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Estágio cada vez mais concorrido
Os programas
de trainees são, já há algum tempo, o caminho
mais curto para recém-formados iniciarem sua carreira. São
também a porta de entrada para as empresas do chamado primeiro
time, como Unilever, Companha Vale do Rio Doce (CVRD), AmBev e Ultrafertil.
Por isso, estão cada vez mais disputados. Se para profissionais
sem experiência estes estágios representam uma grande
oportunidade, para as empresas são também uma forma
rápida e barata de recrutar pessoas de alta qualificação
e grande potencial, adequadas às suas necessidades estratégicas.
A Ultrafertil,
fornecedora de matéria-prima para a indústria química,
pode ser considerada uma novata no recrutamento de recém-formados
em um programa específico. O primeiro foi realizado em 2001.
Este ano, a Alexandre Tic, unidade especializada em recrutamento
da Adecco, é a empresa responsável pelo desenvolvimento
do programa para a Ultrafertil.
O programa de
trainee da Ultrafertil, cuja previsão inicial é de
11 vagas, recebeu mais de 3 mil inscrições. Depois
da primeira fase da seleção, restam 300 candidatos.
Embora a exigência para participar do programa seja ter se
formado recentemente ou concluir a graduação até
julho, a qualidade dos candidatos ultrapassou as expectativas. Muitos
têm mestrado, MBA e fluência em outros idiomas, além
do inglês. "Muitos têm qualificação
e potencial para exercer funções executivas",
destaca Denise Bruno, gerente geral da Alexandre Tic.
Em virtude do
alto nível dos candidatos, a Ultrafertil pode aumentar as
vagas este ano, como já fez em 2001, quando elevou de 10
para 33 o número de recrutados, segundo o coordenador de
Desenvolvimento Organizacional da Ultrafertil, Carlos Humberto Alves
Teodoro. "O programa foi implantado pela necessidade de conseguir
profissionais alinhados com a estratégia de negócios
e com a visão da empresa" diz.
Foi esta mesma
necessidade que levou a Vale do Rio Doce, há mais de 15 anos,
a iniciar programas regulares de estágio em suas unidades.
O programa atual de trainee da Vale, batizado de Programa de Capacitação
de Juniores (PCJ), existe desde 1997 nas áreas de logística,
mineração, pelotização, comercial, financeira
e de recursos humanos. No total, 14 turmas já foram feitas,
com 420 trainees, todos contratados ao final do programa. Hoje,
existem quatro turmas, com 122 trainees.
Como vantagem,
o diretor de Recursos Humanos da Vale, Marcus Roger da Costa, destaca
o baixo custo para formar profissionais altamente qualificados e
alinhados com a estratégia da empresa. "O custo do recrutamento
de um bom profissional e com experiência é superior
ao do processo de captação e treinamento dos trainees",
garante Marcus.
Após
a conclusão do curso, é preciso manter estes profissionais
na empresa. Plano de carreira, remuneração variável
e programas de aperfeiçoamento estão entre as principais
armas utilizadas para prendê-los. Na Ultrafertil, logo após
sua efetivação, o trainee já passa a ter direito
a remuneração variável.
(Gazeta Mercantil
- 29/05/02)
Expectativa é sempre alta
Fazer carreira
na empresa e melhorar o currículo são os dois principais
objetivos dos recém-formados que buscam os programas de trainees
das grandes empresas. Graduado em engenharia elétrica pela
PUC-Minas, Claudemir Chateaubriand participou do primeiro programa
de trainee da Vale do Rio Doce, de julho de 97 a julho de 98. Contratado
para trabalhar na área de produção e manutenção
de usina da Vale, Claudemir passou depois pela oficina e hoje, aos
29 anos, é engenheiro pleno da área de pesquisa e
desenvolvimento de manutenção da unidade da empresa
no porto de Tubarão, em Vitória (ES).
Passar pelo
rigoroso processo de seleção em uma grande empresa
é um bom começo para recém-formados, mas não
é garantia de que as expectativas do profissional serão
totalmente alcançadas. Embora se diga satisfeito com a posição
que ocupa na Vale, Claudemir considera lento o ritmo de sua carreira
na empresa. "Esperava, nestes cinco anos, ter passado por outros
setores e desenvolvido novas habilidades, o que não ocorreu",
lamenta.
Em relação
ao futuro, Claudemir garante que o salário não está
em primeiro plano. Possibilidade de progresso profissional e a oportunidade
de estar em contato com novas tecnologias são fatores principais
na definição dos rumos de sua carreira, diz ele.
Cinco anos depois
da implantação do PCJ na Vale, as expectativas dos
trainees continuam as mesmas. Querem fazer carreira e, pelo menos
no começo, dão mais valor às oportunidades
do que à remuneração. Economista formada pela
UFRJ e ex-trainee da Vale, Ana Maria Bezerra acaba de ser contratada
para trabalhar na diretoria de gestão, onde vai acompanhar
o desempenho da empresa. "Dentro do plano de carreira oferecido,
estou satisfeita e tenho condições de desenvolver
plenamente minha capacidade", afirma.
(Gazeta Mercantil
- 29/05/02)
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