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Vagas
de estágio caem 20% em 1 ano
Um ano após a
nova Lei do Estágio entrar em vigor no País, o número
de vagas caiu 20%, segundo levantamento da Associação
Brasileira de Estágios (Abres). Para a entidade, a queda
é explicada pela resistência de parte das empresas
em se adaptar às regras e pelo cenário de diminuição
da atividade econômica provocada pela crise financeira mundial.
Em setembro de 2008 havia
1,1 milhão de vagas de estágio, distribuídas
em 715 mil postos para estudantes do ensino superior e 385 mil para
alunos do ensino médio e técnico. Neste mês,
foram contabilizadas 900 mil vagas, sendo 650 mil para alunos de
graduação e 250 mil para o ensino médio e técnico.
"A lei estabelece
uma cota de estudantes de ensino médio que uma empresa pode
ter como estagiários. Quando há mais de 25 funcionários,
por exemplo, 20% podem ser estagiários. Esse limite, que
não havia antes, provocou a redução das vagas",
afirma Seme Arone Junior, presidente da Abres. "Além
disso, várias empresas suspenderam processos de seleção
e treinamento em razão do impacto provocado pela crise."
Na avaliação
de especialistas no setor, a tendência é que o número
de postos se normalize a partir do ano que vem, quando se espera
uma regularização da atividade econômica e uma
adaptação maior das novas regras por parte dos empregadores.
Muitas das dúvidas que surgiram nos meses seguintes à
sanção da lei, como a questão do vínculo
empregatício, por exemplo, já foram esclarecidas.
Entre as mudanças
estão a limitação da jornada de trabalho diário
para 4 horas no caso do ensino médio e 6 horas para o ensino
superior. Além disso, estagiários ganharam direito
à redução de 50% na jornada de trabalho durante
o período de provas e a férias remuneradas de 30 dias
após um ano de atividade em uma mesma empresa.
A concessão de
vale-transporte passou a ser obrigatória e o contrato do
estagiário em uma empresa não pode exceder o período
de dois anos. Outra modificação foi a obrigação
de a escola e a empresa apresentarem relatórios provando
que o aluno faz estágio na sua área de estudo, o que
levou muitos empregadores a desenvolverem um projeto pedagógico.
Com isso, o custo de ter um estagiário subiu 8,5%.
"Houve uma perda,
tanto pelas questões conjunturais como pelas novas regras.
Mas acredito que em 2010 estaremos normalizando o quadro de vagas",
afirma Eduardo de Oliveira, superintendente de operações
do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). Na
entidade, a perda de vagas foi de 10%.
Renata Campos, coordenadora
da consultoria Foco Integração, diz que algumas empresas
encontraram dificuldades em atrelar suas vagas às exigências
da lei. "As instituições de ensino também
demoraram para se adaptar. Há faculdades que estão
liberando os papéis para os estudantes agora", diz.
Em algumas áreas,
a busca por um estágio pode ser mais complicada. Júlio
Martins, de 21 anos, aluno de Economia da Universidade de São
Paulo (FEA-USP), levou três meses para encontrar um estágio,
após passar por cerca de sete processos seletivos, com provas
e entrevistas. "O mercado em finanças é ainda
mais concorrido porque o desempenho do funcionário é
muito evidente. Ou você gera resultados ou não",
explica o estudante.
Júlio será
o primeiro estagiário de um banco de investimentos depois
que a lei começou a vigorar. Por essa razão, o contrato
demorou um pouco mais para ficar pronto, já que precisaria
estar adequado às novas regras.
(O Estado
de S.Paulo)
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