, diretor da regional Rio de Janeiro do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), professor da UFRJ e pesquisador do laboratório de políticas públicas da UERJ, outro fator que vai ajudar a impulsionar a área é a pressão por mais vagas e, consequentemente no ensino superior.

De acordo com ele, o número de jovens universitários no Brasil ainda é muito pequeno. "Deverá haver uma grande pressão por expansão, considerando que o volume de alunos que saem do ensino médio vem crescendo."

A cada ano, 2,2 milhões de estudantes concluem o antigo segundo grau. Por outro lado, de cada 100 jovens brasileiros de 18 a 24 anos, só 9 estão matriculados no ensino superior. É o menor desempenho da América do Sul, cuja média é de 35 em cada 100, segundo o Inep. A meta do MEC (Ministério da Educação) é atingir 30% até 2011.

E-learning
O cenário vai gerar postos para docentes em universidades, educação corporativa e e-learning (ensino a distância). "As escolas presenciais não vão conseguir, sozinhas, suprir a demanda de vagas que está por vir. A educação a distância é a saída", diz Fredric Litto, presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância) e coordenador científico da Escola do Futuro, da USP.

Segundo ele, cerca de 3 milhões de pessoas usam hoje o ensino a distância 1,9 milhão só nas empresas. "E, na próxima década, as instituições mais importantes do país vão precisar mesclar as aulas presenciais com o e-learning e oferecer as duas opções aos alunos. Eles é que vão escolher."

Fundamental
Mas há oportunidades em outros níveis também. De acordo com o Inep, existe um déficit de 254 mil professores com formação superior e licenciatura para atender à demanda das turmas de ensino médio e de 5ª a 8ª série do nível fundamental no país.

Até 2006, a estimativa do MEC é que sejam abertas 125 mil vagas somente no ensino médio. De olho nas perspectivas, o engenheiro Luis Fernando Pereira, 39, cursa mestrado em administração de empresas para virar professor. "É uma carreira que respeita a experiência, há pessoas ativas com mais de 80 anos, diferentemente do que acontece em outras profissões", afirma.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Diversificação gera espaço para consultores

Um dos segmentos que estão pegando carona no quadro de expansão da educação é o da consultoria. "Estamos na era do conhecimento. As pessoas têm de aprender a vida toda", diz o ex-ministro da Educação (1995-2002) Paulo Renato Souza, 59, que hoje comanda uma empresa, a Paulo Renato Consultores.

Para ele, a tendência é haver uma diversificação ainda maior na oferta de cursos e serviços. E, para fazer frente a esse novo mercado, as instituições estão precisando se posicionar.

A missão das consultorias, nesse contexto, pode ser desmembrada em ao menos quatro frentes: a técnica (financeiro-pedagógica), a de treinamento (de gestores, técnicos e pedagogos), a burocrática (implantar e acompanhar projetos, planejar a captação de recursos) e a estratégica (elaborar a política educacional).

A consultoria do ex-ministro Paulo Renato atua com as áreas pública e privada e com organismos internacionais e fundações. Seu foco é o posicionamento estratégico da instituição no sistema educacional e a busca de recursos.

Já a firma do educador João Batista Araújo e Oliveira, 57, a JM-Associados, desenvolveu um programa de alfabetização de crianças que tem como clientes secretarias de educação de todo o país. "Quanto mais complexa a área, mais mercado gera, e é isso o que está ocorrendo com a educação."

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Empresas reclamam da falta de profissionais qualificados na área

Enquanto aumenta o ritmo de inovação tecnológica no país e cresce a aplicação da informática nos mais diversos setores da sociedade, formam-se cerca de 30 mil profissionais por ano em áreas ligadas à tecnologia da informação e comunicação (TIC). Ainda assim, as empresas reclamam da falta de profissionais.

"Temos uma janela de oportunidades em TIC no país. O que falta é gente qualificada", alerta Pier Carlo Sola, diretor-presidente do Porto Digital, parque tecnológico pernambucano que abriga 68 empresas da área.

Apesar de não haver estatísticas que revelem a expansão do setor, especialistas consultados pela Folha estimam o crescimento em torno de 10% ao ano.

