Meteorologista prevê alterações climáticas

Tem gente que gosta de olhar para as nuvens e imaginar formas, como uma maneira de passar o tempo. Outras pessoas fazem disso sua profissão. É claro que o dia-a-dia do meteorologista não é só observar o céu: este profissional faz cálculos a partir dos fenômenos da atmosfera para prever chuvas, períodos de seca, alterações climáticas.

Apesar de a previsão do tempo ser conhecida de todos, a carreira do meteorologista ainda é pouco divulgada no país. E ela está presente em mais campos do que você pode imaginar.

Na agricultura, uma informação equivocada sobre chuvas pode levar à perda de toda uma safra. A decolagem e o pouso de aeronaves são assistidos por um meteorologista que fica nas torres de controle; a navegação marítima depende de informações sobre o estado do mar e da atmosfera; até o turismo depende de dados sobre o tempo já que ninguém gosta de viajar em dias feios.

E meteorologia não tem nada de adivinhação. Por isso, de acordo com o professor Isimar de Azevedo Santos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudante que ingressa neste curso superior terá os primeiros anos bem carregados em exatas.

“No início da graduação, as disciplinas são as mesmas da engenharia. Existe a aparência de que é um curso fácil de entrar, mas tem um ciclo básico bastante denso em física e matemática”, afirma. Para gostar do curso é preciso, de acordo com Santos, gostar de ciências ambientais e ter prazer de observar a natureza.

É possível optar pela graduação em oito instituições, todas públicas, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC). O tempo mínimo exigido para conclusão é de quatro anos, densos em atividades e disciplinas.

Talvez, a dificuldade associada ao desconhecimento da carreira, leve à alta evasão na faculdade. Segundo o coordenador do curso da Universidade de São Paulo (USP), Amauri Pereira de Oliveira, como a meteorologia só é abordada na geografia no ensino básico, existe uma dificuldade na compreensão da amplitude do curso. “Em 30 anos a USP formou cerca de 200 meteorologistas”, revela.

Para quem quer ser pesquisador, o campo tem boas vantagens: há possibilidade de estudar no mundo todo as mudanças climáticas e os fenômenos da atmosfera. Além disso, segundo Oliveira, o campo de pesquisas é vasto.

“Há gente interessada na pesquisa aplicada à poluição atmosférica, em melhorar a previsão do tempo, em conforto térmico. Nós interagimos com todas as áreas”. Há até um campo de estudo chamado biometeorologia, que investiga as relações do homem com o tempo e com o clima. “Há pesquisas sobre as variações de temperatura e o estresse”, diz.

O curso tem uma carga teórica alta, que é complementada com atividades de pesquisa e prática de previsão do tempo, por exemplo. “A atmosfera é o maior laboratório que existe para o meteorologista”, diz Oliveira.

(G1)

 
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