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País
perde 200 mil postos de estágio em quatro meses
Quatro meses depois da sanção
da nova lei do estágio, o país acumula perda de 200
mil vagas, segundo a Abres (Associação Brasileira
de Estágios). Em setembro de 2008, havia 1,1 milhão
de estudantes estagiando. Esse número caiu para cerca de
1 milhão no final do ano e 900 mil em janeiro de 2009. "Há
uma queda normal no começo do ano, mas não desde setembro",
diz o presidente da Abres, Seme Arone Junior.
A avaliação é
que houve uma paralisação inicial por causa da lei
e das dúvidas que ela gerou. Depois, na hora de retomar as
contratações, veio a crise. O preenchimento de vagas
em janeiro também não se manteve no mesmo patamar.
Em 2009, foram ocupados 49 mil postos de estágio - contra
75 mil estimados pela Abres no mesmo mês do ano passado.
Segundo
Arone Junior, a maior queda foi entre os estudantes do ensino médio,
cuja retração de contratos está estimada pela
Abres em 46%. "A princípio, pensamos que [o número
de vagas] aumentaria pela redução da carga horária",
afirma Fernando Moya, superintendente de recursos humanos da ACSP
(Associação Comercial de São Paulo). Contudo,
a crise e o desconhecimento da lei, segundo Moya, fizeram com que
a oferta de vagas se reduzisse à metade.
No setor público também
houve impacto. Para Shirlei Cascales, coordenadora do programa de
estágio da Fundap (Fundação do Desenvolvimento
Administrativo), ligada ao governo paulista, haverá, inicialmente,
redução do número de postos devido ao aumento
de despesas não previstas no orçamento desses órgãos.
"Devem ser computados gastos com supervisão, acompanhamento,
controle de períodos de recesso e redução de
jornada em época de provas."
Segundo o secretário de Políticas
Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho Ezequiel
Nascimento, a "possível" redução
de vagas "pode estar muito mais relacionada a fatores ligados
à crise do que à lei".
O maior problema, afirma, era em relação aos órgãos
públicos, que não haviam previsto gastos com auxílio-transporte.
Avaliação
negativa
A maioria das firmas ainda não
recebeu positivamente a lei de estágio. Levantamento feito
pela consultoria Mercer com 334 empresas mostra que 52% delas consideram
negativos os impactos da medida.
Entre os principais argumentos está
o do aumento de custos -seja pela concessão de benefícios,
seja pela necessidade de aumentar o número de estagiários
devido à redução da carga horária permitida.
O estudante, afirmam as empresas ouvidas pelo estudo, perderá
atividades importantes e será prejudicado, pois receberá
bolsa-auxílio menor.
(Folha
de S.Paulo)
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