Com isso, a não-regulamentação das profissões ligadas à computação torna ainda mais acirrada a disputa por vagas e delega ao mercado a seleção do bom profissional.

Há oito projetos de lei sobre o tema em tramitação na Câmara dos Deputados. Só o da Sociedade Brasileira da Computação (SBC) é contrário à regulamentação.

"Como a informática é transversal a todas as profissões, o exercício da atividade é livre. Por isso somos contra a reserva de mercado e a criação de conselhos de informática", diz Roberto Bigonha, diretor de regulamentação da SBC.

"Independentemente da formação, o profissional de TIC tem de estar comprometido com o aprendizado contínuo e interessado em trabalhar com gestão de projetos, saber se comunicar e trabalhar em diversas equipes", diz o gerente de carreiras da faculdade IBTA, Marcos Vono.

É uma carreira multifacetada, que encontra espaço em consultorias, cooperativas, grandes empresas, locais que terceirizam mão-de-obra ou no empreendedorismo. "Mas o profissional tem de ter visão do negócio e conhecer a realidade da empresa que atende, senão ficará sem emprego", alerta Ivair Rodrigues, agente de pesquisa em TI da IDC (International Data Corporation) no país.

Segundo o cadastro das instituições de educação superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep, ligado ao MEC), há 1.021 cursos superiores ligados a computação, informática, tecnologia da informação e análise de sistemas. "Mas só metade dos alunos tem formação adequada. Ou seja, de 12 mil a 16 mil novos profissionais precisam passar por uma requalificação logo que saem da universidade para poder entrar no mercado de trabalho", diz Sola, do Porto Digital.

Nichos
Há vários nichos promissores dentro do setor. "Segurança da informação é uma área que está explodindo", revela Gilberto Zorello, coordenador dos cursos de pós-graduação em Ciências Exatas do Senac/SP. "A segurança é fundamental para garantir que o negócio não esteja vulnerável, mas sempre disponível. As soluções que hoje são seguras amanhã não serão mais", completa.

O analista de sistemas Edy Muniz Rojas, 35, há dois meses é o responsável pela implantação da área de segurança da informação na Unimed. Ao identificar o nicho, ingressou no curso de gestão da segurança da informação, no Instituto de Pesquisa Nuclear, da USP. "O mercado é promissor, mas exige estudo contínuo."

"Hoje são apenas cerca de 500 profissionais especializados em segurança no país, que recebem de R$ 7.000 a R$ 9.000", diz Rodrigues, da IDC. Com salários de até R$ 12 mil, as áreas de consultoria e auditoria também tendem a crescer, demandando profissionais que saibam trabalhar com projetos e integrar as diversas áreas da empresa.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Certificação valoriza "passe" do profissional

"Ser certificado é, praticamente, ter mercado de trabalho garantido", revela Gilberto Zorello, coordenador dos cursos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia do Senac.

Dependendo da área de atuação do profissional, ter um documento oficial fornecido pelas desenvolvedoras dos principais sistemas operacionais disponíveis no mercado (Microsoft, Cisco, Oracle, Linux, entre outras) atestando sua competência pode tornar seu "passe" mais disputado e valorizado.

Danilo José dos Santos, 26, analista de suporte da Net Guide, viu seu salário engordar mais de 220% desde que conquistou a primeira certificação Cisco, há dois anos. "Sem esse documento eu não teria muita perspectiva de crescimento na empresa", conta.

Com a segunda certificação, que espera conseguir ainda neste ano, Santos será o segundo funcionário, entre 60, a ter o CNNP (uma das três certificações oferecidas pela Cisco) na empresa. "Com isso, espero novas propostas de trabalho e desafios maiores. O mercado está de olho; acho que passarei a ser mais "visto'", avalia.

Já na Accenture, consultoria em TI que pretende contratar 120 profissionais até dezembro, a certificação pode vir mais tarde. "Depois de uma experiência de seis meses na empresa, bancamos o teste", explica o consultor José Schettino.

