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Contratação de aprendizes
cresce e reduz desemprego entre jovens
O interesse
de empresas na contratação de jovens tem aumentado
nos últimos anos, mas ainda está longe de reduzir
a alta taxa de desemprego nessa faixa etária. A desocupação
entre pessoas entre 15 e 17 anos é três vezes maior
que a média, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
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Contratação de aprendizes
cresce e reduz desemprego entre jovens
O interesse
de empresas na contratação de jovens tem aumentado
nos últimos anos, mas ainda está longe de reduzir
a alta taxa de desemprego nessa faixa etária. A desocupação
entre pessoas entre 15 e 17 anos é, historicamente, três
vezes maior que a média, segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
A lei 10.097,
regulamentada no fim de 2001, conhecida como Lei do Aprendiz, foi
um incentivo às empresas, na opinião do diretor técnico
do Senai, Walter Vicioni. Segundo ele, dos 18 mil alunos matriculados
no Estado de São Paulo nos cursos de aprendizagem profissional,
40% têm contrato de trabalho com indústrias. É
o dobro do percentual observado há dois anos.
A Lei do Aprendiz
obriga as empresas de médio e grande porte a ter de 5% a
15% de aprendizes no total de empregados. Em contrapartida, há
uma redução na alíquota do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS).
A Bayer, porém,
se antecipou à lei. Desde 1981, a empresa do setor químico
contrata jovens perto dos 16 anos. A experiência começou
focalizando dois cargos, de laboratorista e de operador de produção.
Cinco anos depois, a companhia ampliou a quota de jovens para a
área de manutenção. "A dificuldade de
conseguir laboratorista nos fez investir na formação
desses profissionais", diz o supervisor de treinamento da Bayer,
Arturo Dominguez Rodriguez.
Com a reestruturação
da empresa, em 1998, foram feitas algumas alterações
no projeto. O centro de treinamento para menores, montado na empresa,
foi extinto. A partir daí, os jovens começaram a estudar
no próprio Senai, responsável pela seleção.
Em 22 anos,
231 jovens passaram pela formação profissional, sendo
que seis ainda estão em treinamento. E dos 650 funcionários
que a empresa mantém hoje, em Belford Roxo (RJ), 69 são
ex-aprendizes.
O interesse,
porém, não é isolado do setor industrial. A
Indiana Seguros, por exemplo, vai contratar nesse mês doze
jovens de 14 anos - idade mínima prevista pela lei. Antes,
apenas adolescentes a partir dos 16 anos podiam trabalhar formalmente.
Para seu presidente,
Guilherme Afif Domingos, a Lei do Aprendiz deve ser encarada como
um complemento do programa Primeiro Emprego, uma das principais
bandeiras de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. "A
crise do desemprego afeta especialmente os jovens, sem experiência
para entrar em um mercado de trabalho cada vez mais seletivo",
diz Afif Domingos. "E esses jovens estão sendo cooptados
pela informalidade, quando não pelo crime", continua.
Afif Domingos,
também da Federação das Associações
Comerciais do Estado de São Paulo, comenta que a entidade
se aliou à Associação Comercial de São
Paulo e à Rede Brasileira de Entidades Assistenciais Filantrópicas
(Rebraf) no Movimento Degrau - entidade que busca a integração
das empresas com o terceiro setor.
Pela lei, organizações
não governamentais (ONG) podem fazer a seleção
dos adolescentes, além de serem responsáveis pelo
contrato e certificado do curso, que concilia trabalho e estudo.
O Degrau espera
inserir 120 mil adolescentes no mercado de trabalho, no Estado de
São Paulo, nesse primeiro ano de atuação. Para
isso, estão sendo criados conselhos no interior de São
Paulo, para esclarecer empresários sobre a lei.
(Valor Econômico
- 06/03/03)
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