Aberta a temporada dos cursos de férias

Aproveitar o período de férias para melhorar o segundo idioma ou incrementar a formação é algo cada vez mais comum. Para suprir essa demanda, instituições de todos os gêneros, tais como faculdades, escolas técnicas e de negócios oferecem uma bateria de cursos nas mais variadas áreas do conhecimento.

São cursos de curta duração que podem abordar desde a utilização de ferramentas tecnológicas específicas, como no caso do curso de Auto CAD, ministrado pela Unicsul, até programas que visam a desenvolver atitudes e posturas adequadas ao mundo corporativo, como no curso Comportamento no Mundo Corporativo, da ESPM.

Para a diretora-executiva do Grupo Foco, Leyla Galetto, esses cursos podem ajudar o profissional a conhecer mais sobre uma determinada área e decidir se ele irá, ou não, se aprofundar nela. “Esses programas podem dar suporte para que ele direcione melhor sua carreira”, diz.

É o que está fazendo a estudante Nathália Romanato. Nathália está cursando o terceiro período do curso de Nutrição, e diz que, dentro das possibilidades que o mercado apresenta, a área que mais lhe interessa é a relacionada com dietas de emagrecimento. Por essa razão, ela se matriculou no curso de pratos diet e light, oferecido pela Unicsul. “É um curso mais relacionado com gastronomia que com nutrição.”

Nathália acredita que buscar conhecimentos fora da graduação pode ser positivo na hora de ingressar no mercado. Opinião que é compartilhada por Leila do Grupo Foco. “Hoje, quanto mais multifacetado o profissional for, melhor. Cada vez mais cobra-se que a pessoa tenha uma visão holística e fazer cursos fora da área de formação pode ajudar nesse sentido.”

Outra possibilidade que esses cursos oferecem, é a de preencher lacunas na formação do profissional. “Pode ser o domínio de ferramentas de informática, línguas ou qualquer outra coisa que ele não consiga estudar durante o ano”.

A assistente-financeira, Verônica Soares está aproveitando o período de férias escolares para reforçar o currículo com conteúdos não abordados na graduação em gestão empresarial. Está no terceiro semestre do curso.

Ela conta que quer atuar na área financeira e que no futuro pretende tornar-se consultora nessa área.

Para isso, Verônica buscou os cursos de contabilidade básica e matemática financeira aplicada à negociação, oferecidos pela ESPM durante as férias escolares. “São conteúdos que eu não verei na graduação”, diz. Além desses dois cursos, Verônica está matriculada no programa de gestão financeira de micro e pequenas empresas. “Quero entender mais sobre as particularidades dessas empresas e também aplicar algumas práticas no dia-a-dia da empresa onde trabalho”,diz.

No período de férias, existe uma grande diversidade de cursos sendo ofertados pelas mais diversas instituições, o que pode criar dúvidas no profissional na hora de escolher entre um programa e outro. Principalmente entre os mais jovens, que ainda não sabem exatamente que rumo darão a suas carreiras.

Na visão de Victor Pascoal, diretor da Cia de Talentos, o ideal é que o profissional pense um pouco sobre como aquele conteúdo pode ser aplicado dentro da sua estratégia de carreira.

“Se, no caso dos mais jovens, essa estratégia ainda não estiver traçada, o melhor a fazer é optar pelos cursos mais técnicos, que possam ajudá-lo a dominar uma ferramenta muito usada na área onde ele quer atuar, por exemplo”, explica.

Segundo ele, dependendo da área onde o profissional atua, ter o domínio de um software diferente pode diferenciá-lo dos que só têm a bagagem da graduação. Isso é comuns na área de informática.

Entretanto, Pascoal não deixa de recomendar cursos menos técnicos e mais comportamentais, ou voltados para a ampliação do repertório do aluno, mas destaca que os benefícios para a carreira são mais difíceis de serem tangíveis. “É claro que são sempre uma boa oportunidade de fazer networking, mas, se o aluno não tem um objetivo traçado, pode não valer muito a pena.”

Já Leyla, do Grupo Foco crê que sempre é possível tirar proveito de qualquer coisa que se aprende. “Mal não pode fazer. De alguma forma todo conhecimento que adquirimos vai nos servir em algum momento”, afirma. “Quando alguém escolhe fazer determinado curso, o faz com base em seu interesse ou em sua necessidade. Logo, aquilo vai ajudar”.

Ela também destaca a possibilidade de conhecer outras pessoas, trocar conhecimentos e conhecer novas realidades.

(O Estado de S.Paulo)

 
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