Jovem
tratado como 'gente grande'
Fundamental para qualquer estudante
universitário que pretenda seguir carreira em sua área,
o estágio tem se tornado um programa cada vez mais disputado
e complexo, assim como o próprio mercado de trabalho.
Antigamente, para preencher uma vaga
de estágio bastava que o aluno estivesse matriculado no curso
desejado pela empresa. “Hoje a seleção é
bastante rigorosa, em diversas etapas e é preciso que ele
se encaixe no perfil e agregue valor à organização”,
afirma a gerente técnica de estágio do Centro de Integração
Empresa-Escola (Ciee), Sylvana Santos Rocha.
O conhecimento técnico e acadêmico
também não são mais suficientes. “O perfil
do novo estagiário inclui competências principalmente
comportamentais e são elas que fazem a diferença na
hora da seleção e desempate entre candidatos”,
explica a coordenadora da Empresa Júnior da Universidade
Cruzeiro do Sul (Unicsul), Fátima Carvalho
Boa comunicação, dinamismo,
bom relacionamento interpessoal, facilidade de aprendizagem e de
adaptação são algumas das habilidades mais
cobradas atualmente dos futuros profissionais.
Tantas exigências acontecem porque,
assim como nos programas de trainee, as empresas estão cada
vez mais enxergando nos estagiários futuros diretores, gerentes
e líderes.
“A competitividade e falta de
mão-de-obra qualificada faz com que os estudantes acabem
tendo mais responsabilidades. Geralmente as empresas têm planos
a médio e longo prazo para eles e calculamos que 64% são
efetivados”, afirma Sylvana.
APRENDIZADO
Na busca de futuros profissionais altamente
qualificados, entretanto, diz Fátima, algumas empresas acabam
“exagerando na dose”, desperdiçando talentos
e distorcendo os objetivos reais de um estágio.
Na opinião da coordenadora,
elas querem contratar iniciantes com perfil de funcionários
experientes. Acabam assim frustrando os jovens e, conseqüentemente,
criando problemas internos para os gestores, que vão exigir
dos estagiários muito mais do que eles poderão oferecer.
“É preciso lembrar que
a essência de um programa desse tipo é o aprendizado
e o desenvolvimento do estudante. Ele precisa ser avaliado e orientado
pelos seus gestores periodicamente”, ressalta.
O ideal, segundo ela, é que
os contratantes tenham um departamento de gestão de pessoas
organizado, com planejamento estratégico alinhado aos objetivos
da companhia. “É preciso dar ao estagiário atividades
que o permitam colocar em prática e desenvolver as competências
exigidas, já pensando em prepará-lo para novas funções.”
Para Sylvana, do Ciee, oferecer um
programa adequado e investir no jovem talento é tão
importante que o centro criou um curso rápido para os gestores
desses estudantes, no qual são passados os valores e a importância
do estágio.
“Além disso, premiamos
também as melhores empresas para estagiar, em uma pesquisa
que incentiva o aperfeiçoamento dos programas.”
RESPONSABILIDADES
Cursando o último ano em Marketing,
a estudante Michele Okuhara é estagiária da Unilever
e, embora reconheça que o processo seletivo tenha sido bastante
rigoroso, sente que tem espaço para crescer na empresa.
“Tenho uma rotina puxada. Acompanho
dados, faço análise de mercado e plano de comunicação,
falo com agências e até coordeno lançamento
de produtos. É um trabalho bastante dinâmico.”
Michele revela que ao assumir responsabilidades
e ter de tomar decisões - ainda que sob supervisão
- deu a ela uma postura mais profissional em pouco tempo. “Você
está naquela fase mais descontraída de faculdade e,
de repente, é preciso se portar como um futuro empresário.
É um grande desafio”, diz.
Outra habilidade que foi cobrada de
Michele no processo seletivo e que ela tem a oportunidade de pôr
em pratica com freqüência é o uso de outros idiomas.
“Por se tratar de uma multinacional, recebemos diversos documentos
em inglês e também temos contato com as equipes de
marketing de países latino-americanos.”
(O Estado de S. Paulo)
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