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Canadá
busca imigrantes que tenham pelo menos nível técnico
Trabalhar de forma legal em um país de Primeiro
Mundo, sem o temor diário de ter de enfrentar agentes da
imigração loucos para deportá-lo. Ou ainda
não ter de se preocupar com a truculência e falta de
respeito de policiais e fiscais de aeroportos europeus.
Esse país existe. O Canadá quer você
para trabalhar, especialmente a província de Quebec, região
de língua francesa. E o mais interessante: o governo canadense
e as administrações locais incentivam a chegada de
estrangeiros.
Os brasileiros estão entre os cinco maiores
contingentes de trabalhadores e estudantes que moram ou passam temporadas
nas terras geladas canadenses. Somente em 2007 o número de
brasileiros que chegaram a Quebec cresceu 17% em relação
a 2006, segundo dados do governo da província.
O governo busca imigrantes que tenham, pelo menos,
a formação técnica.
As chances do profissional atuar na sua área
de formação são grandes. Entre os campos de
trabalho em expansão estão as áreas das tecnologias,
industrial, meio ambiente, química, serviços, além
da construção.
Segundo estimativas do governo local, entre 2005
e 2009 serão criadas 251 mil vagas de empregos - que correspondem
a um crescimento de 1,3% ao ano.
Os setores que proporcionarão maior crescimento
são saúde e assistência social, comércio
varejista, hotelaria e restauração.
“Queremos ampliar a imigração
de brasileiros porque se integram facilmente a uma nova sociedade,
têm boa formação e são muito amistosos.
No Quebec, a pluralidade é a marca principal”, ressalta
a brasileira Soraia Tandel, agente de imigração do
governo da província. Hoje, há cerca de 2,5 mil brasileiros
residindo legalmente na região, principalmente em Montreal.
Tamanho interesse chamou a atenção
da Aliança Francesa, uma das principais entidades de ensino
do idioma no Brasil. A escola percebeu o potencial e criou em São
Paulo o primeiro curso de francês voltado para interessados
em emigrar para Quebec.
“O sucesso foi tanto que lotamos as primeiras
cinco turmas no final de fevereiro, com cerca de cem alunos”,
diz o diretor de marketing, Renato Vieira.
Não é apenas um curso de francês,
mas de cultura quebequense. O aluno não só aprende
o francês com as particularidades canadenses, mas utiliza
material didático - livros, CDs, DVDs - usados em Montreal,
por exemplo. Os professores são brasileiros, mas com experiência
no país da América do Norte.
No resto do Canadá, as oportunidades são
igualmente interessantes.
A empresa M/Brazil, de Jundiaí, no interior
de São Paulo, está recrutando 300 brasileiros para
trabalhar na construção civil na província
de Alberta, no meio-oeste canadense, região de língua
inglesa.
O salário mínimo pago é de
US$ 16 por hora para ajudantes (sem experiência), de até
US$ 30 por hora para candidatos com qualificação,
ou seja, engenheiros, por exemplo.
A carga horária mínima é de
40 horas por semana. Inglês fluente é desejável,
mas não necessário. “O Canadá é
um dos destinos mais promissores de trabalho para o brasileiro no
exterior, especialmente o qualificado”, diz Marcelo Toledo,
diretor da M/Brazil.
Ingrid Coifman, amazonense radicada por muitos anos em Fortaleza,
está há um ano em Toronto, ao lado do marido, o arquiteto
Leonardo Fernandes.
Já conhecia o país e decidiu emigrar
em 2005. Foram dois anos de preparativos até obter a documentação
e pagar as taxas cobradas pelo governo canadense.
“Quando você vem plenamente seguro do
que quer, passou por um planejamento antecipado, se programou mentalmente,
emocionalmente e financeiramente para esta experiência tudo
se torna melhor e um pouco mais fácil”, diz Ingrid.
Ela diz que “ama” a vida no Canadá por ter já
passado pelo período mais difícil na adaptação,
que é o primeiro ano. Ela tem 32 anos é editora de
um jornal e de um site dedicado a brasileiros em Toronto.
Questionada sobre se pretende morar de novo no Brasil
ela responde negativamente: “Uma vez que nos acostumamos com
o tipo de vida que se leva aqui, fica difícil querer passar
por um novo processo de adaptação.”
No caminho de ter a mesma experiência de Ingrid
está a jovem Kelly Bassi, de 23 anos, moradora de São
Caetano, na região do ABC.
Ela embarca este mês para uma temporada de
no mínimo seis meses em Vancouver, na província de
Colúmbia Britânica, no extremo-oeste do país.
“Vou estudar inglês e já consegui,
por meio da escola canadense, um emprego legal, ainda que temporário.
Será uma experiência única”, diz Kelly,
que vai interromper temporariamente a carreira de jornalista.
Decisões como a de Kelly Bassi são
importantes, mas requerem uma considerável quantia em dinheiro.
Pacotes como o dela, por exemplo, costumam não
sair por menos de R$ 15 mil, incluindo aí todos os gastos,
com taxas, documentação, hospedagem e passagens aéreas.
O Canadá é cada vez mais visto com
interesse por estrangeiros desde que endureceram as condições
de entrada nos Estados Unidos, que intensificaram a fiscalização
para combater a imigração ilegal.
A Europa, por sua vez, deixou de ser atrativa por
questões econômicas: o euro valorizado e caro jogam
os custos para cima. Sobram Austrália, Nova Zelândia
e o Canadá, mas este é mais perto e mais barato para
quem vive na América Latina.
Postos de trabalho são o que não faltam
em cidades como Montreal, Toronto, Quebec, Ottawa, Edmonton e Vancouver,
para ficar apenas nas principais. A província de Québec,
responde por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) do Canadá.
Em 2005, o país apresentou uma taxa de crescimento
de 2,5%, equivalente à de países como Estados Unidos
e França, o que propicia a criação de 54 mil
novos postos de trabalho a cada ano. E não há gente
suficiente no país para suprir a demanda.
(O Estado
de S.Paulo)
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