"A demanda por profissionais certificados é cada vez maior, porque é uma forma de garantir a aprendizagem. Se tenho dois currículos na mão, um com certificação na área e outro não, o primeiro certamente levará a vaga", diz Carlos Eduardo da Cunha, diretor da Trevisan Tecnologia da Informação.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

A passeio ou a trabalho, segmento amplia perspectivas de atuação

Até há alguns anos, o turismo era pouco valorizado como gerador de emprego e renda no país. Apesar disso, a área se transformou em uma das maneiras mais baratas e rápidas de criar postos de trabalho. "Com um hotel de médio porte já é possível criar 150 vagas, no mínimo", afirma Luiz Carlos Nunes, presidente da ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis). Segundo ele, o custo de cada vaga é relativamente baixo, se comparado ao de outros segmentos da economia.

Agora, com o incentivo do governo, o setor tende a ficar ainda mais promissor: o recém-criado Ministério do Turismo lançou o Plano Nacional do Turismo, através do qual assume o compromisso de, em 2007, trazer 9 milhões de turistas estrangeiros ao Brasil (contra 4,1 milhões em 2003), gerando 1,2 milhão de empregos.

O potencial para crescer dentro da área é grande: os salários podem variar de R$ 400 a R$ 10 mil no ramo de hotéis. E, além dele, o turismo envolve outros 51 setores econômicos. "É uma grande possibilidade de desenvolvimento econômico para o país", comemora Eduardo Sanovicz, presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).

As poucas estatísticas de que o governo dispõe comprovam a tese: de 2002 para 2003, o número de turistas estrangeiros no país cresceu 8,12%, e o ingresso de dólares, 8,52%. De janeiro a julho deste ano, a alta em dólares que ficaram na economia brasileira- foi de 40,4% com relação ao mesmo período de 2003.

Olho nos executivos
Um dos nichos que mais vêm se destacando é o de eventos. A média de participação do Brasil em atividades de promoção comercial internacional na última década vinha sendo de 14 a 16 eventos/ano. Em 2003, esse indicador já subiu para 36, e a expectativa é que 2004 termine com a realização de 40 feiras e congressos.

Com isso, o país acaba de entrar para a lista dos 20 maiores realizadores de eventos internacionais da ICCA (International Congress & Convention Association), instituição da qual Sanovicz é terceiro-vice-presidente.

"O sul do planeta se tornou atraente, e o Brasil se destaca como destino para investimentos", diz. "O cenário no norte está complicado e tenso, os custos ao sul são menores", analisa.

Versátil
O profissional interessado em trabalhar nessa área deve ser multidisciplinar, uma vez que suas atividades englobam vários setores do mercado. Outra razão para a versatilidade é o fato de o segmento passar por um forte processo de segmentação. "Há uma dinâmica no setor turístico que o está dividindo em interesses específicos, como negócios, ecoturismo, aventura, rural e religioso", diz Milton Zuanazzi, secretário nacional de políticas públicas do Ministério do Turismo.

Além de dinâmico, o mercado de turismo usa saia e salto alto. "Não há números, mas o mercado é essencialmente feminino", afirma Zuanazzi. O nicho que mais oferece vagas, segundo ele, é o receptivo (responsável por receber turistas), que demanda muitos profissionais de nível médio.

Nem por isso, porém, a necessidade de formação é desprezada. "A tendência é o mercado buscar cada vez mais o profissional especializado no setor", comenta Luiz Carlos Nunes, da ABIH.

Mas o turismo não tem o monopólio do mercado de lazer, apesar de abocanhar boa parte dele. O mundo do entretenimento também tem bons prognósticos para o futuro e atrai muitos profissionais.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Casas noturnas e games estão em ascensão

Gastronomia, games, música, recreação. A lista de possibilidades na área de entretenimento é vasta. E, segundo analistas ouvidos pela Folha, tende a ficar maior à medida que diminui a jornada de trabalho e que a tecnologia proporciona mais tempo livre ao homem.

O número de casas noturnas da capital, por exemplo, cresceu 600% na última década, nas contas de Olavo Guerreiro, 32, um dos sócios da Boogie Disco, instalada na Vila Olímpia (oeste) há quatro anos.

