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Estudantes
agora escolhem onde vão começar a carreira
Não bastasse lidar
com a falta de falta de mão-de-obra que afeta diversos setores
da economia, os departamentos de recursos humanos das empresas têm
de enfrentar mais uma dificuldade: como atrair os jovens talentos,
que hoje podem escolher onde querem trabalhar.
“O jovem profissional
que reúne as características para se classificar no
programa de trainees de uma grande empresa pode facilmente ser aprovado
não só em um, mas em diversos processos seletivos
diferentes”, diz Afonso de Moura, presidente da Perfil de
Talento, consultoria especializada na busca de estudantes para cargos
de trainee e estagiário. “Assim, é ele quem
escolhe onde trabalhar, e as empresas têm de se esforçar
para reter o talento.”
A trainee de auditoria
da consultoria KPMG, Alda Pimentel, passou por essa escolha. “Havia
participado de cinco processos seletivos, e avancei bastante em
dois. No final, optei por ficar na KPMG por causa do plano de carreira
bem estruturado da empresa, o auxílio para educação
e pelos desafios que me oferecem no dia-a-dia”, explica.
Adriana Zanini, diretora
de RH da KPMG, diz que cerca de 70% dos trainees fazem carreira
dentro da empresa. “Ganhamos mais do que perdemos essa briga
por talentos”, brinca. “Desde o início, eles
são contratados como funcionários e seguem o plano
de carreiras. Como o mercado de auditoria está aquecido,
é possível galgar posições a cada três
anos.”
A empresa está
com inscrições abertas para o processo de trainees
deste ano até o dia 20, pelo site www.kpmg.com.br, e selecionará
400 jovens - com destaque para a área de auditoria. “A
nova lei das S/A e as práticas de governança corporativa
fizeram esse mercado crescer imensamente, e todas as empresas da
área buscam novos profissionais”, diz ela.
Na Ford, o próximo
processo seletivo ocorre apenas no ano que vem, mas o supervisor
de treinamento da empresa para a América do Sul, Gilson Filho,
já adianta que a maior parte das vagas será voltada
para a área de engenharia. “Não somos só
nós, mas todo o setor industrial está procurando engenheiros”,
afirma. “Mas mesmo trainees de outras áreas, como vendas
ou comunicação, passam por toda a empresa.”
O trainee de marketing
e vendas Mário Pereira optou pela Ford, após ser aprovado
na montadora e em outra empresa do ramo industrial. Brasiliense,
hoje trabalha em São Bernardo do Campo (SP). “A estrutura
robusta do programa me atraiu. Mas não posso excluir a remuneração
e os benefícios, que incluem cursos e auxílio em pós-graduação.”
Além de atuar em diversas áreas, os trainees passam
três semanas trabalhando com os diretores de seu setor.
Gilson Filho afirma que,
para reter talentos, é preciso “saciar suas ansiedades”.
“São pessoas muito dispostas a enfrentar desafios,
mas querem receber algo em troca. Há alguns anos, os profissionais
tinham outro perfil, menos ambicioso.”
Cerca de 600 mil estudantes
participam de programas de trainee e estágio no Brasil. “Porém,
nem 5% deles recebam remuneração e oportunidades semelhantes
aos dos funcionários já efetivados. Sem desafio e
reconhecimento, a rotatividade é altíssima”,
diz Moura, da Perfil de Talento. “Não é fácil
segurar um bom profissional, mesmo em início de carreira.”
(O Estado
de S. Paulo)
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