|
Trabalhos temporários valorizam
currículo
Embora as oportunidades
não sejam tão expressivas quanto no verão,
o inverno concentra um bom volume de vagas de trabalhos temporários
nas férias. Esses "bicos" implicam renda extra
e podem ajudar a desenvolver aptidões relevantes para o desempenho
profissional.
Leia
mais:
- Trabalhos temporários valorizam currículo
- Maior parte das vagas é informal, diz associação
- Experiência nas férias tem duas faces
Trabalhos temporários valorizam currículo
Apesar do clima
frio, as férias de inverno podem representar uma oportunidade
eficaz de dar uma "aquecida" no currículo. O período
concentra um bom volume de oportunidades de trabalho temporário,
que, embora não sejam tão expressivas quanto as existentes
nas férias de verão, implicam renda extra e podem
até desenvolver aptidões relevantes para o desempenho
profissional.
E, se você
é daqueles para quem trabalho temporário ainda é
sinônimo de "bico", é hora de rever sua opinião.
De acordo com os especialistas, esse tipo de experiência pode
ser adotado como estratégia para chegar às metas traçadas
no plano de carreira.
"É
uma solução eficiente para quem está em busca
de recolocação e quer estreitar os laços com
o mercado", comenta Fabiana Atanes, 27, consultora de "outplacement"
(recolocação) da Manager. Segundo ela, o ideal é
que a atividade escolhida não seja distante da área
profissional do candidato.
"Um estudante
de educação física, por exemplo, não
deve atuar como temporário de uma representação
comercial. Por outro lado, pode ser realmente positivo acrescentar
ao currículo uma experiência como recreador",
diz.
O mês
de julho concentra, principalmente, oportunidades relacionadas a
lazer, recreação e atendimento ao público.
É também uma época que gera contratações
para eventos sazonais, como a temporada de inverno no município
de Campos do Jordão (SP).
Das mais de
1.000 vagas existentes para o período levantadas pela Folha,
cerca de 600 estão relacionadas às atividades sazonais
de inverno. Parques de diversões, como Hopi Hari, Playcenter
e Parque da Mônica, também ampliam seus quadros para
dar conta do aumento na visitação. Empresas de lazer
e promoção, assim como escolas de idiomas, completam
a lista de contratantes.
Na opinião
dos especialistas, entre as opções existentes nesse
leque, as atividades que lidam diretamente com o público
representam experiência válida para profissionais de
diversas áreas.
"Trabalhar
como promotor, tendo de abordar diretamente a clientela, é
uma forma de aguçar qualidades como iniciativa e jogo de
cintura, muito bem cotadas pelo mercado de trabalho atualmente",
avalia Sílvia Trindade, 29, da consultoria Adecco Top Services.
Já a
monitoria de recreação pode ser uma maneira de desenvolver
o espírito de liderança e a capacidade de trabalhar
em equipe, completam os consultores.
"Além
disso, o trabalho com lazer tem a qualidade de não ser uma
atividade geradora de sobrecarga. É trabalho, mas é
também uma espécie de hobby", completa Renata
Tavolaro Schmidt, consultora do Grupo Foco.
Aumentar a rede
de contatos, acrescentando potenciais empregadores à agenda,
é o maior benefício gerado pelo trabalho nas férias.
"É uma forma de ampliar o networking", diz Schmidt.
Em algumas empresas,
os profissionais selecionados para integrar a equipe temporária
de férias são candidatos à efetivação.
É o caso
da rede de lojas World Tennis, que vai incluir cem novos profissionais
nos seus quadros no mês de julho e pretende aproveitá-los,
de acordo com o desempenho, no organograma definitivo.
Nas unidades
da The Kids Club, rede de ensino de inglês para crianças,
monitores de recreação e professores que reforçam
a equipe durante as férias são observados de perto
pelas diretorias.
"Estamos
sempre em busca de pessoas eficientes. Se o temporário mostra
um bom serviço, é possível que se torne um
integrante do nosso quadro. Ou, pelo menos, que seja convidado a
atuar novamente em outras temporadas", diz Carla Mourão,
proprietária da unidade Morumbi, que contratará cinco
professores em julho.
(Folha de
S. Paulo - 03/06/03)
Maior parte das vagas é informal, diz associação
A maioria das
vagas criadas no mês de julho são informais e desobedecem
às determinações da lei para o trabalho temporário,
segundo a Assertem (Associação Brasileira das Empresas
de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário).
"Há
um aumento de vagas, mas essa demanda historicamente não
é atendida pelas empresas do setor", diz Necésio
Tavares Neto, presidente da Assertem. De acordo com ele, a maioria
das posições é aberta sem a assinatura de nenhum
contrato.
Pela lei, empregado
temporário (lei nº 6.019/74) é o contratado por
até três meses por intermédio de empresa especializada
para substituição de pessoal ou acréscimo de
serviços. Outra opção é o contrato por
prazo determinado (lei nº 9.601/ 98), que serve para aumentar
o número de empregados de uma empresa por até dois
anos.
(Folha de
S. Paulo - 03/06/03)
Experiência nas férias tem duas faces
Trabalhar nas
férias pode ser uma experiência válida ou um
verdadeiro flagelo, alertam os consultores. Por isso escolher algo
que traga satisfação pessoal e, se possível,
algum tipo de aprendizado, mostra-se o ideal. E é bom saber
que não é exatamente fácil conseguir uma vaga.
O estudante
de engenharia Tiago Felipe Correali, 18, precisou passar por uma
seleção dentro da empresa para a qual já prestava
serviços como monitor de acampamento para poder trabalhar
também nas férias.
"Em julho
o trabalho é diferenciado, e não há espaço
para todos os monitores", conta. Ele afirma que, além
do dinheiro, passar as férias cheio de responsabilidades
tem outras vantagens.
"É
também uma diversão. É um jeito de não
ficar bitolado só em contas e desenvolver habilidades de
relacionamento", afirma.
Já para
a estudante de dramaturgia Ana Paula Diniz Andreoli, 18, atuar como
monitora de recreação tem como principal atrativo
o fato de "não ser tão desgastante". "É
agradável e prazeroso."
O fator remuneração
não é o ponto principal, na opinião dela. "O
dinheiro extra é interessante também, mas não
dá para contar muito com isso", diz Andreoli. "Não
é uma quantia que deva ser incorporada ao orçamento."
Para os que
não têm muita habilidade para lidar com público,
o melhor mesmo é nem pensar em se candidatar a um posto nos
parques de diversões, ensina o estudante de biologia Daniel
Silva, 21.
No ano passado,
foi selecionado para uma vaga temporária em um grande parque
de diversões, mas "pediu as contas" depois de apenas
duas semanas de trabalho. "É preciso ter muita paciência
para lidar com tantas crianças eufóricas acompanhadas
de pais superexigentes. Não era o meu perfil, foi melhor
sair", avalia.
(Folha de
S. Paulo - 03/06/03)
|