O engenheiro Alexandre Privitera, 35, percebeu o potencial. Deu uma guinada em sua vida e, neste ano, investiu numa empresa de áudio profissional.

O crescimento do número de estabelecimentos na cidade influenciou a decisão. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo contabiliza, hoje, a existência de 5.000 a 6.000 boates e bares noturnos na capital.

O setor, porém, demanda profissionalismo. "De cada 10 restaurantes que abrem, 5 fecham as portas no primeiro ano", diz Mário Fuchs, diretor de comunicação do sindicato.

Jogos eletrônicos
Quem preferir apostar em games também estará em bom terreno. Em 1999, havia cinco desenvolvedoras de jogos no país. Hoje são 40, segundo a incubadora GameNet. O mercado movimenta R$ 100 milhões/ano, estima Kazushige Asanome, coordenador.

Cada projeto de jogo ocupa, em média, dez pessoas, entre roteiristas, designers, historiadores, músicos e até pedagogos. Uma das principais empresas brasileiras na área é a Ignis, criadora do game Erinia. "Já estamos negociando o desenvolvimento de jogos sob encomenda", conta o sócio César Augusto Barbado, 33.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Regulamentação não acompanha explosão do setor de bem-estar

Qualidade de vida se tornou um bem de consumo. A sentença, de Alberto Ogata, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, revela um campo fértil para profissionais especializados na promoção do bem-estar. "É uma área enorme, em crescimento e com poucos profissionais especializados", afirma ele.

Segundo estimativas do Sindicato dos Terapeutas (Sinte), há 150 mil profissionais na área no país, dos quais 40% em São Paulo e 25 mil novos terapeutas se formam por ano. Mas, apesar dos números elevados, as terapias alternativas (ou complementares) ainda carecem de regulamentação e comprovação científica.

"Por essas práticas não serem reconhecidas pelo Ministério da Saúde, é um terreno arenoso tanto para quem clinica como para o paciente", alerta o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, Clóvis Constantino. "Algum dia até poderão entrar no rol das profissões oficiais, mas, por enquanto, é uma prática "aventuresca"."

Por não ter nenhum curso reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), a área de qualidade de vida é constituída por profissionais de formação livre. "Via de regra, nossa orientação é que selecionem os cursos pelo seu conteúdo, sem ilusões quanto a diplomas", diz Henrique Vieira Filho, presidente do Sinte.

Pioneira
Em Santa Catarina (Unisul) e em São Paulo (Anhembi Morumbi) funciona um curso de graduação pioneiro nessa área, o de naturologia. Seu foco é a formação de um profissional especializado em terapias naturais para a promoção do bem-estar.

Aberto em 2002, o curso da Anhembi já conta com seis turmas e cerca de 220 alunos. "Por meio de uma pesquisa de mercado, identificamos essa área como um setor que cresce vertiginosamente. É preciso formar terapeutas que dominem a área energética, mas que também entendam de pesquisa científica", diz Cristina Sekiya, coordenadora do curso.

Fernando da Costa Guedes, 29, é um dos alunos da primeira turma. Depois de abandonar a carreira de advogado ambiental, Guedes buscou formação ampla em terapias vibracionais, orientais e ayurvédicas. "É um excelente campo de trabalho", afirma.

Os salários tendem a ser atrativos. Segundo Sekiya, variam entre R$ 50 e R$ 120 por hora.

Sem estresse
Cerca de 70% dos brasileiros sofrem com algum sinal negativo de estresse, segundo o Isma-BR (International Stress Management Association). Para combatê-los, profissionais estão em busca de formação específica.

É o caso de Isolina Proença, 49 anos. Formada em psicologia, um mestrado sobre combate ao estresse a fez identificar um campo de trabalho mais interessante. "A pós-graduação foi fundamental para enriquecer minha prática clínica", conta ela, que hoje trabalha no Instituto Psicológico de Controle do Stress, em Campinas.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Preocupação com a beleza alimenta mercado

Há dois anos, a fisioterapeuta Elenise Pereira da Cunha, 49, mudou a forma de encarar sua profissão. Quando deixou seus pacientes amputados para trabalhar com estética, achou que faria um trabalho "desnecessário".

