Diversidade de áreas ajuda estudante a complementar formação

Embora faça parte dos sonhos de muitos estudantes universitários, ser efetivado pela empresa logo no primeiro estágio nem sempre é o desfecho de maior contribuição para a carreira.

Leia mais:
    - Estágio deve ser época de experimentação
    - Testar ajuda a descobrir a melhor área
    - Saber o que quer incita torcida por efetivação
    - Pesquisa revela indiferença de estudante
    - Empresas estimulam doação de parcela do IR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estágio deve ser época de experimentação

Embora faça parte dos sonhos de muitos estudantes universitários, ser efetivado pela empresa logo no primeiro estágio nem sempre é o desfecho de maior contribuição para a carreira.

Segundo consultores ouvidos pela Folha, o mais correto é encarar essa etapa como uma complementação à formação, ou seja, um período para experimentar as diferentes possibilidades de atuação dentro de uma determinada área.

Dessa forma, quanto mais diversificadas forem as atividades realizadas pelo estagiário, maiores serão as chances de ele saber o que gosta e o que não gosta de fazer profissionalmente. E, quanto mais distintos forem os perfis das empresas com as quais ele colaborar, mais precisos serão seus parâmetros comparativos na hora de escolher aquela área em que pretende seguir carreira.

Para Marco Antônio Quége, professor de gestão de pessoas do Ibmec São Paulo, dois fatores turvam a visão do estudante brasileiro quando o tema é seu desenvolvimento profissional.

"O primeiro é que, em vez de buscar complementação acadêmica, ele busca complementação de renda. É tão difícil chegar ao ensino superior no país que quem chega quer logo ganhar dinheiro. O segundo é que muitas empresas transformam o estudante em fonte de mão-de-obra barata em vez de encará-lo como alguém em fase de aprendizado.

"Defensor da rotatividade máxima durante os anos de curso superior, Quége sugere um estágio a cada semestre. "Seria fantástico acumular oito referências diferentes de atuação: numa grande empresa, numa pequena, numa firma familiar, numa ONG e numa "pontocom'", enumera.

Namoro
Estudante do quinto ano de economia, Leandro Martins, 23, está no seu quarto estágio. Dessa vez, o foco é remuneração. Antes, atuou na área de fundos de investimento da Anbid (Associação dos Bancos de Investimento), provou o setor comercial da Infraero e a controladoria financeira do Citibank. Hoje acredita estar no lugar em que gostaria de ser efetivado.

"Estágio é igual namorada, não dá para casar com a primeira. Tem de namorar várias para poder dar valor na hora que encontrar a certa", compara.

Para ele, o período do primeiro ao quarto ano do curso universitário deve ser reservado para "rodar". "A partir daí, é hora de tentar se firmar e definir onde gostaria de ser contratado", acredita. Para escolher, Martins considera o clima organizacional como um dos fatores de peso.

"Experimentei vários ambientes. Nem sempre a empresa mais famosa é a que oferece melhor clima para trabalhar", pondera.

Estagiário de computação da IBM há um ano, Fernando Mologne, 23, descobriu através de experiências distintas que prefere atuar numa grande empresa a fazer parte de uma pequena.

Antes passou pelas áreas de suporte e de administração de redes de firmas menores. "Nas pequenas, o título é de estagiário, mas as tarefas são de profissionais. Foi aqui que encontrei formação de verdade", analisa Mologne.

Para Telma Helena Benedito Moreira, 35, gerente-geral da Central de Estágios, "rodar" também é uma maneira de criar sua rede de contatos. "O "networking" tem um peso muito grande na carreira. Além disso, um bom estagiário sempre pode bater na porta da empresa para tentar voltar depois", afirma.

(Folha de S. Paulo – 05/12/04)

 

Testar ajuda a descobrir a melhor área

Quando o estudante de comunicação Fabrizio D'Angelo Penteado, 23, decidiu trocar o estágio em produção de televisão por outro em fotografia, foi o desafio da novidade que o atraiu. "Nem sabia se gostava ou não da área", conta.

Hoje Penteado, fotografando para o Instituto Itaú Cultural, diz estar mais feliz do que antes. "Sempre tive uma relação forte com a imagem, mas não percebia isso direito. Hoje reconheço essa atração. Quero ser fotógrafo.

