Curso inusitado amplia oportunidade no mercado de trabalho

O peso da tradição aliado à incerteza gerada pelo vestibular faz com que muitos estudantes optem por carreiras mais convencionais, como medicina e direito. No entanto, um mercado em expansão, formado por graduações de nomes um tanto esquisitos, pode representar boas oportunidades de crescimento profissional.

Um exemplo é a quiropraxia, técnica de massagem para ajuste da postura que surgiu no final do século 19, mas só chegou ao Brasil como graduação em 2000. "É uma profissão da área de saúde que funciona como alternativa para cirurgias ou medicamentos", explica Song Kim, coordenador do curso da Universidade Anhembi Morumbi. Em quatro anos e meio, o aluno vê disciplinas como anatomia e fisiologia.

Julia Pontes, 21, está no oitavo semestre e é apaixonada pela área. "Sempre quis fazer algo ligado à coluna. Pensei em fisioterapia, mas meu avô descobriu, pela televisão, a quiropraxia e resolvi fazer o curso."

Outro curso inusitado é o tecnólogo de manutenção de aeronaves oferecido pela UniSant'Anna. O objetivo é preparar um profissional com conhecimentos técnicos, capaz de gerenciar equipes e administrar processos na área da aviação.

O aluno, que será um intermediário entre técnico e engenheiro, aprende sobre motores aeronáuticos, estruturas e sistemas de aeronaves, prevenção de acidentes, aerodinâmica e helicópteros.

A Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) tem o curso de engenharia industrial madeireira, com duração de cinco anos. "É voltado para quem quer atuar na transformação mecânica e química da madeira, em processos industriais, que vão da produção de partículas para papel a movelaria", diz o coordenador Antônio Carlos Néri, coordenador.

No curso de comunicação das artes do corpo, o universitário pode escolher entre três habilitações: teatro, dança e performance. "Difere de artes cênicas porque tem uma carga teórica bem mais significativa", afirma Naira Ciotti, coordenadora pedagógica do curso da PUC-SP, criado há nove anos.

Existem carreiras mais antigas até, mas que ainda não foram "descobertas" pelos estudantes, apesar de haver grande procura pelo profissional. É o caso de ciências atuariais. A PUC-SP oferece o curso desde 1952. O atuário desenvolve planos de seguros e de previdência e avalia riscos, inclusive de investimentos em bolsa. "Pelo déficit de profissional, quem sai da faculdade sai empregado. Com cinco anos de formado, chega-se a ganhar R$ 10 mil", diz Antonio Carlos Lopes Alvares, coordenador do curso.

Em 2008, os vestibulandos terão mais opções pouco ortodoxas. Na Anhembi Morumbi, o curso de tecnologia em bebidas ensinará desde produção e desenvolvimento do produto até gestão e serviço de bebidas alcoólicas e não-alcoólicas.

Também começará a primeira turma de visagismo e terapia capilar. O nome vem de "visage", que significa rosto em francês. O curso foca nos cuidados com a haste capilar e o couro cabeludo e prepara o profissional para trabalhar com a imagem pessoal do cliente.

Na FMU, serão oferecidos os cursos de tecnologia em segurança da informação, desenvolvimento de jogos digitais e sistemas para a internet, com enfoque no comércio eletrônico.

Universitários concluem graduação já empregados

Thiago de Freitas, 24, nunca procurou emprego. Especializado na área petroquímica, o engenheiro de controle e automação foi contratado como estagiário na Chemtech, de desenvolvimento e consultoria em automação, em setembro de 2006. Antes mesmo de se formar pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), foi promovido a programador e, logo após a formatura, a engenheiro júnior.

Freitas já recebeu outras propostas de emprego e diz que a maioria de seus colegas de graduação está empregada -seis deles na mesma empresa.
A petroquímica é uma das áreas apontadas pelo presidente da agência de empregos Curriculum.com.br, Marcelo Abrileri, entre as que estão em maior expansão. Ele também cita os setores de tecnologia da informação e telecomunicação.

A agência de empregos Catho Online aponta odontologia e medicina como as profissões em que há mais vagas que candidatos. Já o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, citou na terça-feira as áreas de engenharia e agronomia como as em que há carência de profissionais.

O consultor da Scot Consultoria, Alcides Torres, busca profissionais de ciências agrárias com boa formação econômica. Ele recruta estagiários para treinar e contratar. "Os funcionários ficam em média três anos e logo recebem propostas de grandes empresas."

A mais nova funcionária é a zootecnista Giuliana Nogueira, formada em novembro de 2007 na Unesp (Universidade Estadual Paulista) e ex-estagiária da empresa. Para ela, a experiência na consultoria complementa a formação técnica da faculdade e se transforma num diferencial de carreira.

Cursos novos e específicos são destaque entre mais desejados

As mais altas taxas de empregabilidade beneficiam principalmente os profissionais de cursos muito específicos em relação à área de atuação.

São casos como o do curso de produção digital e web multimídia, do Senac-SP, e o de construção e manutenção de sistemas de navegação fluvial, oferecido no interior de São Paulo pelo Centro Paula Souza.

"Esses profissionais são raridade, então não existe desemprego para eles", afirma o coordenador do ensino técnico do Centro Paula Souza, Almério Melquíades de Araújo.

Da mesma forma, cursos relativamente novos têm alto percentual de profissionais no mercado. No Senac, moda e gastronomia têm média de empregabilidade de 91,5% e 82,8%, respectivamente.

Técnicos da área ambiental também constam da lista dos mais procurados. "É uma área que cresce com o tema aquecimento global e com o amadurecimento do mercado", aposta o reitor do Centro Universitário Senac, Cláudio Massaro.

Para o diretor-técnico do Senai São Paulo, Roberto Spada, as áreas técnicas relativas à sazionalidade tecnológica, ou seja, ligadas aos setores econômicos em destaque, como o de petróleo e gás, sucroalcooleiro, de tecnologia de informação e automobilístico, apresentam as melhores ofertas de vagas.

"Mas todos os profissionais têm grande oportunidade de emprego", garante Spada.

(Folha de S. Paulo)

 

 
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