Cursos de Direito apostam em novas disciplinas

O bom profissional de direito não pode ser apenas conhecedor das leis. O mercado de trabalho exige mais. Agora, as faculdades começam a fazer o mesmo. A aposta é "quebrar" o conservadorismo da área e formar profissionais mais versáteis e que consigam dialogar mais facilmente com pessoas de outras áreas. Para isso as universidades mudaram o método de seleção dos vestibulandos e inseriram disciplinas no curso que ajudam a desenvolver a criatividade.

Exemplo disso é o que a Fundação Getúlio Vargas de São Paulo pretende realizar em seu primeiro vestibular para o curso de direito. Não haverá prova de múltipla escolha. "Queremos selecionar o melhor aluno, o que tem o melhor perfil, para formarmos o melhor profissional", resume o vice-diretor do curso de direito da Getúlio Vargas, Paulo Goldschmidt.

Segundo ele, os profissionais formados atualmente não atendem às expectativas do mercado. Por conta disso, a FGV decidiu entrar na disputa pela formação de bacharéis em direito. Para a elaboração da grade curricular, a fundação realizou uma pesquisa com escritórios de advocacia, empresas e "headhunters" -caçadores de talentos.

O resultado foi unânime. Espera-se que o profissional de direito tenha conhecimento sólido e capacidade de dialogar com segurança com pessoas de outras áreas. "Queremos que o nosso aluno tenha um preparo mais amplo e não que ele seja um mero conhecedor de leis", afirma Goldschmidt.

Com esse propósito em vista, destinou, além das aulas tradicionais do curso, disciplinas que facilitem o diálogo entre profissionais de áreas distintas. Em determinado momento, os alunos de direito assistirão a aulas de administração e de economia com os alunos desses cursos.

Na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), os estudantes de direito passaram a ter uma nova disciplina na grade. Desde o início do semestre, os alunos participam das aulas de teatro.

Segundo o diretor da Faap e idealizador do projeto, Américo Fialdini, a iniciativa pretende aperfeiçoar o aprendizado e tornar o aluno mais desinibido. "A disciplina vai acrescentar no perfil do estudante. Vai ensiná-lo a interpretar textos, melhorar sua postura, enriquecer sua oratória e sua cultura geral", explica.

O presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), Braz Martins Neto, não vê impedimentos para a introdução do teatro nos cursos de direito. Ele afirma que, além da aula tradicional de teatro, os estudantes deveriam praticar também simulações de tribunal de júri.

"As aulas de teatro em uma faculdade de direito vão reforçar as características para se tornar um bom advogado", destaca. A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação Paulista de Magistrados, Celso Limongi. "A arte vai tornar o aluno mais aberto e desinibido."

(Folha de S. Paulo – 09/09/04)

 
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