"Também foi trocando de empresa por três vezes- que a analista de marketing Juliana Costa, 26, descobriu o que queria entre as possibilidades de atuação da área.

"Faço a comunicação empresarial e hoje sei que sou muito melhor "mandando" na agência do que se estivesse lá dentro", diz. "Tem de sair toda vez que não estiver gostando", conclui.

(Folha de S. Paulo – 05/12/04)

 

Saber o que quer incita torcida por efetivação

Apesar da argumentação dos especialistas sobre o estágio ser a época mais propícia para tirar proveito da rotatividade, muitos estudantes continuam a torcer pela efetivação na primeira empresa. O motivo geralmente é não sentir necessidade de "rodar" para ter certeza do que quer.

"É direito trabalhista mesmo", afirma, sem titubear, Priscila Ernandi, 26, aluna do terceiro ano de direito e estagiária nessa área na ABB (tecnologia de energia e automação). "Sinto que é esse o ramo com o qual tenho mais afinidade. Não preciso mais testar. Além disso, segurança também importa", completa.

Ernandi emenda que não adquiriu essa certeza "do nada". "Trabalhei com RH e comecei a estudar direito pensando nessa especialização." Até o estágio na ABB, ela diz que uma interrogação ainda existia. "Mas foi começar a atuar para comprovar que é o que quero. Não tenho mais dúvidas", revela a estudante.

Telma Helena Benedito, da Central de Estágios, considera "complicado" falar em convicção nessa época da carreira. "Quando os estagiários me dizem que já sabem o que querem, sempre torço para que tenham mesmo razão." Para a especialista, grande parte da torcida pela efetivação na primeira experiência está relacionada ao medo do desemprego.

"É um fantasma que assombra a juventude, há sempre esse temor de sair da universidade sem trabalho. Mas querer ficar só por desconhecimento de outras possibilidades é um erro", enfatiza.

Ganho de tempo
Dentro das empresas, porém, os responsáveis por recrutamento e seleção apontam que quem "descobre logo o que quer" ganha tempo. "As firmas encaram o estagiário como um "pré-profissional" e o que querem mesmo é encaixá-lo logo no organograma", analisa Tania Leite Padilha, coordenadora de recursos humanos da Sinpress (tecnologia).

Na opinião dela, embora exista mais flexibilidade em relação aos resultados do estagiário, os que demonstram, em menos tempo, bom desempenho e satisfação tendem a desenvolver trajetórias mais bem-sucedidas no mercado.

"Às vezes, a desmotivação é decorrente de outros aspectos, como a falta de estímulo no estágio. Há casos em que ele adora o que faz, mas é deixado com as mesmas tarefas durante muito tempo e começa a duvidar se é aquilo mesmo o que quer", diz Padilha.

A idéia de sair para buscar novos desafios não chegou a acometer Fabrício Cirelli, 23, gerente de contas do BankBoston. Ele entrou no banco como estagiário em 2000, quando cursava o primeiro ano de administração. "Há intercâmbio entre as áreas. Foi como fazer vários estágios na mesma empresa.

"Cirelli acredita que ser "prata da casa" do BankBoston é um ponto forte no seu currículo. "Acho que, mesmo que eu saia daqui, o fato de a minha formação profissional ter sido estruturada na casa será bem-vista", diz ele.

(Folha de S. Paulo – 05/12/04)

 

Pesquisa revela indiferença de estudante

Para a maioria dos universitários dos cursos de comunicação, de psicologia e de tecnologia da informação, "tanto faz" é a resposta mais dada quando questionados sobre em qual segmento da sua área gostariam de atuar.

A constatação é um dos dados obtidos pela pesquisa inédita Empresa dos Sonhos dos Universitários, realizada neste ano pelo LabSSJ com 44 mil estudantes do ensino superior. E pode servir de indicativo da falta de informação sobre as possibilidades reais de atuação na profissão escolhida.

De um total de 266 estudantes de comunicação entrevistados, 86 (32%) afirmaram que gostariam de trabalhar em qualquer segmento do setor.

Entre 63 entrevistados do cursos de psicologia, 19 (30%) também revelaram ser indiferente a área em que gostariam de atuar. A mesma resposta deram 49 (29%) dos 168 graduandos de tecnologia da informação.

