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Empresas flexibilizam horário para quem trabalha e estuda
O Brasil tem
3,5 milhões de jovens entre 18 e 24 anos matriculados no
ensino superior – 8% do total de pessoas nessa idade –,
mas são raras as estatísticas sobre quantos deles
trabalham ou qual é o perfil do trabalhador universitário
no País, informa Marcio Pochmann, professor do Instituto
de Economia da Unicamp e especialista em mercado de trabalho.“O
time de estagiários no País é da ordem de 800
mil, mas pouco sabemos sobre eles. Os dados são pouco transparentes”,
afirma.
Preocupados
com a rotina de quem trabalha e estuda, algumas empresas e profissionais
de recursos humanos tomam a diante ira e tornam mais flexível
o trabalho para os jovens. “É o primeiro ano em que
formalizamos a flexibilidade de horários”, conta Luciana
Farisco, gerente de Talentos da IBM, que oferece 450 vagas de estágio.
A executiva
explica que, na empresa, o estagiário pode fazer uma semana
comprimida: trabalhar um ou dois dias a menos e aumentar a carga
horária nos outros dias, para compensar. Para não
perder alunos de universidades com carga de estudo puxada, ressalta
Luciana, a IBM criou o programa de verão: durante as férias,
recebe alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica
(ITA) para estágio de quarta a sexta-feira. Segundo a executiva,
é um desafio difundir que o foco principal do estagiário
é a universidade.
“Temos
tentado nos adequar às grades curriculares pesadas de teoria
e orientar os nossos gestores que, muitas vezes, não terão
os estagiários aqui todos os dias da semana”, conta.
Em outra empresa
de tecnologia, a Microsiga, a questão do horário é
negociada caso a caso, de acordo com a área, explica o diretor
de Relacionamentos Humanos, Flavio Balestrin. “Propomos aos
líderes que busquem desenvolver maturidade no estagiário,
para que ele aprenda a lidar com horários e responsabilidades”.
Danielle Gaeta, por exemplo, faz estágio em marketing na
empresa e à noite estuda comércio exterior no Mackenzie.
Se o começo
desestruturou sua rotina, agora a estudante conta que já
se acostumou. “Normalmente, estudo no final de semana, no
café, no almoço”.Os horários também
são flexíveis. “Se entro o sete, posso sair
às16horas ou posso chegar até 9 horas e sair lá
pelas 18h30”.E ela ainda passou a ter plano de carreira. Segundo
Balestrin, o índice de aproveitamento de estagiários
na empresa ultrapassa 95%.
(O Estado
de S.Paulo – 08/06/05)
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