Executivos ensinam jovens a montar e gerenciar o próprio negócio no futuro

Tirar o projeto de uma empresa do papel superando todas as adversidades de mercado e dispensando todo o cuidado devido para que o empreendimento seja bem sucedido. Este é o principal objetivo do "Miniempresa", programa desenvolvido pela Embraer em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos (SP), que visa incitar o espírito empreendedor em jovens, com idades entre 14 e 16 anos.

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Executivos ensinam jovens a montar e gerenciar o próprio negócio no futuro

Tirar o projeto de uma empresa do papel superando todas as adversidades de mercado e dispensando todo o cuidado devido para que o empreendimento seja bem sucedido. Este é o principal objetivo do "Miniempresa", programa desenvolvido pela Embraer em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos (SP), que visa incitar o espírito empreendedor em jovens, com idades entre 14 e 16 anos, que estão cursando a oitava série.

O diferencial do programa é que as noções sobre o que é ser empreendedor são dadas pelos próprios executivos da Embraer, das áreas de recursos humanos, finanças, marketing e produção. Todos participam do "Miniempresa" como voluntários. São vinte profissionais se revezando, toda semana, na tarefa de ensinar os meandros da administração corporativa para os representantes da nova geração.

A metodologia utilizada vem da Junior Achievement, uma fundação americana de ensino, sem fins lucrativos, que atua em 112 países. "Utilizamos o material fornecido pela fundação também para preparar os executivos instrutores", explica Luiz Sergio de Oliveira, diretor de desenvolvimento social da Embraer e coordenador do programa.

Para os 50 jovens participantes, que foram selecionados pela Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos em escolas públicas da região, o programa está sendo uma experiência única. Depois de terem idealizado seus produtos e negócio, todos tiveram que ir a campo vender as ações de suas "miniempresas" para amigos e parentes a fim de capitalizar seus empreendimentos. Reuniram um pequeno capital de giro, compraram seu estoque inicial, montaram suas linhas de montagem, fizeram suas folhas de pagamento e estão seguindo todas as etapas de organização de uma companhia tradicional. "No final eles terão até que prestar contas para os acionistas", explica o coordenador.

Marília de Andrade, 14 anos, foi eleita pelos colegas diretora financeira de uma fábrica de chocolates idealizada por um dos grupos criados pelos alunos. Entre as suas atribuições estão: o controle do fluxo de caixa, do estoque, o balanço e a temida demonstração de retorno aos acionistas. "Eu sou a controladora do dinheiro", diz orgulhosa. "Estou gostando e até pensando em um dia montar meu próprio negócio".
Já Aline de Castro, 14 anos, recebeu uma missão ainda mais delicada. Foi eleita presidente da mesma empresa e terá que administrar e motivar funcionários. "Como líder da companhia tenho que ser o exemplo", explica, com a lição bem aprendida, na ponta da língua.

Para os mestres executivos, ensinar os mais jovens além de ser uma experiência divertida, tem servido como um incentivo para novas idéias e projetos. "Estamos até desenvolvendo um sistema para facilitar o funcionamento da parte financeira das empresas dos alunos", diz José Ricardo Marques Rêgo, engenheiro de produção de materiais da Embraer, especialista em planejamento corporativo e que está estreando como porfessor.

O grande desafio para os executivos é abandonar o jargão do mercado para serem melhor compreendidos pelos jovens. "É um treino para a gente também ", explica o administrador de empresas, George André Galvão Esteves.

O astral da turma também é uma motivação a mais para os professores. "A energia dessa nova geração ajuda a recarregar a bateria para o dia-a-dia do trabalho", enfatiza Ademir Domingues Goldoni, assessor de análise de negócios da Embraer.

As aulas do "Miniempresa" estão sendo ministradas no colégio Engenheiro Juarez Wanderley, em São José dos Campos. A escola foi inaugurada em fevereiro pelo Instituto Embraer de Educação e Pesquisa e é dirigida ao ensino médio. É frequentada hoje por 200 alunos do Vale do Paraíba, selecionados entre mais de 6,3 mil candidatos de escolas públicas. Com equipamentos multimídia, quadras de esporte e laboratórios, o colégio oferece aos alunos 9 horas de aulas diárias e alimentação. O método de ensino aplicado é o Pitágoras. "Nossa intenção é até 2004 ajudar a formar pelo menos 600 estudantes", diz o diretor de desenvolvimento social da Embraer.

(Valor - 09/05/02