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Entidades
médicas querem mudar lei de estágios
O número de estágios
na área de saúde - especialmente em medicina e enfermagem
- caiu desde que a lei do estágio entrou em vigor, há
um ano.
Essa é a avaliação
de Mourad Ibrahim Belaciano, presidente da Abem (Associação
Brasileira de Educação Médica), e de Julio
Dornelles Matos, diretor da Abrahue (Associação Brasileira
dos Hospitais Universitários e de Ensino).
Por isso, as duas associações
têm atuado na tentativa de flexibilização da
lei de estágio.
A Abrahue participou,
neste mês, de uma audiência pública na Comissão
de Trabalho, de Administração e Serviço Público
da Câmara dos Deputados para discutir as chances de alteração
do texto.
Estão em análise
a possibilidade de o aluno estagiar durante as férias, a
flexibilização da jornada e a ampliação
do limite de dois anos de estágio em uma mesma empresa.
"Em medicina, o
que o estudante mais quer é estar em campo, mas a lei limita
a jornada em 30 horas", diz Matos.
O presidente da Abem
também cita a jornada como barreira. Ela é de 30 horas
semanais para estudantes do ensino superior e de 40 horas semanais
para cursos que alternam teoria e prática, no período
em que não estiverem programadas aulas presenciais.
Os gestores, diz Belaciano,
estão receosos com a fiscalização. Em alguns
locais, afirma, o Ministério Público do Trabalho tem
obrigado a empresa a assinar um termo de responsabilidade impedindo
que o estudante estagie por mais de 40 horas mensais, sob pena de
pagar uma multa de quase R$ 1.000 por dia por estagiário.
"A área de
saúde é diferente de outras, e alguns pontos precisariam
ter sido contemplados na lei", considera Belaciano, citando
o regime de plantão, no qual o estudante trabalha por 24
horas -a lei permite que a jornada seja de até oito.
A Abem tem discutido
com o MEC (Ministério da Educação) formas de
resolver a questão do estágio em medicina. Nesta semana,
a associação avaliará propostas sobre o estágio
e o conteúdo de aulas práticas.
"Não é
o caso de rever a lei", destaca a secretária de educação
superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci. Para ela, o problema
está na compreensão do texto. "A lei é
para proteger o estagiário", diz.
Carlos Vital, vice-presidente
do CFM (Conselho Federal de Medicina), defende o debate, mas ressalta
que uma flexibilização deve ser calculada. Antes da
lei, explica ele, o estágio funcionava, em alguns lugares,
como emprego de mão de obra barata.
(Folha de
S.Paulo)
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