"Mas percebi que o fisioterapeuta não precisa estar sempre ligado à patologia. Os aparelhos usados nas clínicas são os mesmos que usamos na faculdade", explica ela, hoje supervisora de procedimentos da Le Ru. A mudança fez com que seu salário engordasse em quatro vezes.

"As faculdades de fisioterapia já perceberam o filão e estão incluindo a estética em seus currículos, mas o exercício não é restrito a essa formação. Em dez anos, todo mundo vai ter seu esteticista, como hoje tem a manicure."

Doris Hexsel, coordenadora do departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, concorda: "O profissional de estética sempre terá mercado, as pessoas estão mais atentas à qualidade de vida".

Mas é preciso definir a carreira de acordo com os procedimentos que se deseje fazer. "O esteticista pode trabalhar no embelezamento da pele por meio de processos limitados, como massagens e limpezas da pele, mas não pode aplicar peelings nem lançar mão do botox técnicas de aplicação exclusiva dos médicos dermatologistas", diz ela.

Já o dermatologista, cuja formação exige cerca de dez anos de estudo, tem rendimento mais promissor por ser o único habilitado a aplicar tratamentos específicos. "É um profissional que se atualiza, é observador de detalhes", finaliza Hexsel, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Linguagens emergentes ampliam atuação

Quem já foi à 29ª edição da Bienal de Artes de São Paulo pôde ter uma idéia: a arte contemporânea concentra uma enxurrada de linguagens entrelaçadas e ilimitadas possibilidades de atuação.

Web art, arte-tecnologia, arte-ciência, videoarte, instalação, performance e interferência urbana são exemplos de conceitos que ganharam força no cenário mundial desde a década de 90. Ancorada neles, uma nova geração de artistas está se projetando.

Arte visual é o termo que define o campo. Nele, manifestações plásticas tradicionais como pintura, escultura, desenho e fotografia deixam de figurar como categorias excludentes para se tornarem cada vez mais interligadas.

"O artista de hoje não é mais especialista numa única linguagem. Ele pode pesquisar em gravura, registrar em fotografia e explorar conceitos espaciais na montagem de uma instalação", observa Marcelo Monzani, gerente do núcleo de artes visuais do Instituto Itaú Cultural. "Ele transita", resume.

Além disso, esse artista visual nem sempre é artista. Ou, pelo menos, não de formação. Pode ser tecnólogo, cientista, físico, arquiteto. A necessidade de inovação abrange perfis distintos.

Premiada na Holanda por uma peça em tapeçaria, a artista plástica Carla Tennenbaum, 25, é um exemplo. "Estou me aproximando cada vez mais do design", diz.

Para Monzani, a soma de educação formal, autodidatismo e abertura à troca de informações é um ponto forte no currículo. "A educação formal tem peso porque o mercado tem limitações. Nem sempre é fácil vender uma obra. Então recorre-se a outras frentes de sobrevivência como dar aulas, cursos ou palestras."

Artur Matuk, professor da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo), concorda com a importância do ensino formal. "A base de um curso universitário é fundamental para a arte-tecnologia. É preciso ter bagagem técnica."

Gestor
Empreendedorismo e ""networking" são outras chaves valiosas. E capacidade de autogestão para, por exemplo, tentar um lugar em salões, programas de incentivo à formação e prêmios. Muitos dos prêmios, aliás, são dados em dinheiro.
Antenada com a efervescência do setor, a Funarte (Fundação Nacional de Arte do Ministério da Cultura) lançou em julho a Rede Nacional de Artes Visuais, que reúne artistas em oficinas que devem ocorrer em todos os Estados. "Queremos contribuir para a formação dos artistas e educar as diversas regiões para receber a arte visual", diz Nelson Ricardo Martins, coordenador da rede.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Manter-se no mercado requer criatividade

A criatividade necessária à carreira de artes visuais não se restringe à capacidade de concepção de obras. Ela também precisa ser aplicada diariamente no processo de inserção no mercado. Pouco convencional, o caminho depende bastante das soluções encontradas pelo profissional na criação do seu próprio espaço.

