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Crescem as oportunidades
para os novos contadores
A profissão
de contador torna-se cada vez mais vital e bem remunerada no mundo
empresarial. São pelo menos 380 mil em todo o país,
cujos salários podem ir do piso de cerca de R$ 400 (para
os assistentes de escritório, menos preparados) até
entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.
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mais:
Crescem as oportunidades para os
novos contadores
Que um mais
um é igual a dois, ou que cinco menos três também
resulta em dois, a ampla maioria sabe. Difícil é aplicar
estas e outras equações nas complexas planilhas da
contabilidade das empresas, para controlar o caixa e prestar contas
ao governo. Por isso, a figura do contador torna-se cada vez mais
vital e bem remunerada no mundo empresarial. São pelo menos
380 mil em todo o país, cujos salários podem ir do
piso de cerca de R$ 400 (para os assistentes de escritório,
menos preparados) até entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.
Antigamente,
estes funcionários eram vistos como alguém sem criatividade
e jogo de cintura, que apenas checavam a entrada e saída
do patrimônio do patrão. Hoje, com a migração
dos trabalhadores de carteira assinada para a prestação
de serviços, o seu trabalho aumentou e passou a exigir outra
postura. Atual aliado da informatização e da globalização,
o contador também se tornou ativo, criativo, dinâmico
e fundamental para micros, médios e grande empresários.
Ele funciona quase como um gestor financeiro. Quem não acompanha
estas mudanças fica no meio do caminho.
A origem desta
profissão pode ser situada nos anos 500 a.C, quando Pitágoras
criou as relações matemáticas. Mas o marco
histórico da contabilidade é a obra Summa de Arithmetica,
Geometrica, Proportioni et Proportionalita, de Frei Lucca Pacioli,
publicada em Veneza em 1494. Um dos primeiros impressos no mundo,
a obra descreve o método usado pelos mercadores de Veneza
para controlar a suas operações de compra e venda.
Mais tarde ela passou a ser denominada "partidas dobradas",
como é conhecida até hoje.
"Regulamentada
no Brasil em 1946, hoje a profissão evoluiu muito",
afirma Irineu De Mula, vice-presidente técnico do Conselho
Federal de Contabilidade, para quem a contabilidade em si é
uma ciência e a forma de executá-la e organizá-la
é uma arte. "Mas o método criado por Pacioli
é usado até a atualidade e os seus princípios
fundamentais são filosóficos, como a prudência
e a valorização dos valores históricos".
Para José
Maria Alcazar, diretor-presidente da Seteco Serviços Técnicos
Contábeis e vice-presidente do Sindicato das Empresas de
Serviços de Assessoria, Perícias, Pesquisa e Contabilidade
do Estado de São Paulo (Sesconp), no Brasil a profissão
teve alguns marcos durante o século XX. "O primeiro
foi nos anos de 40, quando o contador era a um consultor conservador
e uma espécie de assessor direto do presidente da empresa",
avalia.
"Em seguida,
com a automação industrial e comercial, as modificações
nos sistemas administrativos e as exigências burocráticas
do governo, ele virou uma espécie de intermediário
entre a empresa e o governo. Era visto como uma pessoa rude e estressada."
Hoje, segundo Alcazar, a situação mudou. "A evolução
tecnológica e os tempos modernos obrigaram a uma mudança
de perfil e o contador passou a ser consultor e conselheiro da organização
das empresas, zelando pelos seus números estrategicamente
e não mais apenas para controlar as guias".
A Seteco, fundada
pelo próprio, é um exemplo disso. Ele a criou há
34 anos, quando se formou e casou com Kátia Ruiz, também
contadora. Hoje, marido e mulher trabalham com os filhos Márcia,
de 32 anos, Adriana, de 31 e Fernando, 24, que é formado
em técnicas da informática. A família conta,
ainda, com mais de 100 funcionários colaboradores.
"Nós
formamos o conselho diretor, e eles são administradores-gerentes
com autonomia operacional", conta Alcazar. Obedecendo aos novos
tempos, o escritório mantém um site na internet e
grande parte da comunicação com os seus 250 clientes,
como a Fundação Abrinq e a empreendedora Coelho da
Fonseca, é feita por e-mail. A empresa fatura cerca de R$
4 milhões por ano.
Para Alcazar,
tal fenômeno detecta-se da metade da década de 90 para
cá. "Embora exista a ferramenta da tecnologia, atualmente
este profissional precisa falar pelo menos três línguas
(português, espanhol, inglês) e entender de capital
estrangeiro, devido à globalização", explica.
"E deve possuir dinamismo e raciocínio pois se tornou
um assessor estratégico dos números da empresa."
O aspirante
a esta promissora e hoje nada aborrecida profissão, deve
escolher um curso de ciências contábeis em uma das
mais de 100 faculdades de todo o país. Ele sairá formado
em quatro anos, mas nem tudo é tão fácil neste
setor. Para moralizar o mercado e se livrar de vez do estigma de
"guardador de livros", o CFC aguarda a promulgação
de um projeto que institui um exame de suficiência para quem
quiser exercer a função a partir de agora. Parecido
com a prova que os bacharéis de Direito realizam sob os auspícios
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para adquirir o direito de
advogar, o exame pretende dar mais credibilidade aos novos profissionais.
Ele será aplicado pelos conselhos regionais de cada estado.
O CFC defende
o exame com o argumento da formação fraca dos iniciantes.
Mas um segundo mecanismo de controle profissional também
está sendo discutido entre eles. É o exame de competência
para quem já está no mercado há mais de cinco
anos. Ele seria uma espécie de teste para avaliar se os profissionais
vêm se atualizando na matéria e estão realmente
preparados para continuar a exercer a função.
De Mula observa
que dos quase 380 mil profissionais do setor no Brasil, apenas 120
mil são contadores com graduação universitária,
capazes de realizar perícias e auditorias, além da
contabilidade. "Estes são preparados para atuar na área
mais nobre da profissão, que exige grande nível intelectual,
e podem ganhar salários de R$ 15 mil e, em alguns casos da
iniciativa privada, atingir tetos de R$ 30 mil", diz ele, que
foi auditor da Price durante 38 anos, é aposentado há
4 e hoje atua na CFC e dá palestras pelo país. "O
restante são técnicos em contabilidade" - cujas
remunerações mal ultrapassam o piso."
Tadashi , sócio-administrador
da Adconta Assessoria Contábil, empresa atuante no setor
há 40 anos, também conclui que o contador moderno
deve ter formação elevada. "Hoje, ele não
atua nem em 5% da operação contábil do escritório",
diz. "Pelo menos em 95% do trabalho, ele faz análises
tributárias, legais, trabalhistas, compara índices,
tira conclusões matemáticas e traça rotas para
o cliente."
Como os seus
colegas, no entanto, Weno considera que o mercado é bom,
está em expansão e é bem remunerado, porém
"90% dos recém-formados não tem competência
para trabalhar nele ". Daí as exigências da classe.
Afinal, como
observam eles, toda empresa precisa dos serviços de um contabilista
- "do bazar à Volkswagen", nas palavras de De Mula.
E o fenômeno do surgimento das empresas prestadoras de serviços,
as terceirizadas, obedecendo a mudança de relações
entre empregado e empregador, vem ampliar o mercado e exigir mais
dedicação e competência do profissional.
"Não
interessa o tamanho da organização, toda a parte burocrática
e administrativa deve ser feita por um contador e com o mesmo zelo",
conclui ele. "E o executivo e o trabalhador devem se concentrar
na sua matéria."
(Valor Econômico
– 11/02/04)
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