Há áreas em que os universitários parecem ter mais noção do que querem. Em ciências econômicas ou contábeis, por exemplo, "qualquer segmento" foi a quarta resposta mencionada (15%), ficando atrás de "instituições financeiras" (32%), "indústrias" (28%) e "consultoria" (18%). Nos cursos de direito, a preferência é pela indústria (31%), e 22% dizem se interessar por trabalhar em "qualquer segmento".

A pesquisa verificou também o que, na opinião dos estudantes, o programa de estágio deveria oferecer. "Possibilidade de crescimento" foi uma das respostas escolhidas por 499 entrevistados, 32% do total. "Rodar pelas diferentes áreas" só figurou nos desejos de 283 (18%), e 234 (15%) afirmaram que o estágio deve fazer com que eles "não tenham vontade de mudar de empresa".

Autonomia
"Ter mais possibilidade de autonomia" foi uma característica reivindicada por 140 estudantes (9%). E foi justamente por se deparar com ela que Anna Carolina Salles, 22, decidiu ficar na empresa em que fez seu primeiro estágio, a Pizza Hut. Formada em administração de empresas, Salles sempre teve como hobby fazer copos pintados à mão.

"A empresa valorizou isso e me deu espaço para implementar o projeto Butique Pizza Hut. Nele, criei uma lojinha com produtos que levam a logomarca da pizzaria. Entre eles, há uma taça assinada por mim." A idéia está dando certo, e hoje a butique já responde por 8% do faturamento da rede.

Efetivada na área de marketing depois de formada, ela diz que a abertura pesou bastante na sua escolha. "É sensacional ver minha bagagem ser aproveitada dessa forma pela empresa."

(Folha de S. Paulo – 05/12/04)

 

Empresas estimulam doação de parcela do IR

Doar uma parcela do Imposto de Renda devido a projetos sociais com foco em crianças e adolescentes e, no ano seguinte, ver restituído esse mesmo valor em sua conta bancária. Essa possibilidade existe e é aberta tanto a pessoas físicas como a jurídicas.

Algumas empresas, já doadoras, têm estimulado seus colaboradores a fazer uso da lei nº 8.242/91 e a destinar recursos ao FIA (Fundo da Infância e da Adolescência), administrado pelos Conselhos de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente que existem nas esferas federal, estadual e municipal.

O pacote de ações vai de campanhas de sensibilização, informações na intranet e campanhas casadas, que indicam um projeto específico como receptor dos recursos, até links que calculam o valor permitido. Isso porque, no caso de pessoa física, a destinação é limitada a 6% do valor devido. Para pessoa jurídica, o limite é de 1%.

Só pode fazer a doação quem declara o IR pelo modo completo (pessoa física) ou pelo lucro real (jurídica). O processo é o seguinte: o contribuinte deve escolher o fundo que será beneficiado e fazer o depósito até 31 de dezembro do ano-base da declaração. Depois, basta enviar o comprovante ao conselho que gerencia o fundo escolhido para que seja providenciado um recibo da doação.

Com a participação das empresas, a destinação fica mais simples. A Fundação Telefônica, por exemplo, promoveu em novembro uma campanha de sensibilização dos funcionários de duas companhias do grupo.

Um link na intranet calculava quanto seria deduzido, o colaborador indicava que queria fazer a doação, e o valor era debitado do 13º salário. A fundação se encarrega de enviar o comprovante ao conselho e de entregar o recibo ao doador.

De acordo com Sérgio Mindlin, 58, diretor-presidente da fundação, a intenção é ampliar a campanha em 2005. "Agir em prol da criança e do adolescente é uma forma de envolver o funcionário nas ações da fundação", afirma.

No BankBoston, campanha similar existe desde 2000 e, esporadicamente, acontece casada com um projeto social específico. "Convidamos os funcionários a participar do projeto mensalmente, com o valor que ele teria de pagar de IR diluído", explica Sônia Savaretto, superintendente-executiva de RH do banco. "Esse é um mecanismo muito simples e que dá resultado", finaliza.

O Instituto Telemig Celular, em parceria com o Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, montou uma campanha de olho nas empresas. O site oferece uma estrutura de divulgação completa. Em São Paulo, o Condeca (Conselho Estadual da Criança e do Adolescente) também oferece informações: 0/xx/ 11/222-4441.

(Folha de S. Paulo – 05/12/04)

 
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