"Nada é fácil, são as motivações pessoais que nos levam adiante. É preciso correr atrás, forçar a barra", comenta Daniela Brilhante, 29. Formada em arquitetura pela UnB (Universidade de Brasília), ela realiza projetos em artes visuais desde 1999. Vídeo e design são os suportes que mais utiliza.

Há dois meses, foi selecionada para fazer parte do Spa das Artes, em Pernambuco, com o projeto Fiteiro do ET Gay. Mascarada, vendia balas, cigarros e outros itens que ganharam a identidade visual do personagem que criou.

Em 2002, em parceria com o também artista visual Lourival Batista, 29, emplacou o Concurso do Mickey Feio como instalação premiada na Mostra Rioarte Contemporânea. O projeto consistiu em coletar desenhos e objetos de estética duvidosa que faziam referência ao personagem de Walt Disney. Faturou R$ 10 mil.

Arriscando suas primeiras atuações no circuito brasileiro, Aslan Cabral, 24, acredita que as artes visuais atravessam um "boom". "Há muita gente se lançando. Vai haver uma hora da verdade para peneirar os bons", ressalta.

Atualmente, Cabral usa a internet para levar pessoas em todo o mundo a reproduzir o logotipo da marca Coco Chanel em objetos inusitados. Em Recife (PE), a experimentação pode ser conferida em bueiros e lixeiras. Em Uberlândia (MG), um bosque inteiro ganhou árvores enfeitadas com o símbolo. Em Bilbao, na Espanha, grafiteiros misturam a marca aos seus trabalhos. "Não tem nada de protesto, é só mobilização coletiva", enfatiza Cabral.

Circuito próprio
Vencedora da edição 96 do Prêmio Philips para Jovens Talentos, Adriana Xiclet, 35, mudou-se do Espírito Santo para São Paulo em 1997. "Levei meu currículo de galeria em galeria. Acabei entendendo que o melhor era criar meu próprio circuito", conta a artista.

Desde 2001, Xiclet vive da Casa da Xiclet, uma galeria criada para impulsionar principiantes em artes visuais. "É um espaço para pré-lançamentos", define. (TD)

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)

 

Projeto do MinC quer capacitar jovens na área

Até o final de 2005, 50 mil jovens brasileiros com idade de 16 a 24 anos e oriundos de famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo deverão ter experimentado, por seis meses, a função de "agente cultura viva". Nela, devem receber bolsa mensal de R$ 150 para serem capacitados em linguagens artísticas -inclusive na das artes visuais.

Pelo menos é o que consta nas intenções do projeto Pontos de Cultura, conduzido em parceria pelos ministérios da Cultura e do Trabalho desde julho deste ano. O objetivo é injetar, num prazo de dois anos e meio, R$ 45 milhões no financiamento de projetos artísticos comunitários, equipando-os com estúdios multimídia plugados na Internet.

"Hoje há 5.000 jovens beneficiados pelas bolsas nos 214 Pontos de Cultura já aprovados. Em 2005, atingiremos os 50 mil, com 600 pontos ativos no país", afirma Célio Turino, secretário responsável pela empreitada no MinC.

Para ele, o fato de todos os pontos contarem com câmera digital e estúdio e serem estimulados a montar um site na internet deve impulsionar o desenvolvimento de talentos em artes visuais. Orçados em R$ 25 mil, os equipamentos são comprados com recursos do Pnud (Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento do Brasil).

"Os jovens recebem módulos de capacitação em cultura digital, e isso é somado ao reconhecimento da vocação cultural de cada região", explica Turino.

A proposta da capacitação é a de que a arte combinada à ferramenta tecnológica funcione como um atalho para a inclusão social e profissional. E possa figurar como alternativa aos empecilhos de galgar as etapas do ensino formal.

"Cultura e arte têm esse aspecto de abertura que pode potencializar conjuntos de energia produtiva. O processo de inclusão é mais ágil", observa o secretário.

O edital que selecionará novos pontos de cultura tem lançamento previsto para o final deste ano e poderá ser consultado no site www.cultura.gov.br.

(Folha de S. Paulo – 03/10/04)